Análises Morning Call

De volta à realidade

De volta à realidade
  • Publicado em 5 de outubro de 2022

Quarta-feira começando com ritmos mais moderados. Investidores parecem preferir realizar os lucros das altas recentes ao invés de dar um all in nas apostas de que o FED deve abrandar os apertos monetários já no próximo encontro. O dia de hoje conta com uma série de divulgações que podem clarear os cenários econômicos e auxiliar a definir estratégias.

Abertura do mercado no Brasil

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Por aqui, depois do forte otimismo levantado na segunda-feira, a terça mostrou um tom mais moderado, que deve ser o padrão nos próximos dias. Ainda há muita incerteza propalada pelo cenário político, e o mercado aguarda definições mais claras dos times econômicos que devem compor as bases do governo.

O real se manteve estável com maior cautela nos mercados, depois do rali de segunda, que registrou a maior alta da moeda em quase quatro anos. Os juros futuros, no entanto, seguiram seu movimento de queda e seguem fechando, especialmente nos vértices mais longos, precificando maior estabilidade de preços e controle fiscal, com cenário político mais equilibrado.

No campo de divulgações, depois da terça-feira esvaziada, o dia de hoje traz informações de produção industrial do mês de agosto. As projeções indicam queda de 0,6% na comparação mensal, enquanto, na base anual, a produção deve crescer cerca de 2,4%. A divulgação pelo IBGE deve ocorrer às 9h.

Outra informação que trará cor ao desempenho da atividade econômica no país, são informações de PMIs, o índice de gerentes de compras, que devem ser divulgadas hoje. Às 10h o PMI do setor de serviços, e o PMI composto, devem ser reportados. O conjunto de dados é fundamental para acompanhar o desenvolvimento dos índices de atividades por aqui, e entender o comportamento da pressão causada pelos altos juros na economia.

Resultado do leilão do Tesouro:

  • LFT com vencimento em março de 2029 – volta 1: R$ 7,9 bilhões (86,6% da oferta – Taxa 0,1830%);
  • LFT com vencimento em março de 2029 – volta 2: R$ 1,5 bilhão (66,7% da oferta – Taxa 0,1830%);
  • NTN-B com vencimento em maio de 2025: R$ 2,0 bilhões (100% da oferta – Taxa 5,8950%);
  • NTN-B com vencimento em agosto de 2032: R$ 4,1 bilhões (100% da oferta – Taxa 5,7120%);
  • NTN-B com vencimento em maio de 2045: R$ 1,3 bilhão (100% da oferta – Taxa 5,7467%);

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, o dia hoje deve ser marcado por investidores realizando lucros das altas de segunda e terça-feira. Depois de ser estimulado pela expectativa de que o FED pode abrandar os apertos monetários, o otimismo dos mercados parece ter encontrado um teto.

Impulsionadas pelo paradoxo da desaceleração econômica, as altas recentes e o apetite ao risco, carecem de sinalizações mais fortes de que o enfraquecimento mais recente da atividade será capaz de influenciar as decisões do Federal Reserve já nas próximas reuniões. Apesar das divulgações mais recentes mostrarem a desaceleração econômica do país, é muito pouco provável que o FED adote um tom dovish, ao menos por enquanto.

Nessa esteira de divulgações, o relatório JOLTS de oferta de empregos, entregou resultado abaixo das estimativas com queda de cerca de 1,1 milhão de vagas na comparação mensal. Dados de hoje como variação de empregos privados ADP, divulgada às 9h15, devem dar clareza ao mercado de trabalho no país. A estimativa é de um saldo líquido de 200 mil empregos em agosto.

Também no campo de indicadores, o dia de hoje traz informações sobre índices de gerentes de compras, o PMI de serviços, divulgado às 10h45, e o PMI ISM de não-manufatura, que devem registrar marcação positiva, acima dos 50 pontos indicando crescimento da atividade.

Abertura do mercado na Europa

No continente europeu, assim como por aqui e nos EUA, o dia trouxe uma bateria de informações sobre a atividade econômica da região. O PMI de serviços e o PMI composto foram divulgados agora pela manhã nas principais economias europeias.

Novamente, o tom das divulgações foi de surpresa negativa. Com dados abaixo das estimativas, grande parte das economias indicaram retração das atividades. O cenário fica cada vez mais crítico no continente com escalada de preços, em meio ao aumento de juros e forte desaceleração econômica. Uma recessão aguda na região é cada vez mais provável.

Mercado Interno

O Ibovespa freou a onda de otimismo e foi marcado por investidores colocando o lucro no bolso, em meio às incertezas que ainda pairam no cenário eleitoral. O índice registrou leve alta de 0,08%, fechando na estabilidade.

Depois de forte alta registrada na segunda-feira, o ímpeto do mercado perdeu força, um tom mais moderado e cauteloso deve voltar a guiar os investidores.

Por aqui, apesar do cenário econômico dar uma base sólida para um eventual rali da bolsa, os preços devem seguir afetados pelo jogo político que continua a se desenhar. À medida que alianças de governo são definidas e planos econômicos são colocados em pauta, os mercados tendem a reagir, o que pode trazer volatilidade até o pleito no fim do mês.

Análise técnica Ibovespa

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O Ibovespa, analisando o gráfico diário, chegou a apresentar ontem uma alta de 1,84% (em sua máxima) mas encerrou o dia praticamente no zero a zero.

A expectativa para o IBOV segue positiva, porém, após esses últimos três dias de alta deve-se tomar cuidado com operações na ponta compradora, isso pois o índice chegou a apresentar uma alta acumulada de 10,22%, e aumenta-se a probabilidade de o ativo passar por uma correção.

Essa correção pode ser no tempo, apresentando um movimento mais lateral, ou no preço, buscando um nível importante mais abaixo nos 114.120 pontos.

Mercado Externo

Nos EUA, o índice S&P 500 seguiu seu caminho de alta e marcou 3,06% no positivo. Dominados pela euforia de um possível abrandamento da política monetária por lá, investidores, agora, devem se dar conta de que o movimento foi, na verdade, um pouco prematuro.

Apesar de dados econômicos indicarem desaceleração da economia norte-americana, o movimento não deve ser suficiente para frear o FED em seus apertos, pelo menos por enquanto.

Membros do FEd seguem discursando em favor de novos aumentos e o dia de hoje deve ser uma marca da realidade no otimismo recente dos mercados.

Análise técnica S&P500

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O S&P500, analisado o gráfico diário, apresentou o segundo dia consecutivo de alta significativa, onde em sua máxima representou uma alta acumulada de 6,63%. Isso mostra o primeiro sinal de recuperação para o mercado americano.

Entretanto, o índice só anularia a tendência de baixa que se encontra no curto prazo ao superar os 4.115 pontos. Portanto se os próximos dias forem de alta, aumentaria a expectativa positiva.

Olhando para o médio prazo, gráfico semanal, o S&P500 está apresentando até o momento, a primeira semana de alta após três consecutivas de queda, superando os 3.738 pontos.

Essa superação indica que o mercado pode passar por uma possível correção, buscando a região dos 3.900 pontos. Assim, a superação dos 3.796 pontos indica uma maior probabilidade de continuar esse repique de alta.

Commodities

O minério de ferro encerrou a madrugada em leve alta em Singapura. Os preços da commodity seguem em trajetória pouco movimentada com feriado na China interrompendo as atividades no principal importador de minério. Apesar disso, ainda há muita incerteza a respeito dos eventuais estímulos ao setor imobiliário no gigante asiático.

O petróleo opera estável nessa manhã de quarta-feira, e deve ter um dia de definição. Acontece agora pela manhã a reunião da Opep+, grupo de países exportadores de petróleo. Ao longo dos últimos dias informações davam conta de que um corte na produção em cerca de 1 milhão de barris por dia era discutido. Agora, as notícias apontam para um corte de 2 milhões de barris por dia. Caso se confirme a redução na produção, que seria a maior desde 2020, durante a pandemia, colocaria forte restrição à oferta, elevando o preço da commodity na balança entre oferta e demanda.

Análise técnica petróleo

O petróleo, analisando o gráfico diário, apresentou ontem uma alta significativa onde conseguiu superar os USD 91,84/barril. Isso indica um primeiro sinal positivo com relação a tendência de baixa que se encontra no curto prazo.

Porém, para anular de fato essa tendência de baixa e aumentar a expectativa positiva, o ativo deve buscar superar a região dos USD 95,00/barril. Em que a superação da máxima de ontem, nos USD 91,98/barril, contribuiria para um cenário mais positivo.

Pensando no médio prazo, gráfico semanal, o petróleo se encontra em uma região importante nos USD 91,49/barril. Onde após cinco semanas de queda consecutiva, esta seria a primeira semana de alta, até o momento.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação que possa afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

As informações, estimativas e projeções contidas neste relatório referem-se à data de publicação e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal alteração.

As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.