Análises Morning Call

Guiados pela cautela em mares turbulentos

Guiados pela cautela em mares turbulentos
  • Publicado em 20 de setembro de 2022

Terça-feira de calmaria que precede a tempestade. Apesar de agenda esvaziada e sem grandes divulgações para movimentar o mercado, o dia marca o início do Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil, e do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), nos EUA. Os mercados seguem em compasso de cautela, e de olho nas decisões que virão dos bancos centrais.

Abertura do mercado no Brasil

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Por aqui, o dia não traz divulgações de peso, mas marca o início do Copom. O Banco Central, começa hoje a reunião que deve decidir sobre a política monetária nacional.

Apesar de indicadores, por vezes, contraditórios, que indicam desaceleração nos preços, sem mostrar desaceleração econômica, a expectativa segue sendo de encerramento do ciclo de alta de juros.

Com juro real já próximo de 6%, e bem acima dos 4% indicados como ideal pelo BC, o peso de novos aumentos sobre a economia do país pode levar a um enfraquecimento que, por ora, não parece necessário.

Para hoje, os juros futuros devem ser movimentados por expectativas envolvendo a decisão de amanhã do Copom, mas também por oferta de pós-fixados. O Tesouro oferta nesta manhã LFT para o vencimento de 2028, além de NTN-Bs para os vencimentos de 2025, 2032 e 2045.

No radar de movimentos a acompanhar, à medida que nos aproximamos do pleito eleitoral de 2 de outubro, o mercado passa a interpretar os discursos e alianças dos principais candidatos. Na agenda de hoje, o atual Presidente, Jair Bolsonaro discursa na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Já o ex-Presidente Lula, ganhou apoio do ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, indicando tom mais pragmático no espetro econômico.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, o cenário segue o mesmo ritmo daqui. Em compasso de espera, investidores pesam os cenários possíveis e avaliam os discursos do Fed a procura de indicações para as próximas reuniões.

Com um terceiro aumento de 75 pontos base praticamente tomado como dado, os mercados aguardam pronunciamento de Jerome Powell amanhã, com indicação de que as taxas, por lá, devem chegar a 4% ainda esse ano.

O rendimento dos treasuries norte-americanos aponta nessa direção. Os títulos de 10 anos operam acima de 3,5%, enquanto os rendimentos de 2 anos, que respondem mais diretamente aos juros no curto prazo, oscilam próximos a 4%, negociando no maior patamar desde 2007.

O FedWatch, um monitor de probabilidades do CME Group, mostra 82% de probabilidade de mais 75 bps amanhã, contra 18% de chance de 1 ponto cheio de aumento. Esse último cenário, de fato, menos provável, indicaria maior agressividade do Fed na contenção de preços, e alimentaria os receios de desaceleração brusca da economia.

No calendário de divulgações de hoje, a expectativa é que às 9h30 os EUA divulguem dados de licenças de construção de novas casas no mês de agosto. As estimativas apontam para crescimento de 0,3% no mês, contra retração de 9,6% em julho.

O setor de construção civil é um forte termômetro do desempenho econômico, e os dados devem trazer cor à atividade no país. Vale lembrar que foi esse setor que preconizou a crise de 2008.

Dados de hipotecas foram os primeiros a mostrar o desbalanço de mercado, que culminou na famosa Crise do Subprime. Por isso, nessa semana de decisão sobre juros, é importante acompanhar também, os dados do setor imobiliário divulgados entre hoje e amanhã.

Abertura do mercado na Europa

No continente europeu, a semana, também pouco movimentada trouxe, hoje pela manhã dados de inflação ao produtor na Alemanha. O PPI do mês agosto apresentou alta de 7,9% contra o mês anterior, levando o acumulado de doze meses a uma alta de 45,8%, ambos muito acima das expectativas. Os preços ao produtor na região seguem duramente afetados pelos altos custos de energia, em meio às restrições de suprimento de gás do Leste Europeu.

Na zona do euro, depois de promover na última semana um aumento de 75 pontos base nas taxas básicas de juros, o Banco Central Europeu (BCE) promove, hoje, discurso de sua Presidente Christine Lagarde, às 14h.

Com economias tão distintas, e em estágios de maturidade diferentes, cabe ao BCE balancear os apertos monetários entre os componentes da zona do euro, a fim de preservar suas economias, por isso, as falas de Lagarde são fundamentais, para o entendimento da política monetária na região.

Mercado Interno

O Ibovespa completou o dia de ontem em forte alta de 2,33%, revertendo quatro pregões consecutivos de fechamento negativo. Apesar do forte movimento de alta, a expectativa segue de forte volatilidade para os mercados, que se ajustam às decisões dos bancos centrais, por isso, cautela é fundamental.

Caso confirmado o fim do ciclo de alta nos juros por aqui, a renda variável deve se beneficiar do fim dos apertos, e investidores, consequentemente devem se mostrar mais propensos ao risco, o que estimula maior alocação de recursos no mercado de ações.

É importante ficar atento também às mensagens que chegam do exterior. Apertos maiores em economias fortes como EUA, podem enfraquecer o cenário mais positivo por aqui.

Análise técnica Ibovespa

O Ibovespa, analisando o gráfico diário, com a forte alta apresentada ontem demonstrou um primeiro sinal de força para cima. Isto é, o fato de não ter perdido os 108.215 e ter superado a região de média móvel são positivos.

A expectativa é de que o índice continue esse movimento de alta e busque a testar a região dos 113.800 pontos. Nível de preço onde anularia toda essa movimentação de baixa que vem apresentando nas últimas semanas.

Pensando no médio prazo, o índice estaria dentro da sexta semana de correção, em que nessa testou níveis importante como as médias móveis de curto e longo
período.

A superação dos 112.670 traz um viés mais positivo com a expectativa de continuar um movimento relevante de alta.

Mercado Externo

Nos EUA, o índice S&P fechou as negociações de ontem com alta de 0,69%. O cenário por lá permanece de expectativa em torno da decisão do Fomc, a ser divulgada amanhã às 15h.

Um aumento de 75 bps é tido como dado, o que não deve mover tão agressivamente os mercados, entretanto, o discurso que se segue após a divulgação deve ser fundamental para precificar o cenário para os próximos encontros.

Investidores esperam sinalizações de abrandamento dos apertos, mas as pressões inflacionárias seguem colocando em xeque o Fed. Acreditamos que sem indicações no horizonte de fim do ciclo de apertos por lá, os ativos de risco devem continuar prejudicados, e uma recuperação fica cada vez mais distante.

Análise técnica S&P500

O S&P500 apresentou ontem uma leve alta, porém não mudou a expectativa de algo mais negativo. A superação dos 3.890 aumenta a probabilidade de que o índice passe por uma correção no curto prazo, antes de um movimento de queda.

Entretanto, a perda dos 3.820 reforça uma expectativa mais negativa, onde o índice pode buscar os 3.790 pontos. Portanto, olhando para operações no curto prazo, o mais indicado seria aguardar.

Já que há uma grande probabilidade do índice passar por uma correção, e pensando na ponta vendedora, a relação risco retorno não estaria muito favorável.

Commodities

O minério de ferro encerrou a madrugada em queda em Singapura e na China, em Dalian. Apesar do Banco Popular da China anunciar a manutenção das taxas de empréstimos, em estímulo à atividade econômica, o país segue tropeçando nas políticas restritivas de combate à covid-19.

Apesar da recente liberação da província de Chegdu, agora foi a vez o do polo siderúrgico de Tangshan, que iniciou o confinamento, e deve voltar a prejudicar a demanda pela commodity.

O petróleo opera em leve alta ne manhã dessa terça-feira. Seguindo o compasso de espera que tem dominado os mercados, o petróleo segue aguardando as decisões de aperto monetário que devem guiar a atividade econômica global nos próximos anos.

Os cenários que desenham maior retração econômica devem promover desaceleração da demanda, o que impacta os preços no curto prazo.

Olhando para o cenário estrutural da commodity, acreditamos que o desequilíbrio entre investimentos no setor e crescimento, mesmo que moderado da demanda, deve levar a preços estruturalmente mais altos para o petróleo, por isso, as teses de longo prazo, seguem atrativas.

Análise técnica petróleo

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O petróleo apresentou uma leve alta ontem, em que testou e rejeitou a região dos USD 87,46/barril. Isto é, a mínima do dia foi nos 87,46 e posteriormente o ativo retornou para fechar positivo.

Isso deixa um cenário de tendência indefinida, onde é necessário que o índice busque os USD 93,85/barril para anular a expectativa mais negativa.

Pensando em operações, deve-se ficar atento pois o petróleo se encontra em uma região importante, próximo aos USD 91,80/barril. Onde pode ser uma resistência com relação a subida do ativo.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia;
  • Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.