Análises Morning Call

Descolando do mundo

Descolando do mundo
  • Publicado em 1 de setembro de 2022

Iniciando o mês de setembro e dessa vez, em cenário pouco animador. Essa quinta-feira, 1 de setembro de 2022, começa com uma confluência negativa de indicadores ao redor do mundo que deve pesar sobre os mercados.

Abertura do mercado 01 de setembro de 2022

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No Brasil, assim como tem sido a tônica das últimas divulgações, a expectativa é que seguimos descolando do exterior.

Isso porque, com uma série de divulgações positivas, a economia local continua mostrando sinais de resiliência
em meio ao cenário de maior aperto monetário.

Por aqui, dados de emprego divulgados ontem, mostraram que a taxa de desemprego chegou a 9,1% no mês de julho, marcando queda de 0,2 ponto percentual na comparação com o mês anterior.

Dados divulgados hoje podem dar novo estímulo ao investidor local.

Com divulgação do PIB do segundo trimestre hoje pela manhã, às 9h. Estimativas apontam para crescimento de 2,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior, e crescimento de 0,9% na base trimestral.

Outro indicador que voltou a mostrar a desaceleração de preços por aqui, foi o IPC-S divulgado pela manhã.

O índice de preços indicou deflação de 0,54% na última quadrissemana.

Ainda hoje, o índice de gerentes de compra da atividade industrial deve ser divulgado às 10h. O indicador deve trazer cor ao cenário da indústria por aqui, uma vez que na maior parte dos pares globais os índices tem mostrado retração da atividade.

Por aqui ainda pairam dúvidas sobre as decisões de juros do Banco Central.

Embora a maior parte dos indicadores tragam perspectivas positivas, o que fortalece a precificação de manutenção das taxas e estabilização em 13,75% a.a., o cenário externo de maior aperto, pode pressionar o país a seguir, mesmo em ritmo mais brando, no campo de subida de juros.

Com cenário externo dominado pela incerteza e sem previsibilidade do fim do ciclo de alta de taxas tanto nos EUA, quanto na Europa, o real volta a perder força frente às moedas mais fortes.

Também hoje, o Tesouro deve voltar a movimentar os juros futuros com leilão que deve ofertar LTNs para os vencimentos de 2023, 2024 e 2026, além de NTNFs para os vencimentos de 2029 e 2033.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, o tom segue sendo de mais aperto monetário. Ontem a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, defendeu novos aumentos nas taxas, lembrando que é ainda muito cedo para assumir que o país já passou pelo pico
de inflação.

A dirigente reforçou que enxerga os juros acima de 4% antes que o Fed comece a discutir eventuais recuos.

Por lá, o cenário continua dominado por investidores ajustando portfólios e reduzindo a exposição ao risco, o que tem levado a renda variável a recuar nos últimos dias.

Os juros futuros norte-americanos voltam a precificar o cenário de maior aperto.

O rendimento dos títulos do tesouro de 2 anos chegou a 3,50%, patamar que não era visto desde 2007, e que reforça o risco que tem sido precificado pelos mercados.

Sem grandes divulgações que possam mudar os ânimos da maior economia do mundo, o dia deve ser movimentado por dados de pedidos de seguro desemprego semanal.

Projeções apontam para 248 mil pedidos, contra 243 mil registrados na última divulgação.

Além disso, o dia deve trazer dados do índice de gerentes de comprar, o PMI, da atividade industrial, além do ISM (índice do instituto de gestão e de provisões).

E expectativa é de crescimento nas duas medições, marcando resultado acima dos 50 pontos.

Abertura do mercado na Europa

O continente europeu continua na luta para reacender a economia.

Depois de divulgações de índices de preços acima das estimativas, na manhã de hoje, marcada por divulgações de PMIs, o índice da atividade fabril na zona do euro mostrou nova retração, saindo de 49,8 em julho, para 49,6 em agosto.

Vale lembrar que medições acima de 50 indicam crescimento, enquanto números abaixo da marca, significam retração.

No Reino Unido, apesar de acima das expectativas o PMI de fabricação atingiu 47,3, menor patamar desde maio de 2020, e que mostra forte retração da atividade fabril no país.

O continente europeu tem sido duramente afetado por uma crise de preços e energética que tem levado à degradação da renda das famílias com o elevado custo de vida, em meio a uma retração econômica que não mostra sinais de desaceleração.

Agora, em cenário já degradado, além de conversa sobre aumento de 75 pontos base nos EUA, os mercados começam a precificar aumento de mesma magnitude pelo BCE (Banco Central Europeu).

Abertura do mercado na China

Na noite de ontem, o gigante asiático trouxe novas sinalizações pessimistas para os mercados. Dados de PMI  industrial mostraram retração da
atividade no país, saindo de 50,4 em julho, para 49,5 em agosto.

O país que tem sido afetado por ondas de calor que levaram ao racionamento de energia e consequente fechamento de industriais, vê sua economia desacelerar sem grandes perspectivas de mudança no curto prazo.

E para completar o cenário já desfavorável, o Governo chinês anunciou o fechamento da cidade de Chengdu.

A região que conta com mais de 20 milhões de habitantes volta a ter restrições por medidas de combate à covid.

As medidas de confinamento tem sido um dos principais responsáveis pelo fraco desempenho econômico do país, e devem continuar, pelo menos até o próximo ciclo político que encerra em abril de 2023 no país asiático.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou as negociações de ontem com queda em 0,84%, encerrando o mês de agosto com alta de 6,16%.

Por aqui, o cenário de estabilização de juros volta a atrair investidores para o mercado de ações.

Pressões externas que indicam maior aperto monetário, no entanto, reduzem o apetite ao risco de investidores internacionais, o que pode desacelerar a subida do mercado local.

Outro ponto de destaque que temos comentado nos últimos dias é o desempenho das commodities que tem se enfraquecido.

Com dúvidas e receios de recessão pairando sobre os mercados, a degradação de demanda por esses produtos volta a pesar sobre o preço.

Com uma composição forte em commodities nossa bolsa pode sofrer durante esses momentos de correção.

Análise Técnica Ibovespa

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Analisando o gráfico diário, com a queda de ontem, o IBOV perdeu o nível dos 109.855 pontos.

Um ponto importante em que a perda dele aumenta a expectativa negativa pois estaria iniciando uma tendência de baixa no curto prazo.

Falando em termos de projeção de Fibonacci, o próximo nível importante seria os 107.240 pontos. Ou seja, até onde esse movimento de queda pode se estender.

Dessa forma, no curto prazo, o IBOV aumentou a expectativa de um movimento de queda. Porém, olhando para médio prazo (gráfico semanal), o ativo está passando pela terceira semana de correção.

Mercado externo

Nos EUA o índice S&P 500 encerrou o dia com queda de 0,78%, marcando – 4,24% no mês de agosto.

Por ora, o cenário para as bolsas americanas segue sendo negativo.

Com novas sinalizações de aperto monetário pelo Fed, e com discursos indicando que o aumento deve continuar até a faixa dos 4% a.a. (hoje os juros estão entre 2,25% a.a. e 2,50% a.a.) não enxergamos uma recuperação robusta dos mercados por lá, pelo menos enquanto não houver clareza sobre o fim do ciclo de alta nos EUA.

Análise técnica S&P500

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O S&P500, pelo gráfico diário, segue dentro de um movimento de queda, confirmando a tendência de baixa no curto prazo.

A perda dos 3.965 pontos reforça uma expectativa mais negativa, onde o próximo nível importante mais abaixo seria os 3.900 pontos.

Se comparado a máxima do mês de agosto, esse movimento de baixa já significou uma queda de -8,57%.

Entretanto, olhar para operações na ponta vendedora fica desfavorável se considerado a relação Risco x Retorno.

Portanto, o índice segue em tendência de baixa no curto prazo. E para uma mudança de expectativa mais positiva, é necessário que o ativo vá buscar a região dos 4.200 pontos para anular a tendência de baixa.

Commodities

O minério de ferro recuou nessa madrugada em Singapura, em reflexo da desaceleração da economia chinesa.

Dados de PMI abaixo da expectativa e no campo de retração, pesaram sobre o ânimo dos mercados que enxergam forte enfraquecimento do gigante asiático.

Novas medidas de lockdown no país, trazem nova onda de pessimismo para as commodities, com degradação da demanda.

O petróleo opera em queda nessa manhã, com perspectivas negativas decorrentes dos receios de recessão e desaceleração da demanda global,
reforçados por dados de PMI fracos divulgados na China e Europa.

O país asiático maior importador de petróleo do mundo segue lutando para manter sua atividade econômica em expansão, mas políticas de confinamento e racionamento de energia têm levado a uma forte desaceleração, que pesam também sobre os preços do petróleo.

Análise técnica petróleo

O petróleo, analisando o gráfico diário, segue dentro de uma região de preço mais lateral, porém dentro de um movimento de baixa.

Um próximo nível importante mais abaixo seria a faixa dos USD 91,03/barril.

Assim, a perda dos USD 91,03/barril aumentaria a expectativa negativa em relação ao ativo, podendo buscar os USD 85,68/barril.

E para uma visão mais positiva, é necessário que o petróleo busque a região dos USD 103,24/barril onde anularia a tendência de baixa.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia;
  • Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.