Tesouro Direto: rentabilidade do IPCA+ supera 8,5% mesmo com corte da Selic
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Tesouro Direto: rentabilidade do IPCA+ supera 8,5% mesmo com corte da Selic
19 jun 2026

Os títulos públicos atrelados ao Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 tiveram sua rentabilidade acima da inflação elevada para 8,48% nesta semana, superando o patamar dos 8%, mesmo após o corte da taxa Selic para 14,25% pelo Banco Central (BC). Essa alta reflete a reação do mercado a sinais contraditórios sobre a condução da política monetária e a inflação no Brasil.
O principal motivo para esse movimento foram as frequentes indicações dos Estados Unidos de manutenção ou até alta da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed) ainda este ano, o que impacta juros futuros globais. Além disso, o comunicado do BC brasileiro levantou dúvidas sobre o compromisso da autoridade com a meta de inflação de 3% ao ano, justamente porque ampliou o horizonte relevante para o alcance desse objetivo.
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Leitura do mercado e efeitos nos títulos
O alongamento do prazo para atingir a meta de inflação foi interpretado pelo mercado como um indício de possível tolerância do BC à inflação elevada por mais tempo. Isso aumentou o risco percebido da política monetária e pressionou a rentabilidade dos títulos ligados ao IPCA, elevando seus juros futuros.
Em termos práticos, quando a taxa desses títulos sobe, o preço cai. Portanto, investidores que precisem vender antes do vencimento podem ter perdas. Já se as taxas depois caírem, os preços sobem e favorecem ganhos adicionais ao resgatar antecipadamente.
Dados recentes reforçam a pressão
Os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio mostraram 4,72% acumulados em 12 meses, superando as expectativas de analistas. Isso indica que o consumo continua aquecido acima da capacidade produtiva, mesmo com a taxa Selic restritiva.
Em resposta, o Boletim Focus ajustou para cima a previsão da Selic para 2026, passando de 13,50% para 14%. Esse movimento sinaliza uma possível interrupção ou desaceleração do ciclo de flexibilização da política monetária.
Impactos externos e internos
Nos Estados Unidos, o Fed manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%, mas adotou um tom mais rígido, elevando a rentabilidade dos títulos americanos. Isso afeta diretamente o Brasil, já que os títulos norte-americanos funcionam como referência para os mercados globais, especialmente para a definição do preço da dívida.
Assim, a combinação do cenário internacional e incertezas domésticas contribui para a alta na taxa dos títulos do Tesouro IPCA+, mesmo em um contexto de redução da Selic.
As informações foram confirmadas por relatórios do BC e do mercado financeiro, que indicam cuidados na precificação dos ativos de renda fixa diante do atual cenário econômico brasileiro e global.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
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