Shein prevê listagem em Hong Kong em 1º de setembro com valuation de US$ 27 bilhões
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Shein prevê listagem em Hong Kong em 1º de setembro com valuation de US$ 27 bilhões
20 ago 2026

A varejista Shein tem como objetivo estrear sua oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa de Hong Kong em 1º de setembro, segundo informações de fontes próximas ao processo repassadas à Reuters. A data representa um adiamento em relação ao plano inicial de 28 de agosto.
A empresa busca um valuation entre US$ 26 bilhões e US$ 27 bilhões, um recuo significativo em comparação aos cerca de US$ 100 bilhões da última captação privada em 2022. Inicialmente, a expectativa ao iniciar os encontros com investidores era uma avaliação entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões.
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Desafios para o crescimento e rentabilidade
O adiamento ocorre em meio a um cenário de crescimento mais lento e aumento dos custos, fatores que afetam o apetite dos investidores pela oferta.
O prospecto da Shein indica receita líquida que deve crescer de US$ 32,1 bilhões em 2023 para US$ 41,8 bilhões em 2025, representando um aumento médio anual de 14,2%. Entretanto, a desaceleração é evidente, com taxa de crescimento passando de 41,1% em 2023 para 20,7% em 2024 e 8% em 2025.
Custo operacional e competição
Os custos logísticos e de processamento permanecem elevados, alcançando US$ 19,1 bilhões em 2025, o equivalente a 45,6% da receita, um aumento frente aos 43,5% de 2024. Além disso, os gastos com marketing cresceram para US$ 1,43 bilhão no primeiro trimestre de 2026.
Além dos custos, a Shein encara desafios regulatórios rigorosos, especialmente nos Estados Unidos e Europa. Em 2025, os EUA eliminaram a isenção fiscal para importações de baixo valor vindas da China, enquanto as tarifas alfandegárias elevaram o custo final dos produtos. A empresa também está sob investigação da FTC quanto à proteção ao consumidor.
Avaliação frente ao mercado
O valuation projetado pela Shein indica múltiplos de receita inferiores a concorrentes globais do segmento de moda, situando-se em 0,6 vez as vendas projetadas para 2025 na faixa de US$ 26 a 27 bilhões. Para comparação, a H&M opera com múltiplo de cerca de 1,1 vez receita, enquanto a Inditex e Fast Retailing apresentam múltiplos de 4,6 e 7,6, respectivamente.
Para analistas do BTG Pactual, essa desvalorização reflete uma compensação pelo menor grau de previsibilidade nos lucros, incertezas regulatórias e dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo de vendas diretas ao consumidor, especialmente fora da China.
Operação global e base de clientes
A Shein mantém operações em aproximadamente 160 mercados, com catálogo de mais de 2 milhões de itens e uma base ativa de 273 milhões de clientes em 2025. No mesmo ano, a empresa registrou 1,08 bilhão de pedidos, contudo, o número médio de pedidos por cliente permaneceu estável em 4 por ano.
O cenário competitivo também se mantém acirrado, com concorrentes como Temu e varejistas tradicionais pressionando a necessidade de maiores investimentos em armazéns locais e ações de marketing, que impactam a leveza operacional da empresa.
O IPO da Shein em Hong Kong será acompanhado de perto pelo mercado, dada a relevância da empresa no setor de fast fashion e os desafios enfrentados em um ambiente econômico e regulatório mais complexo.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.
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