Ibovespa em alta: Ações de exportadoras caem com valorização do real

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Ibovespa em alta: Ações de exportadoras caem com valorização do real

5 out 2026

Redação It's MoneyRedação It's Money

Ibovespa apresenta alta, mas ações exportadoras não acompanham

Na última segunda-feira (5), o Ibovespa disparou, porém, as ações de empresas com maior exposição ao mercado externo enfrentaram quedas significativas. Entre as companhias que se destacaram negativamente estão:

  • Vale (VALE3)
  • Gerdau (GGBR4)
  • Usiminas (USIM5)
  • Metalúrgica Gerdau (GOAU4)
  • CBA (CBAV3)
  • WEG (WEGE3)
  • Embraer (EMBJ3)
  • Klabin (KLBN11)
  • SLC Agrícola (SLCE3)

Essas ações, relacionadas aos setores de mineração, siderurgia, metais, indústria e agronegócio, foram impactadas por uma forte valorização do real, com o dólar apresentando uma queda superior a 4% no mesmo dia. Este movimento está atrelado à reação dos mercados após o resultado do primeiro turno das eleições.

O impacto da valorização do real

Um dólar mais baixo implica que as receitas provenientes do exterior resultem em valores menores ao serem convertidas para reais. O efeito é mais significativo nas empresas que recebem em dólar, mas possuem custos relevantes em reais.

Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos, destaca que essa valorização do real pressiona as margens das empresas. No entanto, o impacto varia conforme a companhia. Por exemplo, a WEG e a Embraer conquistam receitas do exterior, mas também arcam com custos em moeda estrangeira, o que diminui parcialmente o efeito câmbio.

Particularidades das empresas afetadas

A Gerdau, por sua vez, tem operações expressivas na América do Norte, onde vende em dólares, o que alivia um pouco o impacto da valorização do real, embora os resultados ainda sejam reduzidos na conversão para reais.

Para a Usiminas, a desvalorização do dólar é significativa por outro motivo. A empresa tem uma maior dependência do mercado nacional, e o aumento da competitividade dos produtos importados eleva a concorrência com a produção interna.

Gabriel Jardim, CEO da Trade Arena, ressalta que "nesse caso, o câmbio pesa mais pelo lado da concorrência do que pelo impacto direto sobre a receita de exportação". O cenário também oferece vantagens, pois o dólar mais baixo pode resultar em insumos importados mais econômicos.

O papel das commodities e do mercado internacional

No que diz respeito à Vale e a outras empresas de metais, o desempenho cambial alia-se à tendência das commodities. Matheus Jaconeli, analista da ZIIN Investimentos, observa que o minério de ferro já vinha apresentando uma queda de preços e o fechamento do mercado chinês por feriado prolongado deixa os investidores cautelosos.

Além disso, os juros em alta nos Estados Unidos podem afetar a economia global e, por consequência, a demanda por commodities. Na SLC Agrícola, a variação do real impacta diretamente os preços de produtos como soja, milho e algodão, que estão atrelados ao mercado internacional.

A rotação dos investidores

O especialista Boragini ainda aponta uma mudança na orientação dos investidores, que buscam empresas que se beneficiam de expectativas de juros menores e melhorias na economia brasileira. Essa rotação ajuda a explicar a disparada de ações de empresas voltadas ao mercado interno, em contraste com o desempenho das que estão mais ligadas ao exterior.

Em resumo, embora o tombo do dólar seja um fator crucial para as quedas observadas nas ações, outros elementos como preços de commodities, concorrência no mercado brasileiro e custos operacionais também desempenham papéis importantes na variação dos papéis.

Fonte:

  • Valor Invest
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