Dólar sobe após nota do Copom e pressão externa mantém real desvalorizado
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Dólar sobe após nota do Copom e pressão externa mantém real desvalorizado
19 jun 2026

A nota emitida pelo Copom após reduzir a Selic para 14,25% gerou forte valorização do dólar nesta quinta-feira, cotado a R$ 5,1740, e alta dos juros futuros. O mercado interpretou a comunicação do Banco Central como menos firme em relação ao combate à inflação, intensificando dúvidas sobre a política monetária no Brasil e aumentando o prêmio de risco no câmbio.
O dólar atingiu máxima intradia de R$ 5,1897, reagindo também ao tom conservador do Federal Reserve, que manteve os juros americanos estáveis, sinalizando flexibilização mais lenta. Esse movimento global fortaleceu a moeda americana e pressionou o real, que perdeu espaço entre as moedas emergentes.
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Reação dos juros futuros e cenário externo
Comunicado do Copom provocou queda nas taxas de juros de curto prazo e alta nas taxas médias e longas, refletindo avaliação de que o Banco Central pode retomar aperto caso a inflação não convirja para a meta de 3%. Contratos de DI para 2028 a 2031 registraram altas expressivas, indicando aumento do prêmio requerido pelo mercado diante da incerteza.
Além disso, a atenção dos investidores voltou-se para o cenário internacional, especialmente o memorando entre Estados Unidos e Irã, que impactou preços do petróleo e volatilidade cambial. A moeda americana encerrou com valorização de 1,32% na semana, num fechamento que acumulou alta de 2,04% no mês, apesar de recuo marginal nesta sexta-feira.
Impactos na bolsa e perspectivas para a política monetária
O índice Ibovespa fechou a sessão em queda de 0,1%, refletindo o ambiente de cautela entre investidores, motivado pela comunicação do Copom e a postura firme do Fed. A sinalização de possibilidade de novos cortes na Selic mantém mercado e analistas atentos às próximas reuniões, considerando que as projeções para inflação foram revisadas para cima, principalmente em razão do aumento do preço do petróleo e efeitos climáticos.
Especialistas destacam que a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário dependerá dos dados inflacionários que serão divulgados, e a deterioração das contas públicas apresenta desafio adicional para o Banco Central. O cenário político também contribui para aumentar o risco percebido, com impactos na dinâmica do real frente ao dólar.
Perspectiva global e dólar em alta
No exterior, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, adotando postura mais dura e reforçando compromisso com estabilidade de preços. Isso contribuiu para o fortalecimento do dólar, que atingiu o maior patamar em mais de um ano no índice DXY, acumulando ganhos no ano.
O real registrou desempenho inferior frente a moedas emergentes, influenciado por fatores locais como a instabilidade política e a expectativa eleitoral, que aumentam o prêmio de risco da moeda brasileira. Gestores apontam que a conjuntura atual torna o ambiente cambial e monetário desafiador, com volatilidade elevada e premissas sujeitas a revisões frequentes.
Esses fatores combinados explicam o movimento de alta recente do dólar frente ao real, refletindo tanto questões domésticas quanto um contexto externo marcado por incertezas geopolíticas e posicionamento monetário dos Estados Unidos.
Fontes
- Brasil 247
- Correio Braziliense
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
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