Por que a menor inflação desde a pandemia nos EUA não reduz expectativa de queda dos juros

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Por que a menor inflação desde a pandemia nos EUA não reduz expectativa de queda dos juros

15 jul 2026

Redação It's MoneyRedação It's Money

A divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) de junho nos Estados Unidos confirmou a desaceleração da inflação no país, mas não aumentou a expectativa de cortes na taxa básica de juros. O PPI recuou 0,3% em junho, abaixo da expectativa de estabilidade do mercado. O índice de preços ao consumidor (CPI) mostrou deflação de 0,4%, a maior queda mensal desde abril de 2020.

Os dados indicam redução da pressão inflacionária na maior economia mundial. No acumulado de 12 meses, o CPI caiu de 4,2% para 3,5% e o PPI avançou 5,5%. Os núcleos dos índices também surpreenderam positivamente: o núcleo do CPI ficou estável, puxando a taxa anual de 2,9% para 2,6%, e o núcleo do PPI subiu só 0,1%, acumulando 5,1% em 12 meses.

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Obstáculos para cortes nos juros pelo Fed

O presidente do Fed, Kevin Warsh, destacou em depoimento ao Congresso que a situação da inflação não permite otimismo prematuro. Warsh criticou a política anterior que tolerava inflação acima de 2% e sinalizou tolerância zero à persistência dos preços.

A divisão no Comitê de Política Monetária também dificulta o corte dos juros. Embora a manutenção da taxa atual tenha sido unânime, metade dos membros vê espaço para mais uma alta ainda este ano. As apostas no mercado para alta em julho caíram, mas para setembro ainda são maiores que 60%.

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Cenário econômico e riscos geopolíticos

A solidez da economia americana reforça a postura resistente do Fed. A atividade econômica está firme e a taxa de desemprego baixa, sustentando a possibilidade de juros altos por mais tempo, segundo especialistas como Claudia Moreno, do C6 Bank, e Gustavo Sung, da Suno Research.

O alívio inflacionário recente está ligado à queda dos preços da energia, que caiu 5,7% no CPI, influenciada pelo recuo de 9,7% da gasolina. Essa redução foi resultado temporário de um acordo entre EUA e Irã que suspendeu tensões no Estreito de Ormuz.

Contudo, o cessar-fogo durou pouco. Ataques recentes e declarações do presidente Trump indicam retomada das tensões, impulsionando o preço do petróleo Brent a níveis próximos de US$ 85 a US$ 90 por barril. Isso pode reabrir o prêmio de risco, fortalecer o dólar e dificultar os esforços do Fed para controlar a inflação.

Assim, embora a inflação menor dê algum alívio ao mercado, ela funciona mais como barreira contra aumentos imediatos do que estímulo para cortes nos juros. Investidores devem acompanhar de perto as decisões do Fed e as repercussões no contexto geopolítico.

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Fonte:

  • Valor Invest
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