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PMI industrial do Brasil cai para 44,2 em dezembro

PMI industrial do Brasil cai para 44,2 em dezembro
  • Publicado em 2 de janeiro de 2023

Segundo a S&P Global Brazil Manufacturing, o setor industrial do Brasil encerrou 2022 em uma condição delicada, com uma terceira queda consecutiva em novos negócios impulsionando o declínio mais acentuado na produção desde maio de 2020.

Com os clientes adiando ou cancelando as compras em meio à incerteza fiscal e econômica, as empresas reduziram novamente os níveis de compra e o quadro de funcionários efetivos.

A demanda fraca de insumos, por sua vez, levou a uma melhoria recorde nos prazos de entrega dos fornecedores. Os dados de dezembro também mostraram um novo aumento, embora moderado, tanto nos preços de insumos quanto nos custos de produção.

Para Pollyanna De Lima, Diretora Associada de Economia da S&P Global Market Intelligence, a pesquisa PMI mostra que clientes e fabricantes continuam ansiosos em relação às futuras políticas públicas e à resiliência da economia, com essas preocupações mantendo o setor firmemente contraído em dezembro.

“Embora as vendas tenham sido canceladas ou adiadas, as empresas pelo menos esperavam que uma maior clareza nos próximos meses sustentasse melhores perspectivas de crescimento”, ressalta.

Com 44,2 em dezembro, o Índice Gerente de Compras, sazonalmente ajustado, do setor industrial para o Brasil (PMI®) da S&P Global teve uma pequena alteração em relação a 44,3 em novembro e, portanto, marcou a segunda deterioração mais rápida na saúde do setor desde maio de 2020.

Além disso, a média do PMI para o quarto trimestre foi a mais baixa desde o segundo trimestre de 2020.

Os fabricantes de produtos reduziram a produção em dezembro devido ao menor volume de vendas. A queda foi a segunda em meses consecutivos e a mais acelerada em mais de dois anos e meio.

As empresas indicaram que a incerteza econômica e das políticas públicas diminuiu as vendas em dezembro, com os clientes frequentemente cancelando ou adiando as compras.

Apesar de ter diminuído em relação a novembro, a taxa de contração foi acentuada e a segunda mais rápida desde maio de 2020.

Pollyana ressalta que “as empresas brasileiras foram cautelosas com suas expectativas e focadas no aqui e agora”.

“Com as atuais vendas e exportações caindo de forma acentuada, houve novos cortes na produção, na compra de insumos e no emprego. O apetite por manter estoques também se dissipou em dezembro”, salienta.

As vendas internacionais voltaram a pesar nos novos negócios em geral.

O índice de novos pedidos para exportação caiu em um dos maiores graus já vistos desde o início da coleta de dados, há quase dezessete anos.

As empresas relataram uma demanda fraca da Europa, América Latina e Estados Unidos.

Declínios contínuos em novos pedidos resultaram em outra contração no quadro de funcionários efetivos. O emprego caiu de forma sólida e em um ritmo mais rápido em dois anos e meio.

As empresas também reduziram a compra de insumos no final de 2022, estendendo o atual período de contração para três meses.

A taxa de redução foi acentuada e a segunda mais acelerada desde maio de 2020.

A demanda fraca de insumos, por sua vez, aliviou toda pressão sobre a capacidade dos fornecedores.

A média dos prazos de entrega diminuiu pelo segundo mês consecutivo e em um ritmo de valor recorde da pesquisa.

Os fabricantes de produtos brasileiros também sinalizaram excedente de capacidade entre si, conforme evidenciado por outro declínio nos negócios pendentes.

A queda foi a décima nona no mesmo número de meses e uma das mais fortes em quase dezessete anos de coleta de dados.

Em outros lugares, houve declínios consecutivos nos inventários de insumos em dezembro. Além disso, a taxa de redução foi sólida e a mais acelerada em dois anos.

De acordo com os participantes da pesquisa, os estoques foram reduzidos conforme o enfraquecimento da demanda.

Os estoques de produtos acabados também sofreram redução em dezembro, encerrando uma sequência de sete meses de acúmulo.

A redução nesse caso também foi associada a vendas fracas.

Entretanto, a taxa geral de redução foi apenas superficial.

Desvalorização do real, escassez de componentes e preços crescentes para alguns itens foram citados como fatores que levaram a um novo aumento nos custos.

A recuperação foi modesta no contexto dos dados históricos, porém comparada a quedas nos dois meses anteriores.

Da mesma forma, os preços de venda aumentaram pela primeira vez em três meses, embora moderadamente.

Algumas empresas procuraram transferir os aumentos de custos para seus clientes, enquanto outras contiveram o aumento de seus honorários em meio a tentativas de estimular a demanda.

Por fim, houve uma melhora na confiança nos negócios em dezembro à medida que as empresas esperavam que políticas públicas favoráveis e relações internacionais fossem um bom presságio para as perspectivas de crescimento.

Planos de expansão, investimentos, diversificação de produtos e antecipação de vendas maiores também aumentaram o otimismo.

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Redação It's Money

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