Dólar atinge maior cotação desde março e reflete tensão no Oriente Médio
mercado
Dólar atinge maior cotação desde março e reflete tensão no Oriente Médio
9 jun 2026

O dólar à vista fechou cotado a R$ 5,1803 nesta segunda-feira (8), registrando o maior nível desde 30 de março de 2026. A valorização da moeda norte-americana foi motivada por um cenário de incertezas relacionadas ao aumento das tensões no Oriente Médio e às expectativas de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos.
A cotação da moeda americana chegou a registrar R$ 5,1951 durante a sessão, impulsionada por movimentos defensivos dos investidores. Esses movimentos são agravados pelos relatos de ataques mútuos entre Irã e Israel, que minam a confiança sobre a estabilidade do cessar-fogo anunciado anteriormente. O Irã chegou a advertir que poderá retaliar caso novos ataques israelenses ocorram contra o Líbano.
Receba Informações do Mercado Financeiro em Tempo Real. Entre para nossa Comunidade no Whatsapp!!!
Contexto geopolítico e impacto no mercado
O mercado reage com cautela ao cenário no Oriente Médio, com investidores buscando ativos considerados mais seguros. Além disso, o payroll robusto registrado na última semana nos Estados Unidos reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) manterá os juros em patamar elevado por mais tempo. Essa condição dificulta operações de carry trade, que dependem da diferença das taxas de juros entre países.
Paralelamente, no Brasil, esse cenário reduz o espaço do Comitê de Política Monetária (Copom) para cortes nas taxas de juros, mantendo a pressão sobre o real frente ao dólar. O contrato futuro do dólar para julho registra leve alta a R$ 5,21, apesar da leve queda do índice DXY, que mede a moeda americana contra outras divisas fortes.
Mercado financeiro e indicadores relacionados
No mercado brasileiro, o Ibovespa fechou em leve queda de 0,21%, refletindo a cautela dos investidores diante das tensões internacionais e da manutenção dos juros norte-americanos. Mesmo assim, o índice acumula alta de 4,68% no ano de 2026.
Entre os setores, o destaque negativo ficou com as ações da Vale e dos principais bancos, enquanto a Petrobras se valorizou acompanhando a alta do preço do petróleo. O barril do petróleo Brent para agosto fechou em alta de 1,25%, cotado a US$ 94,25, influenciado pelo receio de impacto no fornecimento pela instabilidade no Oriente Médio.
Nos Estados Unidos, o desempenho dos principais índices foi misto, com o Dow Jones recuando 0,16% e o Nasdaq avançando 0,86% na mesma sessão.
Tensões diplomáticas e sistema de pagamentos
Além da volatilidade cambial, a cúpula do governo brasileiro avalia que o incômodo do presidente Donald Trump em relação ao Pix ultrapassa a concorrência com bandeiras de cartões de crédito. A preocupação se deve ao potencial do sistema de pagamentos brasileiro facilitar transações internacionais sem a necessidade do dólar e da rede Swift, controlada pelos EUA.
Essa mudança pode reduzir a hegemonia do dólar nas transações comerciais globais, fortalecendo moedas locais para pagamentos internacionais, o que traz um desafio geopolítico para a moeda americana.
Volatilidade e perspectivas recentes
Na terça-feira (9), o dólar à vista apresentou volatilidade, operando entre leve alta e baixa, fechando em R$ 5,1775. Essa oscilação acompanhou declarações do presidente Trump sobre possíveis retaliações no conflito entre EUA e Irã, o que inicialmente elevou a moeda, mas perdeu força ao longo do dia.
Além disso, o recuo dos rendimentos dos títulos públicos americanos e a queda no índice DXY contribuíram para uma recuperação do real frente ao dólar, ainda que a moeda americana mantenha ganhos significativos no mês de junho.
Na análise do contrato futuro do Brent, o preço fechou em baixa de 2,97%, cotado a US$ 91,45 o barril, após uma leve melhora nas negociações entre as partes do conflito no Oriente Médio, indicando um cenário ainda instável, porém com algum otimismo de curto prazo.
Esses movimentos evidenciam a sensibilidade dos mercados financeiros a eventos geopolíticos e decisões de política monetária, com impactos diretos na cotação do dólar e nos ativos brasileiros.
Fontes
- Gazeta De Alagoas
- CNN Brasil
- Folha De Boa Vista
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.
Saber mais



