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Quando a inflação já está no preço

Quando a inflação já está no preço
  • Publicado em 11 de outubro de 2022

Terça-feira, véspera de feriado e a palavra do dia deve ser cautela. Com divulgações relevantes por aqui, destaque para o IPCA, e lá fora, investidores seguem receosos com dados de inflação nos EUA que começam a sair a partir de amanhã. Além disso, a escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia no leste europeu segue preocupando investidores.

Abertura do mercado no Brasil

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Por aqui, às 9h deve ser divulgado o IPCA do mês de setembro. As estimativas dão conta que teremos o terceiro mês consecutivo de deflação, com queda de 0,33% nos preços. Os juros futuros seguem se ajustando ao dado de inflação, e esperamos que caso confirmada, a deflação deve voltar a fechar os futuros.

O tom no dia de hoje deve ser de cautela, acompanhando o resto do mundo, que monitora dados de inflação nos EUA, e o conflito no leste europeu.

No campo político o mercado segue monitorando a agenda política dos candidatos, à medida que nos aproximamos do pleito. Pesquisas continuam dissonantes entre si, com resultados mais apertados, enquanto, Ipec segue mostrando ampla vantagem para o candidato petista.

Ainda nessa manhã o Tesouro deve fazer oferta de pós-fixados, com LFT para o vencimento de 2029 e NTN-Bs com vencimento em 2027, 2035 e 2060.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, o dia é de espera dos dados de inflação que começam a ser divulgados nessa quarta-feira, com índice de preços ao produtor, o PPI, além da ata do Fomc, documento que deve trazer clareza para as discussões do último encontro que definiram por novo aumento de 75 pontos-base. Na quinta-feira é a vez do CPI, o índice de preços ao consumidor.

Por lá, a atenção se mantém aos discursos de membros do FED, que têm vindo a público justificar o caminho da política monetária no país. Atualmente, os juros futuros precificam um novo aumento de 75 bps já no próximo encontro, e em dezembro, mais 50 bps, levando as taxas a 4,25%.

Essa semana marca ainda o início da temporada de resultados do terceiro trimestre nas bolsas americanas. As divulgações começam amanhã, mas na quinta, são os resultados dos bancos que prometem movimentar o mercado.

Outro destaque do dia é a intensificação do conflito no leste europeu, com novos bombardeios russos à Ucrânia. O conflito que volta a escalar traz ainda mais receio ao cenário econômico e deve minguar a liquidez dos mercados, por enquanto.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou o pregão de ontem com leve queda de 0,37%. O movimento na renda variável foi influenciado por investidores ainda na expectativa de dados de inflação, e com exterior inspirando maior aversão ao risco.

Na manhã de hoje, às 9h o IBGE deve divulgar o IPCA referente ao mês de setembro. Caso se confirmem as expectativas deflacionárias, a resposta da bolsa promete ser positiva.

Ainda assim, a palavra de ordem é cautela e gerenciamento de risco. Isso porque, com cenário externo tumultuado, o Brasil deve absorver parte dessa volatilidade.

Análise técnica Ibovespa

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O Ibovespa, analisando o gráfico diário, apresentou o segundo dia de queda consecutivo fechando nos 115.940 pontos. Isso reforça a probabilidade de uma correção nos próximos dias, em que o índice pode buscar a região dos 114.070 pontos.

A perda da mínima do pregão de ontem, nos 115.260 pontos, aumenta essa expectativa de repique de baixa no curto prazo. Já para a retomada de um cenário mais positivo, o índice deve voltar a ser negociado nos 118.380 pontos.

Mercado Externo

Nos EUA, o S&P 500 encerrou as negociações de ontem com queda de 0,75%. O índice de ações norte-americano segue cambaleando, e aguarda sinais mais positivos do FED e de empresas que passam a reportar resultados já nessa semana.

Por lá o tom de pessimismo ganha força depois que o presidente do JPMorgan trouxe suas perspectivas para o mercado de ações norte-americano. Com visão negativa o executivo segue acreditando que é o FED quem deve garantir a saúde do mercado, e reforçou que enxerga potencial de queda de mais 20% no S&P 500, caso o FED não amenize o ritmo de apertos e garanta o pouso suave.

Análise técnica S&P500

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O S&P500 fechou o pregão de ontem em uma leve baixa nos 3.615 pontos. Em que chegou a testar um nível de preço importante nos 3.590 pontos.  Dessa forma, a expectativa no curto prazo segue sendo mais negativa, mas deve-se ficar atendo a esse nível.

Vale salientar que a perda dos 3.560 pontos, aumentaria a probabilidade desse movimento de queda continuar. E para a retomada de uma expectativa mais positiva, o índice deve voltar a ser negociado nos 3.800 pontos.

Commodities

O minério de ferro reverteu os ganhos de ontem e fechou a madrugada em Singapura em queda. O desempenho da commodity acabou sendo afetado por novas restrições de circulação na China, no combate à covid-19. Depois do feriado da Semana Dourada, que, usualmente registra o segundo maior fluxo de pessoas no gigante asiático, era esperada uma escalada nos casos da doença altamente contagiosa. Às vésperas do Congresso do Partido Comunista Chinês, o país não quer arriscar um novo surto de covid-19 que afetaria a imagem do partido, por isso, as medidas de restrição, agora, devem ser ainda mais agressivas.

O petróleo opera em queda nessa manhã de terça-feira. Os temores de que o corte de produção voltasse a puxar os preços para cima, trouxeram maior receio por parte da demanda. Junta-se a isso, ainda, a paralisação de atividades em grandes centros urbanos chineses, e a expectativa é que a demanda continue apertada.

Análise técnica petróleo

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O petróleo, analisando o gráfico diário, fechou o pregão de ontem em queda nos USD 95,11/barril. Em que, a perda dos USD 94,87/barril se aumenta a expectativa de um repique de baixa nos próximos dias.

Após esse longo movimento de alta com cinco dias consecutivos, é saudável uma correção no tempo (movimento mais lateral) ou no preço (buscando os USD 93,85/barril) para continuar a tendência de alta no curto prazo.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação que possa afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

As informações, estimativas e projeções contidas neste relatório referem-se à data de publicação e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal alteração.

As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.