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Risco sacado: o que é e como funciona essa operação?

Risco sacado: o que é e como funciona essa operação?
  • Publicado em 2 de abril de 2024

Risco sacado pode até não ser um tema familiar para investidores que estão começando a explorar o universo financeiro. No entanto, é um conceito crucial com impacto significativo nas decisões de investimento.

Portanto, vamos mergulhar nesse tópico para entender o que ele realmente significa e por que é tão importante. Acompanhe!

Risco sacado: o que é

O risco sacado é uma operação financeira que permite aos fornecedores de uma empresa receberem pelos seus serviços ou produtos antes do prazo de vencimento. O termo também é conhecido como forfait ou confirming.

Essa forma de crédito beneficia fornecedores que necessitam de recursos imediatos e não têm condições de aguardar o período de pagamento determinado pela empresa que comprou.

Além disso, a antecipação de pagamentos futuros pode fornecer recursos para uma empresa investir em diferentes setores.

Como funciona o risco sacado

O riso sacado funciona assim:

  1. A empresa que compra ou contrata um serviço estipula um prazo para realizar o pagamento. Contudo, o fornecedor pode enfrentar dificuldades financeiras para esperar até essa data.
  2. Para contornar essa situação, o fornecedor opta por antecipar o valor que tem a receber. Ele faz isso através de uma instituição financeira sugerida pela empresa compradora, pagando uma taxa por essa antecipação (juros).
  3. A antecipação do valor pode ser realizada tanto pela instituição financeira indicada, quanto pela própria empresa que fez a compra, já com a dedução dos juros acordados.
  4. Quando o prazo de pagamento se concretiza, a empresa compradora realiza o pagamento à instituição financeira, encerrando assim a operação conhecida como risco sacado.

 Risco sacado: fonte financiadora é uma instituição financeira

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Fonte: Jornal Contábil

Risco sacado: quando a empresa financia o fornecedor

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Fonte: Jornal Contábil

Exemplos de risco sacado

Para ilustrar como funciona o risco sacado, vamos considerar três exemplos distintos: Americanas, Banco do Brasil e Itaú.

Risco sacado Americanas

O risco sacado da Americanas foi uma estratégia financeira na qual a empresa oferecia essa opção após contato com os fornecedores, que frequentemente aceitavam para evitar o risco de inadimplência.

Contudo, a forma como a Americanas registrava essa operação em seus balanços gerou controvérsias e um rombo de quase R$20 bilhões.

A empresa cadastrava as operações de risco sacado na seção de Fornecedores. Ao fazer isso, a Americanas ocultava os valores devidos dos seus demonstrativos, reduzindo seu endividamento de certa forma.

Essa abordagem contábil levou a debates e questionamentos sobre a legalidade da operação, culminando em um relatório sigiloso que confirmou a prática como fraudulenta.

Risco sacado Banco do Brasil

Como você viu, as empresas podem indicar instituições financeiras para a realização do risco sacado por parte dos fornecedores. Nesse sentido, o Banco do Brasil é bastante utilizado para este tipo de operação.

Ao utilizar o serviço do Banco do Brasil, uma empresa precisa atender a certos requisitos, que podem variar conforme a modalidade escolhida.

Geralmente, a empresa deve ser uma grande compradora, ter um relacionamento comercial sólido com os fornecedores, apresentar documentação financeira completa e estar em dia com obrigações fiscais.

Além disso, é necessário ter uma conta corrente no Banco do Brasil para realizar as operações.

Risco sacado Itaú

Semelhante ao risco sacado do Banco do Brasil, para acessar o serviço de antecipação a fornecedores do Itaú, a empresa geralmente precisa ter um relacionamento comercial saudável com fornecedores, documentação financeira atualizada, boa saúde financeira e contrato de fornecimento vigente.

Também deve estar em dia com obrigações fiscais e ter uma conta corrente no Itaú. Como aqui os requisitos também podem variar, é aconselhável consultar o banco para detalhes específicos.

Vantagens e desvantagens do risco sacado

Ao antecipar recebíveis, o risco sacado traz vantagens e desvantagens para empresas compradoras e fornecedores.

Por isso, é interessante entender os benefícios gerados pelo recurso a cada uma das pontas. Vejamos:

Vantagens para empresas compradoras (âncoras)

  • Mais flexibilidade nos prazos de pagamento.
  • Oportunidade de estender prazos, otimizando o fluxo de caixa.
  • Fortalecimento na negociação.
  • Diminuição de débitos com fornecedores.

Vantagens para fornecedores

  • Acesso rápido a capital, aumentando a liquidez.
  • Vantagens fiscais, como a isenção do IOF.
  • Menos espera por prazos extensos de pagamento.
  • Reforço na negociação com a empresa âncora.

Desvantagens para empresas compradoras (âncoras)

  • Pode afetar o fluxo de caixa futuro.
  • Necessidade de depender de bancos para a transação.

Desvantagens para fornecedores

  • Dependência da empresa âncora para concluir a transação.
  • Risco de não receber da empresa compradora.
  • Pode afetar relações com outros parceiros.

Dessa forma, é crucial que as empresas ponderem os prós e contras antes de adotar como estratégia financeira. A execução correta é vital para evitar complicações, como ocorreu com a Americanas.

Risco sacado: nova norma para 2024

Para evitar com que fraudes aconteçam, o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb) publicou novas regras para o risco sacado, que entrarão em vigor a partir de 2024.

Em resumo, essas novas normas exigirão que as empresas divulguem mais informações sobre suas operações nas demonstrações financeiras anuais.

A medida incluirá informações como os termos e condições das transações com fornecedores, prazos para pagamentos, representação do risco sacado nos fluxos de caixa do balanço e possíveis riscos de liquidez. O objetivo é proporcionar maior clareza e confiança ao mercado financeiro.

Risco sacado e investimentos: o que muda e como investir bem

As novas normas para o risco sacado de 2024 têm o potencial de impactar o mercado de investimentos. Isso porque, haverá uma redução de distorções nos resultados financeiros das companhias e o investidor poderá decidir onde aplicar o seu dinheiro a partir de informações mais precisas.

Afinal, com mais transparência sobre as transações que as empresas têm com seus fornecedores e com instituições bancárias, os investidores terão uma visão mais clara do potencial dos ativos que deseja comprar.

É fundamental fazer uma análise cuidadosa para investir bem em ações de empresas que adotam a operação como parte de sua rotina financeira, seja como tomador ou fornecedor desse crédito.

Nesse sentido, leve em consideração os seguintes aspectos:

  • Certifique-se de que a empresa emprega a estratégia de maneira correta e prudente, prevenindo contratempos financeiros e contábeis, como aconteceu com a Americanas, por exemplo.
  • Investigue se o risco sacado é usado como meio de captação de recursos para investimentos em novos setores, o que pode impulsionar o crescimento da empresa.
  • Examine se o mesmo é adotado para otimizar o fluxo de caixa e estender prazos de pagamento, beneficiando a administração financeira da empresa.
  • Observe se há uma recorrência e volume elevado no uso, o que pode sinalizar uma dependência excessiva deste tipo de crédito.
  • Verifique se a empresa está comunicando de forma transparente suas operações nas demonstrações financeiras, em conformidade com as normas contábeis que serão implementadas em 2024.

E, por último, mas não menos importante, consulte uma assessoria financeira como a Blue3 Investimentos para orientação embasada e eficiente.

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Redação It's Money

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