Incerteza política gera ruído

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Incerteza política gera ruído

27 out 2022Última atualização: 20 junho 2024

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Macro

Sem surpresas no Copom, essa quinta-feira deve ser de poucos ajustes aos juros, enquanto as tensões eleitorais seguem escalando. O exterior permanece dominado por um calendário de divulgações misto, enquanto a zona do euro se prepara para nova decisão de juros pela manhã.

Brasil

No Brasil, dados do Caged que seriam divulgados ontem foram postergados para a manhã de hoje, e mostraram 278 mil novos cargos, acima das estimativas que apontavam para criação de 260 mil vagas.

No campo do emprego, o IBGE divulga às 9h de hoje a pesquisa PNAD contínua que traz a taxa de desemprego oficial da União. A expectativa é que o desemprego caia para 8,7% em setembro, contra 8,9% no mês anterior.

Os dados de empregos fortes voltam a sinalizar o desempenho robusto da economia local, que continua com mercado de trabalho aquecido, e com crescimento das atividades, apesar do cenário externo cada vez mais desafiador.

Na noite de ontem, conforme comentado, o Copom trouxe pouca, ou nenhuma, surpresa.

O comitê definiu novamente pela manutenção da taxa básica de juros em 13,75%, dessa vez com discurso mais alinhado e decisão unânime.

O texto, no entanto, destacou temores com o risco fiscal, um possível gatilho para novos aumentos da taxa no futuro.

A discussão sobre risco fiscal se intensifica no atual cenário eleitoral, com o candidato Lula reiterando sua contrariedade ao teto de gastos.

Henrique Meirelles, um dos nomes mais cotados para assumir o ministério da economia em caso de vitória petista, defendeu o teto, entretanto, deixou claro que em 2023 um novo furo no orçamento será necessário.

Esses discursos indicam um governo mais expansivo e, consequentemente com maiores gastos, o que pesa sobre os juros futuros, e deve se refletir em mais contração do banco central.

Por aqui, o cenário eleitoral segue criando tensões e ventilando a possibilidade de um movimento de “terceiro turno”, com recursos e apelações judiciais, independente do resultado de domingo.

Na quarta-feira, o pedido de investigação das propagandas eleitorais em rádios foi negado pelo TSE, adicionando ainda mais tensão ao cenário.

Vale destacar que ainda nessa quinta-feira, teremos leilão do Tesouro Nacional, com oferta de prefixados, contemplando LTNs com vencimento em 2023, 2024 e 2026, além de NTN-Fs para os vencimentos de 2029 e 2033.

Na agenda corporativa, divulgam resultados hoje, AmBev, Vale e Suzano.

EUA

Nos EUA, os olhos estão voltados para a divulgação do PIB do terceiro trimestre.

A expectativa é que o número volte a crescer, chegando a 2,4% na comparação com o mesmo período do último ano. Vale destacar que o resultado do último trimestre foi de -0,6%.

Por lá, saem ainda na manhã de hoje dados de pedidos de bens duráveis e pedidos iniciais de seguro-desemprego.

Os dados fazem parte da cesta de informações utilizadas pelo FED na decisão da próxima quarta-feira.

O fato é que, assim como aqui, pouca surpresa é esperada, com um quarto aumento de 75 pontos-base tido como dado.

O ritmo para os próximos apertos, no entanto, segue um ponto de interrogação, e o mercado começa a precificar uma desaceleração nesse passo, para o encontro de dezembro.

No mercado acionário a semana continua guiada por um calendário de divulgações cheio.

Ontem a controladora do Facebook, Meta, reportou resultados do terceiro trimestre e decepcionou com crescimento de custos, redução de lucros e previsões para os próximos períodos pouco animadoras. As ações da empresa caem cerca de 20% no pré-mercado.

Hoje, as gigantes Amazon e Apple apresentam seus números.

Europa

No continente europeu a expectativa do dia gira em torno da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE).

A expectativa é de um novo aumento de 75 pontos-base, levando a taxa a 2%, maior nível em mais de uma década. A divulgação sai às 9h e meia hora depois a Presidente do BCE, Christine Lagarde, faz discurso para comentar a decisão e os próximos passos.

Mercado Interno

O Ibovespa registrou nova queda no pregão de ontem, fechando no negativo em 1,62%. Dominado pelo risco eleitoral o índice continua perdendo força, à medida que o investidor controla sua exposição ao risco com tanta incerteza no cenário político.

O pregão de ontem refletiu o resultado fraco do Santander Brasil que reverberou entre os demais bancos e contribuiu para puxar o índice, com forte peso em bancos, para baixo.

No campo de divulgações que deve seguir movimento preços, hoje, a fabricante de bebidas AmBev reportou seus números pela manhã, enquanto Vale e Suzano trazem resultados após o fechamento dos mercados

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Análise Técnica

O Ibovespa terminou ontem em queda de 1,62% aos 112.760 pontos, continuando o movimento de baixa pelo terceiro dia consecutivo.

Em que nessa semana o ativo já acumulou uma queda de 5,97% já devolvendo praticamente toda a alta apresentada semana passada.

A perda de uma região importante nos 114.000 pontos traz um viés mais negativo para o índice no curto prazo, onde pode testar a região de média móvel nos 111.690 pontos.

Graficamente falando, essa “correção” que o índice fez foi expressiva, e por isso, diminui-se a probabilidade de que o ativo apresente uma retomada de alta mais forte/acelerada.

O primeiro sinal positivo para o índice, seria superar os 116.200 pontos, onde se manteria acima da média móvel, reforçando um viés mais positivo.

Mercado Externo

Nos EUA, depois de três pregões de fortes altas o índice S&P 500 voltou a fechar no negativo com queda de 0,74%.

Com uma semana menos movimentada e sem decisão de juros por lá, o principal formador de preços tem sido o calendário de divulgações de resultados.

Ontem, após o fechamento a Meta, controladora do Facebook, reportou resultados fracos com pressão sobre custos, altos investimentos no Metaverso, o que tem levado a um forte desalinhamento com investidores.

As ações da empresa caiam mais de 20% no pré-mercado.

Para hoje, as divulgações de big techs continuam, Amazon e Apple apresentam seus números e devem seguir o mesmo caminho, com revisão de projeções para baixo, e resultados que evidenciam maior pressão sobre custos.

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Análise Técnica

O S&P500, analisando o gráfico diário, fechou o dia no campo negativo em 0,74% nos 3.830 pontos, sendo o primeiro dia, após três de alta, fechando em queda.

Isso pois o índice testou uma região importante de média móvel nos 3.846 pontos, e por isso, pode apresentar uma possível correção nos próximos dias.

Portanto, a tendência do S&P no curto prazo segue de alta, em que após essa possível correção, pode voltar a ser negociado nos 3.900 pontos.

Esse cenário seria invertido caso o índice volte aos 3.666 pontos, em que poderia testar a região dos 3.580 pontos.

O minério de ferro fechou a madrugada em forte queda em Singapura depois que dados do setor industrial indicaram redução de vendas da indústria em mais de 2%.

O resultado que mostra a degradação da atividade siderúrgica deixa claro um cenário apertado para a commodity, marcado por demanda enfraquecida.

O petróleo opera em leve alta nessa manhã de quinta. Impulsionado por dados de exportação de petróleo bruto nos EUA.

O número atingiu 5,1 milhões de barris por dia, que corresponde a maior marca desde o início da série.

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Análise Técnica

O petróleo, analisando o gráfico diário, fechou ontem com uma alta significativa de 3,21% aos USD 94,42/barril, sendo o primeiro dia em alta, após dois de baixa.

O ativo está apresentando um movimento mais lateral, onde fica oscilando entre os USD 89,37/barril e os USD 93,26/barril.

Entretanto, com o pregão de ontem, essa movimentação deixa o cenário mais positivo, mostrando força para subir.

Para a retomada de um cenário mais positivo, o petróleo deve voltar a ser negociado nos USD 93,87/barril, onde pode buscar os USD 97,71/barril.

Já a perda da média móvel e dos USD 89,37/barril traz uma expectativa mais negativa no curto prazo.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;

    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli – Analista CNPI-T

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação que possa afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

As informações, estimativas e projeções contidas neste relatório referem-se à data de publicação e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal alteração.

As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.

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