Análises Morning Call

Os temores de recessão

Os temores de recessão
  • Publicado em 31 de agosto de 2022

Encerrando o mês em meio a uma semana movimentada por divulgações econômicas, agosto termina dominado pelos temores de recessão.

Com indicadores divergentes e muita incerteza sobre os próximos passos dos bancos centrais, o sentimento que fica é que apertos mais agressivos virão, e como diria Jerome Powell, “teremos alguma dor”.

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Abertura do mercado no Brasil

No Brasil depois de dados de IGP-M indicando desaceleração de preços, os juros médios voltaram a ceder, em nova sinalização de estabilização das taxas por aqui.

As opções de Copom negociadas na B3 seguem indicando esse caminho, com probabilidade de 72,9% de manutenção do juro básico.

Apesar da sinalização positiva na economia local, os temores que emanam do exterior acabam afetando nosso desempenho.

Dados externos seguem conflitantes e continuam a adicionar incerteza ao cenário já conturbado.

O tom dos últimos dias de maior aperto monetário, dado pelo presidente do Fed, Jerome Powell, tem sido confirmado pelos seus pares, como Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE).

Por aqui, o dia deve contar com a divulgação da pesquisa PNAD que aponta a taxa de desemprego do país.

Prevista para as 9h, a estimativa é que o número caia para 9% em julho, uma redução de 0,3% na comparação com último dado de 9,3%.

O indicador é um termômetro do desempenho econômico do país, e deve, junto aos dados de PIB divulgados amanhã, reforçar a saúde financeira do país mesmo em meio ao cenário atribulado de desaceleração imposta pelas altas taxas de juros.

Resultado do leilão do Tesouro:

  • LFT com vencimento em setembro de 2028: R$ 9,2 bilhões (76,5% da oferta –
    Taxa 0,1775%);
  • NTN-B com vencimento em maio de 2035: R$ 610,36 milhões (100% da oferta
    – Taxa 5,9187%);
  • NTN-B com vencimento em agosto de 2060: R$ 1,2 bilhão (100% da oferta –
    Taxa 6,0099%).

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, a palavra de ordem tem sido contradição. Com divulgações econômicas que dão pouca, ou nenhuma clareza sobre o cenário real, os mercados seguem dominados pela incerteza e cada vez mais avessos ao risco.

Dados de inflação divulgados ao longo do mês encheram os mercados de otimismo na expectativa de que os apertos monetários na maior economia do mundo começavam a apresentar efeito e que, dessa forma, o Fed seria, de fato, capaz de concretizar o famoso “pouso suave”, reduzindo os preços sem degradar a economia.

O que se viu desde então, foram dados econômicos confusos. Números de empregos, salários, produto interno bruto, confiança do consumidor e outros, seguem indicando forte desempenho econômico, sem sinalizar enfraquecimento.

Com isso o Federal Reserve volta a levantar a bandeira de que apertos monetários mais agressivos devem ser necessários.

Ontem dados de oferta de emprego voltaram a surpreender para cima, e indicam um mercado com demanda crescente de mão-de-obra, e sem grande efeito dos juros.

Também no dia de ontem, o presidente do Fed de Nova York fez declaração em tom hawkish, defendendo apertos maiores, e a manutenção das taxas em patamares elevados até que a inflação esteja sob controle.

John Williams também reforçou que enxerga as taxas no fim do ano levemente acima de 3,5%. Vale lembrar que hoje o juro básico norte-americano está entre 2,25% e 2,5%.

O dia de hoje, por sua vez, deve trazer nova rodada de dados de empregos com divulgação às 9h15 da ADP, pesquisa que mostra a variação de empregos privados em agosto, com expectativa de 300.000 novos cargos.

Abertura do mercado na Europa

Na Europa o dia é de dados de inflação. Como tem sido tendência nas últimas divulgações, em nova rodada do índice de preços ao consumidor na zona do euro, o resultado veio acima das projeções.

O acumulado de doze meses registrou alta de 9,1% contra expectativa de 9%, e acima dos 8,9% do mês anterior.

A divulgação reforça o discurso de Christine Lagarde, presidente do BCE, sobre a necessidade de novos aumentos nas taxas de juros. A próxima reunião do BCE para decisão de política econômica está marcada para a próxima semana, dia 8 de setembro.

Mercado Interno

O Ibovespa fechou o dia de ontem em queda de 1,67%. O índice que vinha navegando na contramão do exterior finalmente cedeu ao pessimismo que ecoa das bolsas globais.

O cenário de maior aperto monetário nos EUA traz maior aversão ao risco por parte dos investidores, e volta a colocar dúvida sobre a necessidade de novos aumentos no juro básico por aqui.

Além disso, nossa bolsa que é fortemente ligada à economia chinesa, principalmente por produtoras de commodities, que têm grande peso no índice, acaba refletindo a desaceleração da economia do gigante asiático e o crescente risco de recessão.

Análise Técnica Ibovespa

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O IBOV pelo gráfico diário continuou ontem o movimento de baixa em que se encontrava no curto prazo.

Ao perder a média móvel mais rápida, sinaliza o primeiro sinal negativo. O que aumentaria também a expectativa de queda seria a perda dos 109.855 pontos.

Região onde confirmaria um topo duplo no gráfico diário, e pensando em termos de projeção de Fibonacci, ou seja, nível onde o IBOV pode buscar caso confirme o topo duplo, seria os 105.560 pontos.

Olhando para um prazo mais longo, gráfico semanal, o índice está fazendo um movimento de correção após uma forte alta. Em que a tendência a médio prazo é de alta, mas pensando em operações na ponta compradora, ainda não seria o melhor cenário.

Análise Técnica S&P500

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O S&P500 deu continuidade no movimento de baixa em que se encontrava no curto prazo. Onde essa queda nos últimos dias  já representou uma baixa de -4,95% no ativo.

Falando tem termos de níveis importantes mais abaixo, seria a região dos 3.900 pontos. O índice segue em tendência de baixa no curto prazo e a perda dos 3.964 pontos reforça a expectativa de se ter algo mais para baixo.

Para anular a tendência de baixa é necessário que o índice supere os 4.215 pontos. Ou seja, supere as médias móveis e topo anterior.

Commodities

O minério de ferro recuperou parte da queda de ontem nessa madrugada em Singapura. Ainda sem grandes fatores que movimentem o preço, a commodity
segue em cenário de forte incerteza, em meio ao enfraquecimento da economia chinesa.

O país asiático voltou a ter problemas com covid deve trazer à tona, novamente, as políticas de lockdown.

O petróleo opera nessa manhã de quarta em forte queda. A commodity tem sido afetada pela precificação de um novo cenário de maior aperto monetário e consequente restrição da demanda.

Vale ficar atento ao desenrolar das pressões sobre a oferta, com comentários sobre redução de produção por parte da Opep, e problemas na extração de óleo da Líbia.

Análise técnica Petróleo

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O petróleo com a queda forte de ontem aumentou a expetativa de retomar a tendência de baixa que se encontrava no curto prazo, gráfico diário.

Em que falando de uma zona importante mais abaixo, seria a faixa dos USD92,08/barril. Ou seja, região de possível alvo caso esse movimento de queda continue.

Para uma expectativa mais positiva, é necessário que o ativ busque superar os USD103,24/barril.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia;
  • Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.