Análises Morning Call

De olhos abertos

De olhos abertos
  • Publicado em 25 de outubro de 2022

A incerteza segue sendo a palavra de ordem no momento. Por aqui, essa terça-feira, assim como os dias que se seguem, deve ser marcada por fortes reverberações do cenário político instável, assim como decisões fundamentais de política monetária e dados econômicos.

Em meio às tensões locais, agrega-se a isso o risco China, que volta a pesar sobre os mercados, com enfraquecimento do gigante asiático e um potencial governo mais hostil de Xi Jinping em seu terceiro mandato.

Abertura do mercado no Brasil

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Por aqui essa terça-feira marca o início do Copom, o Comitê de Política Monetária. O encontro que se encerra amanhã deve optar por manter a taxa básica de juros em 13,75%, assim como temos comentado.

O cenário local não apresentou grandes alterações desde a última reunião, enquanto índices de inflação seguem caminhando conforme previsto. O comitê dos próximos dias é o penúltimo encontro de 2022.

Na manhã de hoje o IBGE divulgou o IPCA-15, que registrou alta de 0,16% em outubro, após dois meses seguidos de deflação.

As estimativas apontam para alta de 0,09% nos preços.

No campo político, o acirramento do momento eleitoral volta a pesar sobre investidores que se mostram mais avessos ao risco nesse momento de definição.

Na segunda-feira os mercados precificaram um impacto negativo do “caso” Roberto Jefferson na campanha de Bolsonaro. Estatais como Petrobras e Banco do Brasil recuaram cerca de 10%.

Para completar o dia, o Tesouro Nacional deve ofertar pós-fixados em leilão que acontece às 10h30. A oferta contempla LFT com vencimento em 2029, além de NTN-Bs para os vencimentos de 2027, 2035 e 2060.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, a desaceleração econômica proposta pelo FED parece estar em curso. Indicadores divulgados ontem, como índices de gerentes de compras (PMI) de serviços e indústria mostraram enfraquecimento da atividade.

O PMI industrial, cujas estimativas apontavam para crescimento veio em 49,9 indicando retração da atividade em outubro. Já em serviços, as projeções davam conta de um PMI em 49,2, enquanto o dado divulgado na manhã de ontem mostrou 46,6, frustrando expectativas.

Agora, o que se espera é que o FED possa avaliar os efeitos da escalada acelerada de juros por lá, e ponderar o ritmo de apertos, uma vez que a economia começa a dar sinais de enfraquecimento.

O próximo encontro do Fomc, comitê que define a política monetária norte-americana, está marcado para a próxima semana, em 2 de novembro.

Membros do FED entraram em período de silêncio, reduzindo as pistas da próxima decisão. Ao que tudo indica o comitê deve optar por um novo aumento de 75 pontos-base no juro.

Atualmente o monitor do FED do CME Group aponta para 95% de probabilidade de um aperto dessa magnitude.

As expectativas crescem para que esse seja o último aumento nesse ritmo, e que no encontro de dezembro, que fecha o ano, o FED inicie o abrandamento do ritmo de apertos.

No mercado acionário, a temporada de resultados ganha força com big techs reportando resultados. Hoje, após o fechamento, Alphabet e Microsoft divulgam seus números. Antes da abertura, Coca-Cola, General Eletric e General Motors divulgam balanços.

Mercado Interno

O Ibovespa recuou 3,27% no pregão de ontem. Destaque negativo para Petrobras e Banco do Brasil que caíram cerca de 10%.

O momento atual inspira cuidados, à medida que as tensões do cenário político impactam diretamente o desempenho de certos ativos.

A semana deve seguir em ritmo parecido, influenciada pelo desenrolar das expectativas com o pleito do dia 30. Por isso, estatais que compõem o “pacote Bolsonaro”, assim como varejo e educação, que compõem o “pacote Lula”, devem apresentar maior volatilidade ao longo dos próximos dias.

No campo de resultados corporativos, a Petrobras divulgou na noite de ontem dados operacionais de produção e vendas, com volumes cerca de 6% abaixo na comparação anual. Para hoje, são esperados os resultados de Telefônica e Neoenergia após o fechamento do mercado.

Análise técnica Ibovespa

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O Ibovespa terminou ontem com uma baixa significativa de 3,27% aos 116.010 pontos, devolvendo toda a alta de sexta-feira. Isso foi um sinal mais negativo para o índice, perdendo os 117.560 pontos, mas não testou a região de média móvel.

Dessa forma, a expectativa para o índice no curto prazo é de um viés mais negativo. Vale salientar que o Ibov não anulou a tendência de alta que se encontra no curto prazo.

Porém, isso indica que o ativo pode passar por uma correção mais intensa. Isto é, a correção pode ser no tempo (movimento mais lateral) ou no preço, buscando os 114.070 pontos.

A perda dos 116.000 pontos aumenta a probabilidade de o índice testar níveis mais abaixo. Já, para a retomada de uma movimentação de alta, a superação dos 119.930 pontos é importante.

Mercado Externo

Nos EUA, o índice S&P 500 encerrou o pregão de ontem com alta de 1,19%. Os mercados de ações norte-americanos têm dado sinais de recuperação nas últimas semanas.

Depois de amargar fortes quedas em agosto e setembro, os principais índices têm mostrado força, e incorporado ao preço um cenário de abrandamento do ritmo de apertos monetários do FED já em dezembro.

Além disso, as últimas semanas têm sido guiadas por divulgações de resultados do terceiro trimestre, que têm vindo acima das projeções de analistas. Hoje, Coca-Cola, GM e General Eletric, divulgam antes da abertura, enquanto, Microsoft e Alphabet reportam após o fechamento.

Análise técnica S&P500

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O S&P500, analisando o gráfico diário, fechou o dia no campo positivo em 1,19% nos 3.796 pontos, sendo o segundo dia fechando em alta.

Nesse momento, o índice alcançou a primeira zona importante de preço, onde a superação dos 3.812 pontos mantém um cenário mais positivo. Em que a próxima região importante mais acima seria os 3.845 pontos, região de média móvel.

Portanto, a expectativa para o S&P no curto prazo é mais positiva. Caso o índice volte aos 3.666 pontos, isso retoma um cenário mais negativo, em que poderia testar a região dos 3.580 pontos.

Commodities

O minério de ferro voltou a cair nessa madrugada em Singapura. A commodity segue impactada pelo pessimismo com as tensões que emanam do oriente.

No último domingo, Xi Jinping se confirmou como líder da China pelos próximos cinco anos, no que muitos acreditam ser o período mais hostil de comando do governante.

Além disso, o ciclo de construção civil do país deve desacelerar nos próximos meses sem nem mesmo ter acelerado. Nos últimos meses a expectativa era de que o gigante asiático ganhasse tração, o que não se viu, e consequentemente, estoques de minério cresceram enquanto a demanda não acompanhou.

O petróleo opera em queda nessa manhã de terça-feira. Têm pesado para o desempenho da commodity as perspectivas de desaceleração da economia global, com isso o risco de degradação da demanda volta a crescer e coloca pressão sobre o preço.

Análise técnica petróleo

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O petróleo, analisando o gráfico diário, fechou essa segunda-feira com uma leve queda de 0,11% aos USD 91,77/barril, sendo o primeiro dia de baixa nos últimos 4 pregões.

Apesar do dia fechando no campo negativo, o ativo não perdeu a região de média móvel.

Já a perda da média móvel e dos USD 89,37/barril traz uma expectativa mais negativa no curto prazo, onde o petróleo pode testar níveis mais abaixo como os USD 87,94/barril.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli – Analista CNPI-T

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação cque possa afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

As informações, estimativas e projeções contidas neste relatório referem-se à data de publicação e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal alteração.

As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.