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O preço da expectativa

O preço da expectativa
  • Publicado em 13 de setembro de 2022

Essa terça-feira começa movimentada com agenda de divulgações cheia. O dia traz uma série de indicadores ao redor do mundo, com informações sobre o desempenho econômico das principais economias globais, e pode dar sinais do caminhar das políticas monetárias dos principais bancos centrais.

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Abertura do mercado no Brasil

Por aqui, o dia conta com agenda fraca, mas que deve movimentar o mercado, além de investidores atentos às divulgações no exterior, que devem reverberar em terras tupiniquins.

O destaque do dia fica por conta dos dados do setor de serviços a serem divulgados às 9h pelo IBGE. A expectativa é que a atividade do setor apresente crescimento, em agosto, de 0,5% na comparação com o mês anterior, mostrando alta de 5,8% nos últimos doze meses.

O indicador é fundamental e deve ter impacto na decisão do Banco Central em 21 de setembro. Apesar das marcações deflacionárias nos índices de preços nos últimos dois meses, o que tem puxado os preços para baixo são os núcleos de transportes e comunicação, diretamente afetados pelos cortes de impostos promovidos.

Os núcleos ligados a serviços por sua vez seguem mostrando aceleração nos preços, com vestuário e saúde apresentando altas de 1,69% e 1,31%, respectivamente, no mês de agosto.

Por isso, a indicação deve trazer informações importantes, e que podem balizar o BC no próximo encontro do Copom para definição de juros. A

creditamos que um crescimento muito acima do esperado indique que o setor segue ainda pujante, e consequentemente continua pressionando os preços, logo, é possível que o dado influencie o BC a novo aumento residual, como tem sido ventilado por membros do Copom.

Além disso, dados de inflação nos EUA devem influenciar o humor dos mercados globais, com impacto direto no Brasil.

Também hoje, o que deve movimentar os DIs é o leilão de pós-fixados. O Tesouro oferta LFT para vencimento em 2028, e NTN-Bs com vencimento em 2027, 2035 e 2060.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, o dia é marcado pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês). O dado é bastante aguardado em meio ao cenário ainda muito incerto de política monetária norte-americana.

Membros do Fed têm sido uniformes em dizer que aguardam confirmações de que os preços estão sob controle, e que são os indicadores disponíveis até então que devem guiar o Fomc (Comitê de política monetária) em suas decisões.

Mais recentemente os discursos têm se alinhado, também, em tom mais hawkish, indicando a necessidade de novo aumento de 75 pontos base, que seria o terceiro consecutivo dessa magnitude. O que acabou sendo precificado pelos mercados nos últimos dias.

Agora crescem ainda mais as expectativas para conhecer o comportamento dos preços por lá. Isso porque, com o aumento do próximo encontro tomado como certo, crescem as expectativas para compreender a política de juros para os próximos encontros, e qual deve ser a sinalização do Fed, frente ao horizonte relevante de inflação, e possíveis indicações do fim do ciclo de aperto monetário.

Para o mês de agosto, as estimativas apontam para deflação na marcação de preços, com queda de 0,1%, que levaria a inflação na base anual para 8,1%. Caso se conforme uma medição deflacionária, acreditamos que o impacto sobre os mercados globais deve ser positivo com nova sinalização de desaceleração de preços.

Uma surpresa negativa, no entanto, deve elevar os riscos de apertos mais agressivos pelo banco central norte-americano.

Vale ficar de olho também, na divulgação do CPI Núcleo, o índice de preços ao consumidor que exclui alimentos e energia da conta. As projeções apontam para aumento de 5,9% para 6,1% na comparação anual com o último mês.

O indicador exclui parte do efeito direto da queda nos preços do petróleo, principal responsável pela queda do CPI no último mês, e tem maior em setores de serviços, mais sensíveis aos juros.

Por isso, caso o núcleo não mostre desaceleração, é possível que o pessimismo e o receio de que os preços seguem fora de controle devem tomar conta dos mercados, e elevar a aversão ao risco, com perspectivas de Fed mais hawkish.

Abertura do mercado na Europa

Na Europa o dia também foi marcado por dados de inflação. Na Espanha o índice de preços ao consumidor marcou alta de 0,3% no mês de agosto, levando a base anual para 10,5%.

Já na Alemanha, principal economia europeia, o mesmo índice mostrou alta de 0,3% no mês, com acumulado de doze meses em 7,9%, em linha com as estimativas.

O continente atravessa um momento difícil, ainda sem sinalizações de estabilização dos preços, o que tem adicionado ainda mais receio ao mercado, à medida que nos aproximamos do inverno no continente, e os preços de energia devem subir, aumento da demanda e oferta ainda apertada.

No Reino Unido, a taxa de desemprego caiu para 3,6%, contra estimativas que apontavam para estabilização em 3,8%. Com mercado de trabalho aquecido crescem os receios de que a pressão sobre preços continue a aumentar. Vale lembrar que nessa quinta-feira, BoE (Banco da Inglaterra) terá nova decisão juros, e a expectativa é de novo aperto.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou o pregão de ontem com alta de 0,98%. O índice segue forte com cenário que aponta para encerramento do ciclo de alta de juros por aqui.

O momento indica maior apetite ao risco por parte de investidores, o que leva a maior exposição em renda variável, e exposição externa à mercados emergentes, o que aumenta a atratividade da nossa bolsa, que segue negociada com desconto.

ara o dia, dados de inflação nos EUA, podem pesar sobre o otimismo dos mercados, em caso de alta nos preços. Por aqui, dados de serviços mais fortes que o esperado podem ter impacto negativo sobre as perspectivas de encerramento do ciclo de alta de juros, e podem reforçar as narrativas de um aumento residual nas taxas.

Análise técnica Ibovespa

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O IBOV nos últimos 3 dias apresentou uma alta acumulada de 5,10%, o que aumenta a expectativa positiva no curto prazo. A superação dos 112.200 pontos e o fato de ter testado os 113.530 pontos contribui para esse viés mais positivo.

Pensando em níveis importante mais acima, a região dos 113.800 pontos é significativa. Onde o índice pode apresentar uma correção ou até mesmo lateralização.

Além disso, o índice buscando os 114.375 pontos aumenta a expectativa positiva, já que estaria rompendo a resistência e formando um padrão gráfico importante, o pivô de alta.

Mercado Externo

Nos EUA, o S&P 500 completou as negociações de ontem com alta de 1,27%. Investidores seguem ajustando preços com cenário de 75 pontos-base de aumento nos juros precificado.

Ainda com horizonte bastante incerto, as ações norte-americanas nos parecem menos atrativas, com perspectivas de novos aumentos de juros no radar para os próximos meses.

O que deve promover desaceleração gradual da economia e começar a afetar os lucros das empresas nos próximos resultados.

Para hoje, os dados de inflação devem ser o fiel da balança e definir o tom dos mercados. A expectativa de deflação nos preços pode trazer alívio para a renda variável, em caso contrário, os mercados acionários devem sofrer novo golpe.

Análise técnica S&P500

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O S&P500 segue dentro de um movimento de alta, em que subiu 5,46% nesses últimos 4 dias. Dessa forma, o índice tem uma expectativa mais positiva, de ir buscar a região dos 4.150 pontos onde anularia a tendência de baixa em que se encontra.

Entretanto, deve-se ter cuidado para a busca de operações na ponta compradora pois o S&P se encontra em uma região importante nos 4.130 pontos. Isso aumenta a probabilidade de o índice passar por uma possível correção no preço ou no tempo.

Commodities

O minério de ferro continua seu movimento de alta, e encerrou nova madrugada em Singapura com alta.

Com a retomada do ciclo de construção na China, a commodity tem ganhado tração com melhora da demanda. Outra sinalização positiva veio da gigante Evergrande, segunda maior incorporadora do país, que segue lutando para honrar suas dívidas, e anunciou a retomada de projetos paralisados.

O petróleo opera em alta nessa manhã de terça-feira. O cenário não apresenta grandes mudanças, com risco de degradação da demanda ainda pairando, mas oferta ainda apertada, com baixos investimentos no setor, com o conflito no Leste Europeu, e com acordos nucleares com o Irã estagnados.

Análise técnica petróleo

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O petróleo vem passando pelo quarto dia de alta consecutivo, em que esse movimento representou uma alta de 9,26%. E isso gera um primeiro sinal mais positivo no curto prazo.

Entretanto, apesar dessa alta significativa, o ativo não superou a região dos USD 96,55/barril onde anularia a tendência de baixa que se encontra no curto prazo.

Portanto, olhar para operações na ponta compradora não seria interessante tanto pelo Risco x Retorno, quanto pela região em que se encontra.

Pensando no médio prazo (gráfico semanal), o petróleo ainda se encontra em uma região de preços muito travada (entre médias móveis), e ainda dentro de um movimento de baixa.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia;
  • Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.