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O caos no turno

O caos no turno
  • Publicado em 30 de setembro de 2022

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Macro

Encerrando uma semana que foi movimentada por indicadores econômicos e forte alinhamento de expectativas com discursos de bancos centrais ao redor do mundo, essa sexta-feira promete algum alívio, enquanto investidores procuram barganhas criadas nos últimos dias.

A semana foi marcada pela força do dólar em meio ao movimento de aversão ao risco.

Vale lembrar também, que as negociações de hoje marcam o último dia antes das eleições, o que pode agitar os mercados.

Brasil

No Brasil, a semana se encerra com novas informações sobre empregos.

Em complemento à divulgação de dados do Caged de ontem, que mostraram criação de empregos acima do esperado, hoje, às 9h deve ser divulgada a taxa de desemprego do mês de agosto.

A estimativa é de que a taxa caia de 9,1% no mês anterior, para 8,9%.

O que deve representar aquecimento do mercado de trabalho.

Nas principais movimentações do mercado, o cenário ontem foi se ajustando às falas de membros do Banco Central, em apresentação do relatório trimestral de inflação (RTI).

O BC apresentou estimativas de PIB e inflação que animaram o mercado, e que indicam confiança na economia do país.

Campos Neto, Presidente do BC, reforçou ainda que uma redução na taxa de juros em junho de 2023, está alinha às expectativas de inflação do Banco Central, o que ajudou no fechamento da curva de juros futuros.

Apesar da fala de Campos Neto, os DIs precificam, hoje, uma queda na taxa básica já no primeiro trimestre de 2023.

Por aqui, às vésperas das eleições, o dia pode trazer volatilidade aos mercados, enquanto investidores buscam precificar cenários políticos.

Resultado do leilão do Tesouro:

LTN com vencimento em outubro de 2023: R$ 883,2 milhões (100% da oferta – Taxa 13,2824%);

LTN com vencimento em outubro de 2024: R$ 1,2 bilhões (100% da oferta – Taxa 12,1348%);

LTN com vencimento em outubro de 2026: R$ 3,5 milhões (100% da oferta – Taxa 11,9480%);

NTN-F com vencimento em janeiro de 2029: R$ 23,4 milhões (16,7% da oferta – Taxa 12,2389%);

NTN-F com vencimento em janeiro de 2033: R$ 40,4 milhões (30% da oferta – Taxa 12,3250%);

EUA

Nos EUA, o PIB negativo divulgado ontem não surpreendeu os mercados, que já tinham expectativas alinhadas nesse sentido.

O resultado revisado reforça o que já havíamos comentado ao longo da semana, que o país segue com uma série de indicadores conflitantes, que apontam para sentidos opostos.

A desaceleração da economia reforça as perspectivas de estagflação que deve degradar o cenário por lá.

A combinação de juro alto, inflação alta e crescimento baixo é perigosa e cabe ao FED navegar nesse mar turbulento sem causar danos severos, o que, à medida que o tempo passa, fica mais difícil. O famoso “pouso suave”, fica cada vez mais distante.

Na base de indicadores a ser divulgado hoje, às 9h30 sai o deflator de preços PCE, índice de preços das despesas de consumo pessoal.

O indicador é a referência “preferida” do FED para avaliar inflação no país, e sua divulgação deve pesar sobre os mercados.

As estimativas apontam para alta de 0,5% no mês e de 4,7% na base anual.

Também para movimentar os mercados, a manhã é marcada por discursos de dirigentes do FED que devem trazer perspectivas econômicas e uma interpretação do cenário de aperto monetário para os próximos encontros.

Europa

No continente europeu a história segue sendo escrita.

Hoje pela manhã foi divulgado o índice de preços ao consumidor, CPI, da zona do euro.

As estimativas apontavam para nova alta que levaria o acumulado em doze meses para 9,7%.

O dado reportado, no entanto, mostrou alta de 10% na base anual.

É a primeira vez que o índice chega a dois dígitos, e reforça a degradação do cenário econômico no velho continente.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou o dia de ontem no negativo com queda de 0,73%.

O índice voltou a passar por correção enquanto o risco segue sendo o grande temor dos investidores.

O momento dominado por incertezas políticas por aqui, e de pressões externas de desaceleração de economias globais tem pesado sobre o desempenho de nossa bolsa.

As perspectivas de redução de juros apresentadas ontem pelo BC podem ser o estímulo necessário para uma recuperação do mercado.

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Análise Técnica

O Ibovespa, analisando o gráfico diário, chegou ontem a apresentar uma queda de -2,03%, porém, terminou o dia com uma leve queda.

Apesar dessa recuperação nas últimas horas de pregão, continua em um movimento forte de baixa onde o acumulado desde sexta passada foi de -6,84%.

Posto isso, a expectativa segue negativa.

Entretanto, deve-se tomar cuidado com relação em operações na ponta vendedora.

Isto é, após esse movimento de baixa por praticamente cinco dias,

o aumenta-se a probabilidade de o índice passar por uma possível correção.

Essa correção pode ser no tempo, com um movimento mais lateral, ou no preço, buscando a média móvel nos 110.120 pontos.

Assim, a perda dos 106.240 pontos traria um cenário mais negativo no curto prazo, em que o próximo nível importante mais abaixo seria os 103.100 pontos.

Já, o primeiro sinal mais positivo para o Ibovespa, seria buscar a região dos 110.500 pontos.

Mercado Externo

Nos EUA, o índice S&P 500 apresentou forte queda de 2,11% e chegou ao menor patamar desde novembro de 2020.

Os principais índices de ações dos EUA, caminham para um mês de forte retração, com S&P 500 caindo 7,9% no mês, enquanto Dow Jones e Nasdaq caem 7,2% e 9,1% respectivamente.

O deflator de preços PCE, divulgado hoje, deve ter impacto e moldar o sentimento do mercado quanto ao comportamento dos índices de inflação no país.

Por ora, o sentimento segue de descontrole de preços, o que pesa sobre os juros e consequentemente afeta diretamente o apetite ao risco.

O tom pessimista continua ganhando força por lá, com grandes companhias revisando estimativas de vendas e produção para baixo, para se ajustar a desaceleração da demanda, o que também pesa sobre o mercado.

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Análise Técnica

O S&P500 apresentou ontem uma queda significativa, porém não perdeu os 3.300 pontos.

Isto é, está em uma tendência de baixa, mas se encontra em um movimento mais lateral no curto prazo.

Dessa forma, a expectativa é de que continue nessa consolidação nos próximos dias entre os 3.740 e 3.300 pontos.

Caso o S&P500 venha perder a mínima de quarta-feira (nos 3.300), a expectativa é de que continue o movimento de baixa, onde pode buscar a região dos 3.500 pontos.

Já, para a retomada de uma expectativa mais positiva, o índice deve buscar a região dos 3.800 pontos.

Commodities

O minério de ferro fechou a madrugada em Singapura em queda e caminha para o sexto mês consecutivo de queda, a maior sequência já registrada.

Apesar de dados de produção industrial surpreendendo positivamente, com PMI da indústria manufatureira marcando 50,1 contra estimativa de 49,6, indicando crescimento do setor.

Ainda assim, pesam sobre a commodity o cenário incerto sobre o Congresso do Partido Comunista Chinês, além de definições sobre política de covid e estímulos econômicos.

O petróleo opera em queda nessa manhã de sexta-feira, ainda pressionado por perspectivas de desaceleração econômica e pela alta do dólar que causa degradação da demanda.

Vale ficar atento na próxima semana ao encontro dos principais produtores de petróleo, na reunião da Opep+, em que novos cortes de produção devem entrar em pauta para estabilização dos preços.

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Análise Técnica

O petróleo, analisando o gráfico diário, fechou o dia com uma leve queda.

Mas a região em que se encontra indica que pode ser o fim de uma correção no curto prazo e retomada da tendência de baixa.

Isto é, a perda dos USD 85,75/barril aumenta a expectativa de uma movimentação de baixa.

Onde as operações na ponta vendedora se tornam interessante em relação ao Risco x Retorno.

O primeiro nível mais importante, seria os USD 82,36/barril.

Já, para a retomada da expectativa mais positiva, o petróleo deve buscar fechar acima dos USD 88,51/barril.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação que possa afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

As informações, estimativas e projeções contidas neste relatório referem-se à data de publicação e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal alteração.

As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.