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O ruído da contradição

O ruído da contradição
  • Publicado em 15 de setembro de 2022

Iniciando essa quinta-feira que traz informações de inflação na Europa, e deve guiar investidores que buscam sinais da saúde econômica do Brasil, mas também das maiores economias do mundo, EUA e China.

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Abertura do mercado no Brasil

Por aqui, começamos o dia atentos à divulgação do IBC-Br. O índice que é uma prévia do PIB, fornece informações do desempenho da atividade econômica do país, e faz parte do rol de dados que o Banco Central deve utilizar para se referenciar no próximo Comitê de Política Monetária (Copom).

O resultado veio acima das expectativas do mercado, com alta de 1,17% em julho, na comparação dessazonalizada com junho.

Nessa mesma seara, o Ministério da Economia deve divulgar através da Secretaria de Política Econômica (SPE) suas projeções para indicadores macroeconômicos do país, o que inclui estimativas de PIB e inflação.

As projeções da SPE são extremamente relevantes e refletem as expectativas da entidade com maior quantidade de informações disponível para tanto, por isso, vale ficar de olho.

Na esteira de ontem, os dados de vendas no varejo mostraram forte queda, contra estimativas que apontavam para leve alta. No mês de julho as vendas no setor caíram 0,8% na comparação mensal.

As projeções indicavam aumento de 0,3% no número. O resultado fraco mostra desaceleração dessa atividade, no sentido oposto de dados de serviços divulgados na terça.

A desaceleração das vendas no varejo deve ser um termômetro importante da saúde econômica do país, e começa a mostrar enfraquecimento.

Fortemente afetado pelo efeito dos altos juros, a desaceleração do setor é, de fato, esperada e pode pesar na decisão do Banco Central. A expectativa é que sinalizações de enfraquecimento da atividade econômica em meio ao arrefecimento de preços possa garantir o encerramento do fim do ciclo de alta nos juros.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, o dia começa em tom de alívio trazido por divulgações de ontem. Depois de dados de inflação ao consumidor que mostraram que os preços teimam em arrefecer na economia norte-americana, ontem informações sobre os preços ao produtor trouxeram perspectivas mais positivas.

O PPI, como é conhecido o índice de preços ao produtor, registrou deflação, como esperado, em 0,1%, trazendo o acumulado em doze meses de 9,8% para 8,7% em agosto.

O Núcleo PPI, que exclui alimentos e energia marcou alta de 0,4% contra estimativas de 0,3%, e apesar de vir marginalmente acima, não estragou o leve ânimo dos mercados.

Depois de sinais de descontrole dos preços, o PPI, dá ao Fed maior tranquilidade para assegurar o terceiro aumento consecutivo de 75 pontos base na próxima semana.

O monitor de probabilidades do CME Group agora indica 76% para aumento de 75 bps e 24% para um aumento de 100 bps. O cenário de mais 75 bps já é precificado e os mercados têm trabalhado com a ideia de que veremos juros ainda mais altos e por mais tempo.

Os títulos do tesouro norte-americano refletem a precificação de maior aperto monetário e precificam uma crise iminente.

A “famosa” inversão da curva entre os rendimentos dos títulos de 2 e 10, quando os títulos mais curtos pagam mais que os títulos longos nos EUA, são, historicamente, um termômetro de recessões.

A curva já invertida há um tempo, aprofundou o movimento nos últimos dias e atingiu o maior patamar deste século.

Para o dia de hoje, divulgações importantes sobre o desempenho da atividade econômica no país podem impactar os mercados. Dados de vendas no varejo devem mostrar desaceleração, assim como no Brasil, e mostrar queda de 0,1% em agosto.

Hoje também, dados de produção industrial, que deve se manter estável, além de informações sobre novos pedidos de seguro desemprego, com estimativas que apontam para 227 mil novas solicitações.

O conjunto de informações divulgadas hoje é relevante e deve ser monitorado atentamente por investidores que aguardam sinalizações sobre a saúde econômica dos EUA.

Com muitas informações conflitantes entre crescimento e retração econômica, além de comportamento pouco claro dos índices de preços, os dados setoriais trazem informações diretamente dos setores e devem balizar investidores e membros do Fed nos próximos dias.

Abertura do mercado na Europa

No continente europeu o dia foi marcado por índices de preços. A França reportou hoje pela manhã inflação ao consumidor acima do esperado.

O mês de agosto mostrou alta de 0,5%, contra projeção de 0,4%. O acumulado de doze meses chegou a 5,9%.

Na Alemanha o índice de preços por atacado veio abaixo das expectativas e mostrou alta de 0,1% em agosto abaixo da projeção de alta de 0,5%.

Lembramos que havíamos comentado no início da semana sobre nova decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE). Para efeito de atualização a decisão que estava marcada para hoje foi adiada para a próxima semana em decorrência do falecimento da Rainha Elizabeth II.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou o pregão de ontem com queda de 0,22%. O índice acabou afetado pelo desempenho fraco, em especial do varejo.

Os dados do setor divulgados na manhã de ontem, mostraram forte retração da atividade varejista, o que pesou sobre o humor do mercado.

Para hoje, o cenário de alívio que emana do exterior pode trazer otimismo para nossa bolsa que segue atrativa. A incerteza sobre a continuidade do rali de juros por aqui ainda requer cautela dos investidores, mas com o fim do ciclo já no horizonte, a atratividade e o apetite ao risco devem aumentar.

Análise técnica Ibovespa

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O Ibovespa, analisando o gráfico diário, apresentou uma leve baixa no dia de ontem. Porém o viés segue mais negativo, em que é mais provável que o índice busque a região dos 109.510 pontos

O índice continua dentro de uma região de preços mais lateralizada, onde a saída dessa zona torna mais fácil a busca por operações.

Vale salientar que a superação dos 111.500 pontos seria o primeiro sinal positivo. Pensando em um prazo mais acima, gráfico semanal, o índice estaria passando pela 5ª semana de correção. E após isso, pode retomar o viés de alta que se encontra no médio prazo.

Mercado Externo

Nos EUA, o S&P 500 completou as negociações de ontem em alta de 0,34%. O dia foi marcado por indicadores que trouxeram ânimo aos mercados com desaceleração dos preços ao produtor.

A agenda econômica movimentada de hoje deve afetar o desempenho do mercado norte-americano, à medida que dados de varejo, indústria e seguros desemprego, devem trazer mais cor sobre a atividade econômica do país.

Caso os índices mostrem desaceleração da atividade, o resultado deve ser um Fed mais contido, evitando degradar a economia do país enquanto tenta combater a alta de preços.

Nesse caso, mesmo com o aumento de 75 pontos base já precificado, os mercados podem mostrar nova onda de otimismo.

Análise técnica S&P500

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O S&P500 com a leve alta apresentada ontem, infelizmente não mudou a expectativa mais negativa em que se encontra. Isto é, ainda é mais provável que o índice busque patamares mais abaixo como os 3.900 pontos.

Região onde o ativo pode apresentar uma possível correção no tempo ou no preço. Vale ressaltar que a perda dos 3.900 pontos aumentaria a expectativa negativa.

Commodities

O minério de ferro encerrou a madrugada em leve queda em Singapura. A commodity deve ser fortemente influenciada por divulgações da China que acontecem na noite de hoje, com dados de produção industrial que podem mostrar fortalecimento da atividade no país e estimular os preços do minério.

Caso os dados apontem na direção oposta, é possível que a commodity sofra novo movimento de baixa.

O petróleo opera em queda na manhã de quinta-feira. A commodity energética segue pressionada por sinalizações de desaceleração da demanda e projeções que indicam menor consumo chinês no próximo ano.

Análise técnica petróleo

O petróleo apresentou uma leve alta ontem, mas não mudou a expectativa negativa. Isso pois não conseguiu (até então) superar os USD 94,96/barril.

Região onde anularia a tendência de baixa que se encontra. Dessa forma, a perda dos USD 91,33/barril aumenta a expectativa negativa, onde o próximo nível importante mais abaixo são os USD 86,81/barril

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia;
  • Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação que possa afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

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As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.