Governo deve encerrar subsídios a combustíveis se petróleo estabilizar em US$80
mercado
Governo deve encerrar subsídios a combustíveis se petróleo estabilizar em US$80
17 jun 2026

O governo federal anunciou que encerrará os subsídios aos preços dos combustíveis, como diesel e gasolina, desde que o preço do barril de petróleo se estabilize em torno de US$80. A declaração foi dada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, ao destacar o cenário de possível acordo entre Estados Unidos e Irã para o fim do conflito no Oriente Médio.
Ceron destacou que o fim dos confrontos deve melhorar as projeções de inflação e reduzir a pressão sobre os juros futuros. Essa evolução pode abrir espaço para o Banco Central avançar na flexibilização da política monetária e reduzir os custos da dívida pública, segundo ele.
Receba Informações do Mercado Financeiro em Tempo Real. Entre para nossa Comunidade no Whatsapp!!!
Contexto das medidas emergenciais e cenário fiscal
Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o governo adotou medidas emergenciais para amenizar as altas no preço internacional do petróleo. Essas ações incluíram redução de tributos e subvenções sobre diesel, gasolina, querosene de aviação e gás de cozinha, com validade geralmente de dois meses e algumas prorrogadas até julho.
O secretário ressaltou que o patamar de US$80 por barril, embora superior ao registrado no início do ano, foi parcialmente compensado pela valorização do real, que passou de R$5,20 para cerca de R$5,00 frente ao dólar, mitigando o impacto inflacionário do insumo energético.
Impactos no mercado e projeções econômicas
Os futuros do petróleo Brent fecharam a US$78,96 o barril, com queda de 5,1%, após indícios de acordo para reabertura do Estreito de Ormuz e fim da guerra. Ceron afirmou que a guerra no Irã foi o principal fator que alterou as projeções para o IPCA, e não as medidas de estímulos do governo.
Com a estabilização do petróleo, espera-se reversão rápida das projeções inflacionárias, permitindo maior margem para ação da política monetária. A Fazenda projeta crescimento do PIB entre 2,0% e 2,5% para 2024, cenário que não pressiona a inflação, embora o mercado revise essas estimativas.
Desafios fiscais e ambiente de juros
Ceron admitiu a necessidade de debater a trajetória de despesas obrigatórias, mas descartou a adoção de medidas fiscais recentes devido ao período eleitoral. Ele também apontou que o nível elevado dos juros não decorre apenas do quadro fiscal, destacando o baixo índice de poupança no país como fator importante.
Em relação à curva de juros, Ceron associou o aumento recente dos rendimentos à resiliência econômica dos EUA e indicou que uma eventual estabilização no Oriente Médio pode promover o fechamento dessa curva globalmente, com reflexos positivos para o Brasil.
O secretário ainda informou que o país deve emitir novos títulos soberanos sustentáveis no segundo semestre e antecipou anúncios relacionados a títulos denominados em iuanes, no contexto da visita do ministro da Fazenda à China.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.
Saber mais



