Análises Morning Call

Agora é olhar para frente!

Agora é olhar para frente!
  • Publicado em 29 de agosto de 2022

Iniciando mais uma semana que dessa vez deve trazer dados de inflação e de empregos no mundo.

Ainda digerindo as falas do Presidente do Fed, Jerome Powell, a semana deve ser guiada pela interpretação dos mercados ao tom mais agressivo do chefe do banco central norte-americano.

Abertura do Mercado 29 de agosto

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Abertura do Mercado no Brasil

Começando nova semana, por aqui, como de costume, o Banco Central divulga agora pela manhã o Boletim Focus, que compila as expectativas de agentes econômicos do país.

Na última divulgação a surpresa veio da primeira revisão para baixo da inflação de 2023 em 19 semanas. A mudança vem do menor risco fiscal em meio ao ajuste das contas públicas e da forte desaceleração de preços que segue em curso.

Essa segunda-feira deve trazer dados de emprego no Brasil. As informações do Caged que deveriam ser divulgadas na última semana foram postergadas para a manhã de hoje, às 9h30.

Como mencionamos na última semana, a expectativa é de estabilidade na geração de empregos, com previsão de cerca de 259 mil novos cargos em julho.

Inflação do aluguel

Ainda por aqui a semana deve trazer a divulgação do IGP-M, a famosa inflação do aluguel. O índice calculado pela FGV será divulgado na manhã de terça-feira, às 8h, com expectativa de deflação.

Uma queda de 0,59% nos preços é esperada para a medição referente a agosto, e deve ser uma nova sinalização de enfraquecimento das pressões inflacionárias.

Na quinta, dados de PIB do segundo trimestre serão divulgados e devem jogar luz sobre a saúde da atividade econômica no país.

PIB

As projeções indicam crescimento de 2,8% na comparação anual e de 0,9% na comparação trimestral.

Por fim, a semana deve ser impactada pelas ondas de pessimismo que reverberam do exterior.

O discurso de Jerome Powell na sexta pesou sobre o otimismo do mercado e aumentou a aversão ao risco.

Ainda assim, na contramão do mundo, o real se valorizou na última sexta-feira, com dados de fluxo estrangeiro e de carry trade, fortalecendo nossa moeda.

A perspectiva, no entanto, é de enfraquecimento frente ao dólar à medida que os juros continuem subindo por lá.

Curva DI

Em uma semana que os mercados ficaram em compasso de espera pela fala de Jerome Powel tivemos pouco movimento na curva de juros que fechou levemente nos vértices curtos.

A leitura mais positiva do IPCA – 15 ajudou também nesse movimento, as estimativas apontavam -0,83% vs -0,73% de resultado.

Apesar de vir um pouco acima do esperado, difusão desacelerou para 65% de 68% anteriormente e deixou o mercado mais otimista.

Em branco, a curva de juros observada uma semana atrás. Em verde, o fechamento do dia 26/08.

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Essa semana tivemos bons volumes nos leilões de títulos públicos, no dia 23/08 houve o 3º maior volume do ano no leilão de NTN-B e o segundo maior do ano para LTN no dia 25/08.

  • O Tesouro pré 2025 encerrou a semana pagando 12,13% vs 12,24% da semana anterior enquanto o vencimento de 2029 pagava 12,16% em estabilidade.
  • A NTB-B com vencimento 2026 fechou a semana pagando IPCA + 5,70%.
  • O Tesouro IPCA 2035 e 45 pagavam IPCA + 5,86% praticamente em estabilidade versus a semana anterior.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA a semana parece assombrada pelo pessimismo que tomou conta dos mercados desde sexta-feira.

Conforme esperado, no dia 26 pela manhã o Presidente do Fed, Jerome Powell, discursou no aguardado Simpósio de Jackson Hole.

Os olhos e ouvidos do mundo permaneceram atentos a cada palavra do chairman do Banco Central, na expectativa de sinalizações do percurso de
apertos monetários do Fed para as próximas reuniões.

O que se ouviu, no entanto, não agradou.

Em discurso rápido, mas bastante duro e objetivo, Powell reforçou o tom de agressividade nos apertos monetários, destacou o risco de  abrandamento da política monetária muito cedo.

Além disso, ele lembrou que enquanto os preços não sinalizarem forte desaceleração na direção da meta – que por lá é de 2% ao ano – o Federal Reserve deve continuar a subir as taxas de juros.

Impactos do discurso de Jerome Powell

O banqueiro disse ainda que os próximos apertos podem machucar a economia, mas que isso também é inevitável.

Por fim, Powell ainda comentou que uma vez que os aumentos acabem, eles devem ficar nesse patamar elevado por um bom tempo.

Em meio às falas de Powell, os mercados voltaram a precificar um cenário mais duro, de maior aperto monetário e da volta do risco de recessão que segue pairando sobre as economias globais.

O FEDWatch divulgado pelo CME group mostra probabilidade de 66,5% de novo aumento de 75 pontos base na reunião
de setembro.

Para hoje, mercados devem permanecer atentos às falas do vice-presidente do Fed, Lael Brainard.

A expectativa é que o discurso marcado para 15h15 possa trazer mais sinalizações da postura do banco central norte-americano para o cenário de juros por lá.

Divulgação do Payroll

Por fim, o destaque da semana nos EUA fica por conta das divulgações de sexta-feira.

Isso porque dia 2 de setembro deve ser divulgado o payroll norte-americano, com dados de empregos.

A expectativa é de criação de 285 mi novos empregos, com manutenção das taxas de desemprego em 3,5%, enquanto a massa salarial deve continuar crescendo.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou a última semana em alta de 0,72%, na contramão do exterior.

Olhando adiante as pressões mais pessimistas que emanam, em especial da possível escalada de juros nos EUA, deve pesar sobre alguns setores por aqui, em especial aqueles que dependem de forte crescimento.

A pressão sobre os juros por lá, coloca pressão sobre os juros aqui, o que deve afetar o mercado de ações.

O dólar, como comentado, deve ganhar força no cenário de maior aperto monetário, o que pode contribuir para o resultado de exportadoras.

Análise técnica Ibovespa

 

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Ibovespa, pelo gráfico semanal, se mantém acima dos 112.000 pontos onde anulou a tendência de baixa em que se encontrava no médio prazo.

Nessas duas últimas semanas o índice apresentou um comportamento mais lateral.

Isso indica que o ativo pode passar por uma correção, seja ela lateral ou no preço.

Após essa longa movimentação de alta, aumenta-se a probabilidade de uma correção para posteriormente retomar a tendência.

Dessa forma, a superação dos 114.155 pontos retoma a expectativa positiva para o índice.

Enquanto a perda dos 107.650 pontos traria uma probabilidade maior de uma possível correção.

Análise técnica mercado externo

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S&P500 anulou a tendência de baixa em que se encontrava no médio prazo, porém, está passando por uma correção no gráfico semanal.

Ou seja, após um longo movimento de alta, é esperado que o ativo faça uma correção no preço ou no tempo para retomar a tendência principal.

Dessa forma, o interessante é aguardar essa correção e ficar atento a oportunidade de compra.

Falando em termo de retração de Fibonacci, os níveis de retração estaria em 3.981 (50%) e 3.900 (38,2%). Regiões onde a correção pode parar.

Commodities

O minério de ferro encerrou essa madrugada negociado em queda.

Também refletindo maior risco de recessão, a commodity que depende da pujança da atividade imobiliária chinesa, encontra pela frente um cenário de grande incerteza, o que tem prejudicado os preços.

O petróleo opera em alta nessa manhã de segunda-feira, buscando um equilíbrio entre oferta e demanda.

Com perspectivas de maior aperto monetário crescem os temores de recessão e consequente degradação de demanda das commodities energéticas.

Na outra ponta, a oferta continua pressionada com a possibilidade de redução de produção pela Opep, em busca de maior estabilidade de preços.

Análise técnica petróleo

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O petróleo, pelo gráfico semanal, se encontra em uma regi onde o preço não varia muito, ficando entre os USD 101,77/barril e os USD 92,08/barril.

O ativo se encontra ainda dentro de uma correção no médio prazo.

Em que a perda dos USD 92,08/barril traria um viés mais negativo, no sentido do início de uma tendência de baixa.

Já a superação dos USD 101,52/barril traz um viés mais positivo no sentido de retomada de tendência de alta pelo gráfico semanal.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia;
  • Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação que possa afetar  imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

As informações, estimativas e projeções contidas neste relatório referem-se à data de publicação e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal alteração.

As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.