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Dia de juros e pouco espaço pra surpresa

Dia de juros e pouco espaço pra surpresa
  • Publicado em 26 de outubro de 2022

Quarta-feira marcada por decisão de juros do Copom e mercado externo freando o rali recente, com big techs decepcionando. O cenário político continua a chamar atenção e a formar preço. Essa quarta deve trazer nova rodada de pesquisas eleitorais, o que pode movimentar os preços por aqui.

Abertura do mercado no Brasil

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No Brasil, o Copom que se iniciou ontem, termina no fim da tarde de hoje com a divulgação da decisão de política monetária após o fechamento do mercado. Por ora, existe pouco espaço para surpresa na divulgação de hoje. A expectativa é que o Banco Central mantenha a taxa básica de juros em 13,75%, sem grandes dissonâncias.

Desde o último encontro pouco mudou no desenho macroeconômico, o que fortalece a tese de manutenção das taxas. O Banco Central, em relatório do último Copom, destacou que se houver necessidade novos apertos monetários poderiam ser implementados, o que, novamente, não nos parece o caso de hoje.

Na agenda de divulgações econômicas, hoje o Ministério do Trabalho deve informar às 9h30 dados do Caged. A estimativa é de geração de 275 mil empregos em setembro, em linha com o resultado do mês anterior que registrou saldo de 278,6 mil novas vagas. Amanhã em complemento aos dados de empregos de hoje, deve ser divulgada a taxa de desemprego no país, a estimativa é de estabilidade próximo aos 8,9% atuais.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, depois de alguns dias em que investidores se mostraram mais propensos ao risco, o dia de hoje deve ser marcado por realização de lucros, enquanto o mercado precifica resultados decepcionantes das big techs, Alphabet e Microsoft.

Por lá, assim como por aqui, há pouca margem para surpresas nas decisões de política monetária. Membros do FED se reúnem na próxima quarta-feira, 2 de novembro, para decisão sobre juros. Atualmente os mercados tomam como dado um novo aumento de 75 pontos-base, mantendo o ritmo de apertos dos últimos encontros.

Sem grandes novidades no cenário econômico, enquanto os preços teimam em arrefecer, é difícil esperar outra postura do FED em relação aos apertos monetários, mesmo que indicadores econômicos já comecem a mostrar enfraquecimento da atividade.

Os PMIs abaixo das estimativas nessa semana, além da desaceleração dos preços de casas com pressão de custos de financiamento, ajudam a reforçar esse ponto. Nesse sentido vale ficar de olho à divulgação de hoje às 11h, quando serão reportadas as vendas de casas novas, por lá, em setembro.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou as negociações de ontem no negativo, com queda de 1,20%. Ainda fortemente influenciado pelos ruídos políticos e pela expectativa da decisão do pleito de domingo, investidores têm buscado precificar os possíveis cenários.

Como mencionamos ontem, enxergamos com clareza os famosos “kit Bolsonaro” (Estatais) e “kit Lula” (educação e varejo). A diferença entre os pacotes que acompanham cada candidato é o peso na composição do índice. Isso porque Petrobras, sozinha, corresponde a cerca de 12% do Ibov.

Ao longo dessa semana, além das pressões políticas, a expectativa é que a agenda de resultados do terceiro trimestre volte a fazer preços. Hoje pela manhã o Santander divulgou os números do período e registrou lucro de R$ 3,1 bilhões, abaixo da nossa expectativa. Antes da abertura do mercado, a gigante industrial WEG deve divulgar balanços.

Análise técnica Ibovespa

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O Ibovespa terminou ontem em queda de 1,20% aos 114.625 pontos, continuando o movimento de baixa que apresentou na segunda-feira. Nessa semana o ativo já acumulou uma queda de 4,42%. Isso reforça a possibilidade de o índice testar uma região importante de preço entre os 113.500 e 114.000 pontos.

Dessa forma, a expectativa para o índice no curto prazo é de um viés mais negativo. Vale salientar que o Ibov não anulou a tendência de alta que se encontra no curto prazo, porém se encontra em um processo de correção.

O primeiro sinal positivo para o índice, seria superar os 116.200 pontos, onde se manteria acima da média móvel, reforçando um viés mais positivo.

Mercado Externo

Nos EUA, o índice S&P 500 continuou o movimento de alta no pregão de ontem e encerrou o dia com valorização de 1,63%.

A semana continua agitada com divulgações de resultados. Ontem as big techs começaram a reportar balanços com Microsoft e Alphabet na vanguarda.

Os números, no entanto, decepcionaram e devem tirar parte do otimismo que tomava conta dos mercados norte-americanos.

Com forte pressão sobre os custos vilipendiando os resultados, e com revisão de guidances para um cenário de maior aperto, o mercado espera para avaliar se esse deve ser um movimento comum a todas as empresas do setor. Vale lembrar que hoje, Meta, controladora do Facebook divulga balanços, enquanto Amazon e Apple apresentam seus resultados amanhã.

Análise técnica S&P500

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O S&P500, analisando o gráfico diário, fechou o dia no campo positivo em 1,63% nos 3.859 pontos, sendo o terceiro dia consecutivo em fechando em alta. Isso mostra uma movimentação positiva, em que conseguiu superar os 3.812 pontos e conseguiu superar a média móvel mais longa, reforçando a expectativa positiva.

Portanto, a expectativa para o S&P no curto prazo é mais positiva, onde pode voltar a ser negociado nos 3.900 pontos. Caso o índice volte aos 3.666 pontos, isso retoma um cenário mais negativo, em que poderia testar a região dos 3.580 pontos.

Commodities

O minério de ferro continua seu movimento de queda e encerrou nova madrugada em queda em Singapura, operando no menor patamar desde novembro de 2021. O cenário político chinês mais hostil e o enfraquecimento da atividade econômica no gigante asiático voltam a colocar dúvidas sobre a demanda da commodity.

O petróleo opera em alta nessa manhã, recuperando parte das quedas dos últimos dias. Dados de estoques nos EUA mostram aumento, o que indica redução da demanda na última semana, e pode ajudar a segurar os preços. Ainda na balança oferta e demanda, dados da China (maior importador de petróleo do mundo), indicam redução dos volumes comprados, à medida que a atividade econômica desacelera na segunda maior economia do mundo.

Análise técnica petróleo

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O petróleo, analisando o gráfico diário, fechou ontem com uma leve queda de 0,42% aos USD 91,38/barril, sendo o segundo dia em baixa. O ativo está apresentando um movimento mais lateral, onde fica oscilando entre os USD 89,37/barril e os USD 93,26/barril.

Para a retomada de um cenário mais positivo, o petróleo deve voltar a ser negociado nos USD 93,87/barril. Já a perda da média móvel e dos USD 89,37/barril traz uma expectativa mais negativa no curto prazo, onde o petróleo pode testar níveis mais abaixo como os USD 87,94/barril.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli – Analista CNPI-T

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.