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O que vem depois da tempestade?

O que vem depois da tempestade?
  • Publicado em 27 de setembro de 2022

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Macro

Depois de uma segunda marcada por fortes volumes de vendas, a terça-feira traz uma quantidade relevante de dados que podem contribuir no esclarecimento de diversos pontos que têm preocupado investidores.

Parte do mercado enxerga o desempenho de ontem como um desconto que deve trazer oportunidade de compra, o pode significar um dia de alívio depois da tempestade.

Brasil

No Brasil, o dia é de interpretação da ata do Copom divulgada agora pela manhã, às 8h. O documento do Banco Central deve ser fundamental para a compreensão das discussões do último encontra, que definiu pela manutenção da taxa básica de juros em 13,75%.

Apesar da decisão agradar o mercado e ser um importante estímulo ao risco, alguns aspectos da divulgação preocuparam o mercado, em especial o tom hawkish que pesou com o anúncio de que novos aumentos permanecem no radar.

Além disso, a ata deve explicar em parte os dois votos dissonantes que optaram por um aumento de 25 pontos base no último encontro.

Também hoje, pela manhã o IBGE divulgou uma prévia do índice de preços ao consumidor amplo, o IPCA-15, para o mês de setembro. As estimativas apontavam para queda de 0,21%, no índice.

O dado divulgado agora mostrou deflação de 0,37%, maior que o esperado.

Com o arrefecimento de preços dando sinais positivos, a expectativa é que os juros futuros possam ceder, precificando a estabilidade das taxas e vértices mais longos a redução das mesmas.

Ainda hoje, o Tesouro Nacional faz oferta de pós-fixados, com LFT para o vencimento de 2028, e NTN-Bs para os vencimentos de 2027, 2035 e 2060.

EUA

Nos EUA, os mercados seguem em busca de sinais que possam trazer alívio ao desempenho que tem derrocado.

O dia de hoje traz discursos de diversos membros do FED, incluindo de seu Presidente Jerome Powell, o que deve contribuir para as interpretações de investidores.

No campo de divulgações a expectativa gira ao redor dos dados de pedidos de bens duráveis (excluindo aeronaves), que devem jogar luz ao desempenho de um setor de atividade econômica relacionado ao consumo de produtos de maior valor agregado.

A estimativa é de que esse número apresente queda de 0,3% no mês agosto.

Também no dia hoje, informações sobre vendas de casas novas trazem luz ao desempenho do setor imobiliário, que é fortemente dependente das políticas monetárias do banco central, sendo bastante sensível ao juro.

As projeções indicam queda de 2,1% no número de vendas em agosto, contra queda de 12,6% no mês anterior.

Mercado Interno

O Ibovespa fechou as negociações de ontem em forte queda de 2,33%. Com fortes pressões de um cenário negativo no exterior, o pessimismo com a economia global reverbera por aqui.

Apesar da vanguarda na estabilização dos juros por aqui, o mundo segue caminhando na direção de mais apertos, e deve passar por um processo de forte correção de liquidez.

Com maior escassez de recursos, investidores têm se mantido cautelosos na alocação de capital, e optado por menor risco.

Ainda assim, enxergamos com bons olhos a dinâmica do mercado de ações local, com índices ainda operando descontados, e companhias com margens ajustadas às pressões inflacionárias.

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Análise Técnica

O Ibovespa ontem apresentou uma forte queda que contribui para o aumento da expectativa negativa no curto prazo, porém, o índice chegou em um nível importante nos 109.115 pontos.

Isso significa que os próximos dias serão decisivos.

Caso o Ibovespa perca a região dos 108.215 pontos aumenta-se a probabilidade de o índice buscar patamares mais abaixo, como os 106.250 pontos.

Mas, após essa queda nos últimos dois pregões (que juntos representam uma queda de -4,23%), o ativo pode passar por uma possível correção.

Para uma retomada de expectativa positiva, o primeiro sinal seria buscar a região da média móvel nos 111.700 pontos.

Mercado Externo

Nos EUA, o índice S&P completou o dia de ontem em nova queda, o resultado foi de -1,03%.

Depois de uma longa era dominada por juros baixos, que estimulou as ações americanas, os mercados buscam, agora, ajustar o comportamento a um cenário de taxas mais altas.

As famosas techs, que dependiam de volumes colossais de recursos para estratégias ousadas de ganho de participação mesmo que vilipendiando o lucro, agora, já têm acesso a esse capital.

O cenário nos parece pouco promissor, e ativos de risco nos EUA, devem continuar passando por correção, até que o movimento de juros no país tome contornos mais claros e a inflação mostre sinais de controle.

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Análise Técnica

O S&P500, analisando o gráfico diário, fechou ontem com uma leve queda, o que mantém a expectativa mais negativa. Vale destacar que esse movimento de baixa, nos últimos 10 pregões, representou uma baixa acumulada de -12,24%.

Posto isso, apesar da expectativa continuar negativa, deve-se ter cuidado ao olhar para posições na ponta vendedora.

Isso pois após esse longo movimento de alta, é possível que o índice passe por uma possível correção no tempo (realizando um movimento lateral) ou no preço (buscando a região da média móvel nos 3.825 pontos).

Para que o S&P500 retome uma expectativa mais positiva, é necessário que ele busque a região dos 4.120 pontos para anular a atual tendência de baixa.

Commodities

O minério de ferro completou a madrugada de negociações em Singapura em alta. A China que comanda os preços da commodity continua uma caixa de surpresas, com informações muito pouco confiáveis.

O cenário cada vez mais nebuloso no gigante asiático coloca ainda mais risco ao desempenho do minério.

Seguimos monitorando os dados de atividade industrial no país, enquanto as definições políticas se acirram por lá.

O petróleo opera em alta nessa manhã, recuperando parte das perdas de ontem, que marcaram o menor patamar desde janeiro.

As preocupações com o desempenho da economia seguem prejudicando o petróleo, cuja demanda depende da força da atividade econômica.

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Análise Técnica

O petróleo, analisando o gráfico diário, fechou o pregão de ontem com uma baixa significativa e segue com uma expectativa mais negativa no curto prazo.

Onde nos últimos dois dias a queda acumulada foi de -8,52%.

Posto isso, deve-se ter cautela ao buscar operações na ponta vendedora, pois após esse movimento forte de baixa o petróleo pode passar por uma correção no curto prazo.

Essa correção pode ser no tempo, com um movimento mais lateral; ou no preço, buscando a média móvel nos USD 88,55/barril.

Pensando em um nível importante mais abaixo, temos os USD 75,71/barril, e, para uma retomada de expectativa mais positiva, o petróleo deve buscar a região dos USD 95,08/barril.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação que possa afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

As informações, estimativas e projeções contidas neste relatório referem-se à data de publicação e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal alteração.

As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.