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Maior marca de joias do mundo, Pandora quer usar ouro e prata 100% reciclados até 2025

Maior marca de joias do mundo, Pandora quer usar ouro e prata 100% reciclados até 2025
  • Publicado em 14 de março de 2023

Será que é possível pensar em sustentabilidade quando falamos do segmento de artigos de luxo, diretamente ligado a uma atividade extrativista como no caso da produção de joias?

Esse é um desafio que a Pandora quer superar e se posicionar como referência global em joias responsáveis.

A caixa (de joias) de Pandora

A Pandora é uma empresa dinamarquesa fundada em 1982 em Copenhague, segunda maior produtora de joias do mundo e considerada maior marca mundial.

Hoje a Pandora tem mais de 2.600 lojas conceito em todo o mundo (1.400 próprias e operadas, e o restante administrado por seus parceiros franqueados), bem como localizações multimarcas e lojas dentro das lojas.

Em fevereiro de 2000, a história da empresa tomou um novo rumo com o lançamento no mercado do conceito Bracelete & Charmes, com a ideia de personalização das joias. Esses produtos hoje respondem por quase três quartos do total de vendas.

Suas modernas instalações de fabricação se localizam em Gemopolis, na Tailandia, responsáveis por 89% de toda sua produção, onde a empresa busca garantir boas condições aos trabalhadores através de salários competitivos e pacotes de benefícios que incluem refeições gratuitas, transporte gratuito de ônibus, bolsas de estudos, serviços de biblioteca, aulas de maternidade, feriados extras, atividades esportivas e vários eventos sociais.

Riscos na mineração

Por ser uma joalheria, naturalmente a Pandora está preponderantemente exposta aos riscos da mineração. A produção de joias possui impacto significativo no meio ambiente, já que suas principais matérias primas como ouro, prata e diamante dependem da mineração, uma atividade intensiva em água, energia e emissão de carbono.

A extração de metais traz riscos ambientais como a contaminação da água e do solo, destruição de ecossistemas naturais e biodiversidade, rompimento de barragens de rejeitos, entre outros.

Além disso, é uma atividade com riscos sociais pelos impactos significativos nas comunidades locais e historicamente ligada à exploração de mão de obra precária em diversos lugares do mundo. E como uma joalheria pode evoluir em sustentabilidade?

Prata e ouro 100% reciclados e diamantes de laboratório

Reconhecendo que sua atividade possui alto impacto socioambiental, a Pandora trabalha para minimizar sua pegada de carbono através de desenvolvimento de novas tecnologias e inovação.

Em 2020 a joalheria anunciou sua meta de suspender o uso de metais preciosos recém extraídos e usar apenas ouro e prata 100% reciclados até 2025. Segundo o CEO da empresa, Alexander Lacik, o uso de metais reciclados não interfere na qualidade das joias produzidas:

“Os metais extraídos séculos atrás são tão bons quanto os novos”, disse ele em um comunicado. “A necessidade de práticas de negócio sustentáveis se torna cada vez mais importante”, completou.

Hoje, a proporção dos metais reciclados usados na produção da Pandora é de 61% de ouro e prata, segundo seu Relatório de Sustentabilidade 2022. Além disso, a empresa reportou nesse mesmo relatório que recicla 99,6% de todo o resíduo gerado em seu processo produtivo.

Em maio de 2021, a Pandora deu mais um passo no caminho da inovação com o anúncio que vai deixar de utilizar diamantes extraídos de minas em suas joias, para passar a comercializar apenas diamantes produzidos em laboratório.

A introdução é um marco para o maior mercado de diamantes do mundo, os Estados Unidos, onde mais consumidores agora poderão comprar joias com diamantes.

“O futuro do luxo está aqui hoje. Os diamantes criados em laboratório são tão bonitos quanto os diamantes extraídos da mina, mas estão disponíveis para mais pessoas e com menos emissões de carbono. Estamos orgulhosos de ampliar o mercado de diamantes e oferecer joias inovadoras que definem um novo padrão de como a indústria pode reduzir seu impacto no planeta”, disse Lacik.

Os diamantes criados em laboratório são idênticos aos extraídos de minas, porém são cultivados em algumas semanas, enquanto um diamante natural é formado entre 800 milhões a 3 bilhões de anos e tem um estoque finito, segundo Edahn Golan, analista independente da indústria de diamantes.

Eles têm as mesmas características ópticas, químicas, térmicas e físicas e são classificados pelos mesmos padrões conhecidos como 4Cs – corte, cor, claridade e quilate.

Os diamantes criados em laboratório da Pandora são cultivados, cortados e polidos usando 100% de energia renovável e têm uma pegada de carbono de apenas 8,17 kg CO 2 e por quilate – cinco por cento da de um diamante extraído.

Dessa forma a empresa vem fazendo progresso significativo com objetivo de tornar-se um negócio de baixo carbono, circular, inclusivo, diverso e justo.

Ratings e Indicadores ESG da Pandora

As ações da Pandora são negociadas na Bolsa da Dinamarca, a Copenhagen Stock Exchenge (CSE), atualmente Nasdaq Copenhagen, com o ticker PNDORA, e seus ADRs na Nasdaq com o ticker PANDY.

SUSTAINALYTICS ESG RISK RATINGS

Rating: AAA (novembro/2022)

Classificação: Líder entre 27 empresas do setor Têxtil e Vestuários

Questões de destaque: Governança Corporativa, Conduta Corporativa, Gestão do Trabalho e Fornecedores.

SUSTAINALYTICS ESG RISK RATINGS

Risk Rating: 12.1 – Baixo Risco (dezembro/2022)

Classificação global: 11ª de 194 empresas do setor Têxtil e Vestuários

OBJETIVOS DE DESENVOLVMENTO SUSTENTÁVEL (ODS)

Alinhado*: 5 – Igualdade de Gênero, 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico, 10 – Redução das Desigualdades, 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes

*segundo MSCI SDG Net Alignment

 

Written By
Jose Aureo Viana Jr

Economista formado pela Universidade Estadual Paulista. Certificação em planejamento financeiro, CPA-20 e ANCORD®. Sócio e Assessor de Investimentos Blue3 Investimentos.