Número de brasileiros que investem ou já investiram em criptomoedas chegou a 29 milhões em 2026

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Número de brasileiros que investem ou já investiram em criptomoedas chegou a 29 milhões em 2026

18 ago 2026

Lucas VeronezziLucas Veronezzi

Tem um número na 2ª Pesquisa Nacional das Criptomoedas, divulgada nesta terça pelo Datafolha em parceria com a Paradigma, que merece atenção: 17,2% dos brasileiros acima de 16 anos têm ou já tiveram criptomoedas. São 29 milhões de pessoas.

Ações na bolsa? 7,4%. Ou seja, para cada brasileiro que passou pela B3, existem 2,3 que passaram por bitcoin, ether ou stablecoin.

Eu trabalho com isso todos os dias e ainda assim o dado me pegou. Não pelo tamanho, mas pelo perfil de quem está por trás dele.

Quem é esse investidor

Se você imaginou o jovem de classe alta operando na exchange, esqueça. Entre quem já colocou dinheiro em cripto, 77,6% ganham até três salários-mínimos.

Quase um terço (31,6%) ganha até um salário-mínimo. O ensino fundamental foi a faixa de escolaridade em que o conhecimento sobre cripto mais cresceu desde a primeira edição, saltando de 25,9% para 38,0%.

O banco venceu a exchange (por enquanto)

83% de quem já teve cripto comprou pelo aplicativo do próprio banco. Corretora especializada aparece com 20%. Fundo ou ETF, 18%. Na prática, o banco distribuiu 4,2 vezes mais cripto do que as exchanges.

Faz sentido. O brasileiro já tinha o app do banco aberto para pagar boleto e mandar Pix. O botão “comprar bitcoin” apareceu ali, ao lado do CDB. Ninguém precisou aprender o que é chave privada, seed phrase ou taxa de rede. A barreira de entrada foi zero, e a adoção veio junto.

O que isso diz para quem opera no mercado tradicional é direto: a distribuição ganhou do produto. Quem tem a base de clientes na mão dita o ritmo da adoção. As exchanges continuam relevantes para quem quer profundidade, mas o volume de gente entra pela porta do institucional.

O que fica fora da manchete

A poupança perdeu 7 milhões de pessoas entre uma edição e outra, o maior abandono entre todos os produtos medidos, enquanto os fundos ganharam 8 milhões. O dinheiro está se mexendo. E parte dele já testou cripto no caminho.

O Drex, projeto de moeda digital do Banco Central, já é reconhecido por 10,3% da população, atrás apenas do bitcoin (60,7%) e do ethereum (11,1%). Poucos entenderam a diferença, mas o nome já entrou no vocabulário. Isso favorece uma agenda que eu acompanho de perto: tokenização e stablecoin em real deixando de ser assunto de nicho.

Conclusão

O mercado de capitais brasileiro passou vinte anos tentando levar o pequeno investidor à bolsa e chegou a 7,4%. Cripto fez o dobro em uma fração desse tempo, sem campanha institucional, quase sem regulação e, principalmente, por dentro do sistema bancário.

Esse crescimento mostra que os ativos digitais deixaram de ser uma tendência para se tornarem uma realidade no portfólio de milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo, ele evidencia um desafio importante: a velocidade da adoção foi muito maior do que a disseminação da educação financeira.

Investir em criptomoedas exige conhecimento. É um mercado inovador, com enorme potencial, mas também marcado por volatilidade, oscilações expressivas de preço e riscos que precisam ser compreendidos antes de qualquer decisão de investimento. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros, e cada ativo possui características, fundamentos e níveis de risco diferentes.

Outro ponto que merece atenção é o custo da operação. Muitos investidores acreditam que comprar criptomoedas pelo aplicativo do banco é a alternativa mais simples e segura, mas nem sempre percebem que essa conveniência costuma ter um preço elevado.

Em muitos casos, os grandes bancos embutem sua remuneração diretamente na cotação do ativo, vendendo mais caro e recomprando mais barato. Um spread de 2%, por exemplo, significa que o investidor já inicia a operação com uma diferença relevante entre o preço de compra e o de venda, reduzindo seu potencial de retorno sem que esse custo fique tão evidente.

Por isso, antes de investir, é fundamental comparar plataformas, entender todos os custos envolvidos, conhecer os riscos da operação e avaliar se aquele investimento faz sentido para seus objetivos financeiros e para o seu perfil de risco.

A evolução do mercado de criptoativos é um caminho sem volta. A tendência é que a infraestrutura continue amadurecendo, com maior integração ao sistema financeiro, avanços regulatórios e novos casos de uso, como tokenização de ativos e pagamentos com stablecoins.

Mas, independentemente da tecnologia ou do ativo escolhido, a melhor estratégia continuará sendo a mesma: investir com informação, planejamento e acompanhamento profissional. Sempre que possível, conte com o apoio de um especialista qualificado para tomar decisões conscientes e alinhadas aos seus objetivos de longo prazo.

Lucas Veronezzi

Lucas Veronezzi

Economista, sócio na Blue3 Investimentos e especialista em investimentos tradicionais e alternativos, com foco em criptoativos. Possui mais de uma década de experiência no mercado financeiro, tendo atuado em grandes instituições como Santander, Citibank e Itaú Personnalité. Certificações CEA-Anbima (Especialista em Investimentos), AAI-Ancord (Assessor de Investimentos) e CCA-Ancord (Especialista em Criptoativos).

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