Análises Morning Call

Eles falam, e a gente escuta!

Eles falam, e a gente escuta!
  • Publicado em 8 de setembro de 2022

Na volta do feriado, essa quinta-feira promete movimentar os mercados com decisões sobre juros na Europa, além de dados de inflação no Brasil, leilão de prefixados, e nos EUA reflexos do Livro Bege e discurso de Jerome Powell.

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Abertura do mercado no Brasil

Por aqui, depois das comemorações de 200 anos da independência do Brasil, mercados voltam a operar. O dia conta com agenda econômica ainda
esvaziada, com investidores atentos à divulgação do IPCA, que acontece amanhã.

Para hoje, outro índice de preços, o IGP-DI, calculado pela FGV foi divulgado agora pela manhã. A expectativa era que o marcador continuasse a refletir preços mais baixos nos combustíveis, e materiais industriais, reflexo direto dos cortes de impostos e recente desvalorização de commodities como minério de ferro e cobre.

De fato, conforme esperado, o índice mostrou queda de 0,55% nos preços, representando o segundo mês consecutivo de deflação.

Os dados de inflação divulgados hoje, mas em especial, o IPCA que deve ser trazido pelo IBGE amanhã devem ser instrumentos fundamentais na decisão do Banco Central, em 21 de setembro quando se encerra o próximo encontro do Copom.

Apesar das sinalizações deflacionárias que temos acompanhado entre julho e agosto, o Presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o diretor de Política Monetária do BC, em suas falas recentes trouxeram um tom mais hawkish para o mercado, com indicações de que, não só no exterior, mas também por aqui, podemos ver mais altas nas taxas básicas.

Os discursos mostraram um cenário de maior aperto monetário, o que trouxe certo pessimismo, em especial aos índices de renda variável, e promoveu a abertura dos juros futuros, que chegaram a subir 50 pontos base na terça-feira.

As Opções de Copom negociadas na B3, que encerraram a segunda-feira mostrando probabilidade 81% de manutenção da taxa, agora mostram 68%. Também hoje, o Tesouro faz oferta de prefixados, o que pode movimentar os DIs.

A oferta deve trazer LTN para os vencimentos de 2023, 2024 e 2026, além de NTN-Fs para os vencimentos de 2029 e 2033.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, os mercados seguiram operando normalmente nessa quarta-feira, e o dia foi marcado por certo alívio nos mercados. Ainda projetando novos cenários de maior aperto monetário, investidores seguem ajustando portfólios a um apetite menor ao risco.

Ontem, a divulgação do Livro Bege reforçou perspectivas de baixo crescimento para a economia norte-americana e mostrou que os preços continuam mostrando sinais de desaceleração.

O resultado, apesar de trazer o cenário mais desanimador à frente, atiçou expectativas de que o Fed pode aliviar a magnitude dos apertos, após o encontro de 21 de setembro, em que um novo
aumento de 75 pontos base é esperado.

Para hoje, os mercados permanecem atentos ao discurso de Jerome Powell, Presidente do Federal Reserve, na 40ª Conferência Anual Monetária do Instituto Cato. O chairman do banco central deve falar às 10h10, e o evento deve ser transmitido ao vivo.

Também nessa manhã, às 9h30, os EUA divulgam os números semanais de pedidos de seguro-desemprego. As estimativas apontam para cerca de 235 mil novos pedidos, contra 232 apresentados na última medição.

O dado deve indicar estabilidade, com leve aumento esperado, em linha com o aumento das taxas de desemprego, que subiram de 3,5% para 3,7% no último resultado.

Abertura do mercado na Europa

Na zona do euro as decisões sobre juros pelo Banco Central Europeu (BCE) devem movimentar os mercados. O BCE anunciou um novo aumento histórico  nas taxas de 75 pontos base.

As falas da Presidente do BCE, Christine Lagarde, são aguardadas por mercados globais pois devem trazer cor ao cenário econômico na região, que segue apertado e com projeções de baixo
crescimento e de alta de preços.

O continente europeu tem atravessado um mar de problemas envolvendo, principalmente, sua condição energética fortemente dependente do suprimento de gás russo.

No Reino Unido, o movimento segue parecido. Com fortes pressões sociais com aumentos gritantes nos custos de vida, a população da região segue pressionando a nova Primeira-Ministra Liz Truss, que deve anunciar um pacote robusto de auxílios focado, em especial nos preços de energia.

A expectativa é que o pacote possa gerar um rombo nas contas do país, e levar uma degradação ainda maior das contas.

Em reposta a este cenário, a libra opera em queda em relação ao euro e ao dólar. Na comparação com o último, a moeda atingiu o nível mais baixo desde 1985.

Mercado Interno

A bolsa brasileira permaneceu fechada no dia de ontem com as comemorações de 7 setembro.

No entanto, nos EUA, ADRs (American Depositary Receipts) de companhias brasileiras continuaram sendo negociados, e mostraram desempenho sólido.

O Índice Brazil Titans 20 ADR registrou alta de 1,16%, enquanto o ETF EWZ subiu 0,96%.

As altas no exterior reforçam a possibilidade de acompanharmos uma abertura positiva por aqui no dia de hoje.

Análise gráfica Ibovespa

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O IBOV, com a queda apresentada na terça-feira, está confirmando um topo no curto prazo. Isso aumenta a expectativa negativa para os próximos dias.

Em termos de movimento, o índice pode buscar a região dos 108.200 pontos.

Para que o índice retome uma expectativa mais positiva, é necessário que busque a região dos 112.670 pontos para anular a tendência de baixa que se encontra no curto prazo.

Já no médio prazo (gráfico semanal) o IBOV está dentro de um movimento de correção, sendo a quarta semana. Graficamente falando, essa correção é importante para a retomada da tendência de alta no prazo mais acima.

Mercado Externo

Nos EUA os principais índices de ações tiveram forte desempenho no dia de ontem. O S&P 500 subiu 1,83%, enquanto Dow Jones Industrials e Nasdaq Composite, registraram alta de 1,40% e 2,14%, respectivamente.

Apesar da onda mais recente de pessimismo que atingiu os mercados norte-americanos em decorrência das falas de membros do Fed em tom mais hawkish, os mercados ontem tiveram dia de ajuste.

Para hoje, as falas de Jerome Powell às 10h10 da manhã devem movimentar o dia, com expectativa de novo discurso em tom mais agressivo.

Olhando para as perspectivas futuras, o mercado de ações norte-americano deve amargar mais momentos de queda, uma vez que o horizonte de juros por lá continua indicando novos apertos, e consequente desaceleração econômica mais brusca.

Análise técnica S&P500

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O S&P500 mantém-se em uma tendência de baixa no curto prazo mesmo com a alta de ontem. Em que, a superação dos 3.940 pontos aumenta a probabilidade de o índice passar por uma correção nos próximos dias.

Isto é, apesar da tendência ser de baixa, o ativo pode buscar patamares mais acima como os 4.060 pontos. Entretanto deve-se tomar cuidado, pois quando falamos de contra tendência, os movimentos são mais curtos.

Ou seja, não podemos esperar uma alta significativa.

Para a mudança de cenário e o índice mostrar um viés mais positivo, é necessário que ele busque os 4.200 pontos onde anularia a tendência de baixa que se encontra no curto prazo.

Commodities

O minério de ferro encerrou essa madrugada em forte alta em Singapura. Apesar das quedas recentes, a commodity voltou a ser negociada acima do patamar de USD 100/ton.

Mesmo com sinalizações de desaceleração da atividade econômica chinesa, o gigante asiático tem anunciado uma série de estímulos para recuperar o crescimento econômico outrora visto.

Dessa vez, a cidade de Zhengzhou, que conta com mais de 10 milhões de habitantes, anunciou que vai retomar todos os projetos habitacionais que estavam parados. O movimento deve trazer reforço a demanda de aço no país, e assim, estimular os preços do minério.

O petróleo opera em leve alta nessa manhã, após queda de mais de 5% na quarta-feira. A commodity voltou a ser negociada abaixo dos USD 90/barril desde o início do conflito no Leste Europeu.

Com um corte de produção anunciado pela Opep+ que não agradou pela timidez, dados de importação chinesa pesaram sobre o preço do petróleo. Na China, principal importador de petróleo do mundo, as importações de óleo bruto em agosto registraram queda de 9,4% na comparação anual, o que trouxe fortes receios sobre a degradação da demanda.

Análise técnica petróleo

O petróleo, analisando o gráfico diário, aumentou a expectativa negativa após com a queda de ontem, ter perdido os USD 91,03/barril.

Desde que essa movimentação de baixa com mais ênfase se iniciou, em 30 de agosto, o petróleo já tem uma queda acumulada de 15,91%.

Além disso, olhando para patamares mais importantes abaixo, temos os USD 85,00/barril como primeiro desafio do petróleo.

Para que o ativo retome a expectativa mais positiva, é necessário que busque a região dos USD 96,55/barril. Onde anularia a tendência de baixa.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia;
  • Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.