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IPCA desacelera para 0,71% em março, abaixo do esperado

IPCA desacelera para 0,71% em março, abaixo do esperado
  • Publicado em 11 de abril de 2023

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do País, desacelerou para 0,71% em março, após subir 0,84% em fevereiro, e soma agora seis meses seguidos de alta, informou nesta terça-feira (11) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano, o IPCA acumula alta de 2,09% e, nos últimos 12 meses, de 4,65%, abaixo dos 5,60% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2022, a variação havia sido de 1,62%.

As informações ficaram abaixo do consenso Refinitiv, que previa inflação de 0,77% no mês e de 4,70% na comparação anual.

 Período Taxa
Março 2023 0,71%
Fevereiro 2023 0,84%
Março 2022 1,62%
Acumulado no ano 2,09%
Acumulado nos últimos 12 meses 4,65%

“O headline veio abaixo das expectativas, com surpresa positiva com os núcleos e no caminho da desinflação e efeitos defasados da política monetária esperados pelo BC. Apesar do sinal, ainda é preciso que este processo ganhe força e repercuta nas expectativas para que haja uma mudança de postura do BC – e consequentemente, corte de juros”, informou por meio de nota a gestora Oby Capital.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em março. A exceção foi Artigos de residência (-0,27%), que tinha subido 0,11% em fevereiro. O maior impacto (0,43 p.p.) e a maior variação (2,11%) no índice do mês vieram de Transportes. Na sequência, vieram Saúde e cuidados pessoais (0,82%) e Habitação (0,57%), que desaceleraram ante o mês anterior, contribuindo com 0,11 p.p. e 0,09 p.p, respectivamente. Os demais grupos ficaram entre o 0,05% de Alimentação e bebidas e o 0,50% de Comunicação.

Grupo Variação (%) Impacto (p.p.)
Fevereiro Março Fevereiro Março
Índice Geral 0,84 0,71 0,84 0,71
Alimentação e bebidas 0,16 0,05 0,04 0,01
Habitação 0,82 0,57 0,13 0,09
Artigos de residência 0,11 -0,27 0,01 -0,01
Vestuário -0,24 0,31 -0,01 0,01
Transportes 0,37 2,11 0,07 0,43
Saúde e cuidados pessoais 1,26 0,82 0,16 0,11
Despesas pessoais 0,44 0,38 0,04 0,04
Educação 6,28 0,10 0,35 0,01
Comunicação 0,98 0,50 0,05 0,02

Nos Transportes (2,11%), o principal destaque foi a gasolina (8,33%), subitem com maior impacto individual no índice do mês (0,39 p.p.). O etanol (3,20%) também subiu, enquanto gás veicular (-2,61%) e óleo diesel (-3,71%) continuaram em queda. As passagens aéreas, que já haviam recuado 9,38% em fevereiro, caíram 5,32% em março.

Ainda em Transportes, as tarifas de táxi (0,52%) sofreram reajuste de 11,54% em Belo Horizonte (5,43%), a partir do dia 13 de fevereiro. Também houve reajustes em ônibus intermunicipal (0,90%) na região metropolitana do Rio de Janeiro (8,62%), a partir de 18 de fevereiro, e nas tarifas de ônibus urbano (0,84%) em quatro áreas: Curitiba (9,09%), com reajuste de 9,09% a partir de 1º de março; Fortaleza (6,04%), com reajuste de 15,75% a partir de 19 de março; Campo Grande (5,68%), com reajuste de 5,68% a partir de 1º de março; e São Luís (5,26%), com reajuste de 7,69% a partir de 19 de fevereiro.

Cabe registrar ainda a alta de 6,35% no subitem trem, que reflete um reajuste na região metropolitana do Rio de Janeiro (13,85%), onde as tarifas para a população em geral foram reajustadas em 48% a partir de 9 de fevereiro. Já a alta de pedágio (0,24%) é consequência de reajustes em praças de pedágio em Porto Alegre (1,46%) e Curitiba (0,93%)

O resultado do grupo Saúde e cuidados pessoais (0,82%) foi influenciado principalmente pela alta de 1,20% do plano de saúde, que segue incorporando as frações mensais dos planos novos e antigos referentes ao ciclo de 2022-2023. Os itens de higiene pessoal (0,72%) registraram variação menos intensa ante o mês anterior (2,80%). Os artigos de maquiagem subiram 4,80%, enquanto os produtos para pele tiveram queda de 2,42% em março.

No grupo Habitação (0,57%), a maior contribuição (0,09 p.p.) veio da energia elétrica residencial (2,23%). As variações das áreas ficaram entre -0,65% em Belém, onde houve redução de PIS/COFINS e aumento da alíquota de ICMS, até 9,79% em Porto Alegre, onde as tarifas de uso dos sistemas de transmissão (TUST) e distribuição (TUSD) foram reincluídas no cálculo do ICMS, a exemplo do que ocorreu em outras áreas, como Belo Horizonte (4,43%), Curitiba (3,88%) e Vitória (2,86%). No Rio de Janeiro (2,57%), foram aplicados reajustes de 7,49% e 6% pelas duas concessionárias pesquisadas, ambos a partir de 15 de março.

A alta de 0,03% na taxa de água e esgoto decorre da apropriação residual do reajuste de 11,81% em Salvador (0,66%), a partir de 30 de janeiro. A queda em gás encanado (-0,11%) decorre da redução de 2,86% nas tarifas do Rio de Janeiro (-0,37%), a partir de 1º de fevereiro.

O resultado do grupo Alimentação e bebidas (0,05%) foi influenciado pela queda da alimentação no domicílio, que passou de 0,04% em fevereiro para -0,14% em março. Houve queda mais intensa nos preços da batata-inglesa (-12,80%) e do óleo de soja (-4,01%), e foram registrados recuos nos preços da cebola (-7,23%), do tomate (-4,02%) e das carnes (-1,06%). No lado das altas, destacam-se a cenoura (28,58%) e o ovo de galinha (7,64%).

alimentação fora do domicílio variou 0,60%, acima do registrado no mês anterior (0,50%). Enquanto o lanche acelerou de 0,57% para 1,09%, a refeição (0,41%) ficou com resultado próximo ao de fevereiro (0,38%).

O resultado de Artigos de residência (-0,27%), único grupo com variação negativa em março, foi puxado pelas quedas nos preços dos itens de tv, som e informática (-1,77%), principalmente do televisor (-2,15%) e do computador pessoal (-1,08%). Os eletrodomésticos e equipamentos (-0,23%) também registraram queda, após alta de 0,45% em fevereiro.

Todas as áreas tiveram alta em março. A maior variação foi em Porto Alegre (1,25%), em função das altas da gasolina (10,63%) e da energia elétrica residencial (9,79%). Já a menor variação foi registrada em Fortaleza (0,35%), influenciada pelas quedas de 17,94% do tomate e de 2,91% do frango inteiro.

Região Peso Regional (%) Variação (%) Variação Acumulada (%)
Fevereiro Março Ano 12 meses
Porto Alegre 8,61 0,75 1,25 2,24 4,37
Brasília 4,06 0,48 1,11 1,93 5,30
Curitiba 8,09 1,09 1,03 2,08 3,12
Goiânia 4,17 0,85 1,02 2,12 3,08
Belém 3,94 0,86 0,84 2,12 4,53
Vitória 1,86 0,92 0,84 2,70 4,77
São Luís 1,62 0,65 0,73 1,38 3,45
Aracaju 1,03 0,88 0,70 2,23 4,59
Campo Grande 1,57 0,54 0,68 1,84 3,54
Rio de Janeiro 9,43 0,65 0,64 1,73 4,69
Recife 3,92 0,99 0,62 1,65 4,48
São Paulo 32,28 0,92 0,58 2,20 5,61
Rio Branco 0,51 0,44 0,54 1,66 4,15
Salvador 5,99 0,81 0,44 2,36 5,36
Belo Horizonte 9,69 0,81 0,39 2,04 3,31
Fortaleza 3,23 0,73 0,35 1,96 4,47
Brasil 100,00 0,84 0,71 2,09 4,65

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 1º a 29 de março de 2023 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de janeiro a 28 de fevereiro de 2023 (base). O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.

INPC tem alta de 0,64% em março

Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC teve alta de 0,64% em março, abaixo do registrado no mês anterior (0,77%). No ano, o INPC acumula alta de 1,88% e, nos últimos 12 meses, de 4,36%, abaixo dos 5,47% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2022, a taxa foi de 1,71%.

Os produtos alimentícios registraram queda de 0,07% em março, após alta de 0,04% em fevereiro. Nos produtos não alimentícios, foi registrada alta de 0,87%, desacelerando em relação ao resultado de 1,01% observado em fevereiro.

Todas as áreas tiveram variação positiva em março. O menor resultado foi registrado em Belo Horizonte (0,26%), onde pesaram as quedas nos preços da batata-inglesa (-18,88%) e das frutas (-11,60%). A maior variação, por sua vez, ocorreu em Porto Alegre (1,37%), puxada pelas altas de 10,63% da gasolina e de 9,69% da energia elétrica. 

Região Peso Regional (%) Variação (%) Variação Acumulada (%)
Fevereiro Março Ano 12 meses
Porto Alegre 7,15 0,77 1,37 2,36 3,84
Brasília 1,97 0,34 1,10 1,72 4,25
Curitiba 7,37 1,02 1,06 2,11 2,42
Belém 6,95 0,90 0,91 2,22 4,52
Rio Branco 0,72 0,51 0,80 1,81 3,72
Goiânia 4,43 0,73 0,75 1,78 3,38
Vitória 1,91 0,87 0,73 2,47 3,95
São Luís 3,47 0,66 0,72 1,35 4,08
Campo Grande 1,73 0,48 0,72 1,86 3,23
Aracaju 1,29 0,82 0,70 2,02 4,73
Recife 5,60 0,96 0,56 1,45 4,58
Rio de Janeiro 9,38 0,52 0,56 1,44 4,19
São Paulo 24,60 0,80 0,48 1,84 5,45
Fortaleza 5,16 0,79 0,39 1,92 4,73
Salvador 7,92 0,81 0,34 2,11 5,60
Belo Horizonte 10,35 0,73 0,26 1,87 3,02
Brasil 100,00 0,77 0,64 1,88 4,36

Para o cálculo do índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 1º a 29 de março de 2023 (referência) com os preços vigentes no período de 28 de janeiro a 28 de fevereiro de 2023 (base). O INPC é calculado pelo IBGE desde 1979, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 05 salários mínimos, sendo o chefe assalariado, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.

 

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Redação It's Money

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