Análises Morning Call

Semana de apertos

Semana de apertos
  • Publicado em 19 de setembro de 2022

Começando mais uma semana, e dessa vez o centro das discussões são os bancos centrais. Apesar da agenda de indicadores esvaziada, a semana traz decisões de política monetária no Brasil, nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido e outras economias europeias.

É esperada muita volatilidade, em espacial, a partir de quarta, quando acontecem as principais divulgações.

Abertura do mercado no Brasil

abertura-do-mercado-19-de-setembro_its-money.png

No Brasil, a semana não traz indicadores relevantes, mas será fundamental para os mercados e para construção das perspectivas econômicas do país daqui em diante. Nos dias 20 e 21 o Banco Central do Brasil se reúne no Copom, o Comitê de Política Monetária, em que dirigentes da instituição discutem nova decisão sobre juro no país, a taxa Selic. 

Por aqui o BC iniciou o atual movimento de alta na taxa básica em março de 2021, e o ciclo de apertos continua até hoje, saindo de 2% para os atuais 13,75%. A dúvida que permanece é se a decisão de quarta-feira encerrará esse movimento, como tem esperado os mercados, ou se veremos um novo aumento residual, dessa vez de menor magnitude, levando a taxa a 14% a.a..

Apesar dos dados de inflação indicando controle nos preços, a natureza das marcações deflacionárias nos índices de inflação preocupa. Os dados mostram arrefecimento em núcleos como transporte e comunicação, diretamente afetados por cortes de impostos. Já os núcleos ligados a serviços, como saúde e vestuário seguem indicando alta nos preços, o que deve adicionar cautela às
decisões do BC.

Outro ponto que chama atenção são os indicadores de atividade do país. Apesar do juro em patamares elevados, o que deveria frear a economia, por aqui, dados de atividade seguem apontando para crescimento, com emprego forte e PIB surpreendendo. Assim, o forte desempenho econômico abre espaço para um BC mais agressivo, o que pode estimular os membros do Copom a
optarem por nova alta.

Opções de Copom negociadas na B3 que mostram as apostas de investidores nas decisões da taxa básica, apontam agora para probabilidade de 60,5% de manutenção da taxa, enquanto indicam 40,29% de chance de aumento de 25 pontos base no próximo encontro.

A decisão divulgada na quarta-feira, às 18h tem impacto direto sobre os mercados e deve balizar o apetite ao risco de investidores. Um novo aumento, deve ser seguido de alta nos juros futuros, enquanto o mercado de ações deve sofrer novo impacto negativo, com fuga de recursos e perspectivas mais negativas decorrentes da maior desaceleração

Curva DI

Na semana passada (11/09 – 17/09) o compasso do mercado era de espera, visto que nessa semana teremos a decisão do FED e do BCB na chamada “Super Quarta”. Na terça-feira, dados do CPI americano (dado de inflação) que ficou em 0,1% vs -0,1% das expectativas marcou uma aversão ao risco que derrubou índices acionários importantes no mundo e no Brasil.

A leitura de que o FED poderia aumentar em 100 bps os juros no dia 21/09 ganharam força durante a semana abrindo margem para a reprecificação de juros também por aqui.

O resultado foi uma leve abertura na curva de juros em praticamente todos os vértices.

Curva de juros um mês atrás (amarelo) uma semana atrás (branco) e no fechamento do dia 16/09.

curva-DI-19-de-setembro_its-money

No tesouro direto os leilões de títulos apresentaram volumes menores do que vinham apresentando e com taxas em alta.

O Tesouro pré 2025 encerrou a semana pagando 12,09% vs 11,69% da semana anterior, pagando novamente o patamar acima de 12% enquanto o vencimento de 2029 12% vs 11,50% uma semana atrás.

A NTB-B com vencimento 2026 fechou a semana pagando IPCA +5,77% vs 5,57% uma semana atrás. O Tesouro IPCA 2035 e 45 pagavam IPCA + 5,89%.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, a semana traz dados importantes sobre o setor imobiliário e de construção civil na quarta-feira, além de índices de gerentes de compras (PMI) de atividades de serviços e indústria que devem sair na sexta. Ainda assim, a expectativa da semana, assim como no Brasil, gira em torno das decisões de política monetária.

Na terça e quarta-feira membros do Federal Reserve (Fed) se reúnem no Comitê Federal de Mercado Aberto, o Fomc, para nova decisão sobre juros.

Mergulhada em um cenário de alta inflacionária e sem sinalizações fortes de arrefecimento nos preços, ou de desaceleração econômica, o banco central norte-americano deve seguir o caminho de apertos.

Por lá as expectativas seguem por um terceiro aumento consecutivo de 75 pontos base. Dados de inflação divulgados na última semana, mostraram alta acima do esperado e trouxeram para a discussão uma possível alta de 100 bps.

Ainda que seja um caminho menos provável, um aperto de maior magnitude, como esse, deve drenar os mercados de risco, e catalisar o movimento de queda dos mercados.

Seguimos enxergando o dólar se fortalecendo nesse cenário de aperto monetário, em especial frente aos emergentes. A agressividade do Fed na subida dos juros deve elevar também os temores de recessão e de uma desaceleração brusca da economia americana, que teria impacto global.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou a última semana no negativo, com queda de 2,69%. O índice foi afetado principalmente por perspectivas de maiores aumentos nos juros norte-americanos, que aumentaram a aversão ao risco, e abriram espaço para um BC mais agressivo também por aqui.

A semana que começa, deve ser guiada pelas decisões de quarta-feira. Até lá o tom dos mercados deve ser de cautela, com investidores atentos às sinalizações dos bancos centrais.

Na quarta-feira, um novo aumento na taxa básica de juros por aqui, deve ter forte impacto negativos sobre o mercado de ações. Os cenários precificados desde o último encontro do Copom, apontavam para o encerramento do ciclo de alta.

Caso não se concretize, investidores devem rebalancear portfólios e se ajustar ao risco.

Análise técnica  Ibovespa

analise-tecnica-ibovespa-19-de-setembro_its-money.png

O Ibovespa, analisando o gráfico semanal, se encontra dentro da quinta semana de correção no médio prazo. Isto é, após uma movimentação de alta, o preço vem corrigindo de uma forma mais lateralizada se aproximando da média móvel.

Por isso, a expectativa é de que o índice continue o movimento de alta após essa correção. O primeiro sinal de retomada da tendência, seria a superação dos 114.160 pontos, nível onde fica interessante olhar para operações na ponta compradora com boa relação Risco x Retorno.

Entretanto, a perda dos 108.500 pontos(mínima da semana passada) já cria um viés mais negativo. Onde o índice, poderia buscar patamares mais abaixo como os 105.100 pontos.

No curto prazo, gráfico diário, o IBOV se encontra em um nível importante dos 109.280 pontos. A perda dos 108.200 pontos aumentaria a expectativa mais negativa.

Mercado Externo

Nos EUA, a semana também foi marcada por queda nos índices de ações. O S&P 500 registrou queda de 4,77% na semana, o pior desempenho desde 17 junho.

Dados de inflação por lá, trouxeram maior receio aos mercados, com descontrole de preços. A perspectiva de que o Fed deve se manter agressivo, e promover novo aumento de 75 bps, ou ainda um aumento de até 100 bps, assustou os investidores.

Com maior aversão ao risco em decorrência dos dados mais recentes, é possível que os mercados acionários norte-americanos só voltem a ganhar força quando houver sinalização clara de encerramento das altas de juros por lá, o que segue fora do horizonte.

Análise técnica S&P500

analise-tecnica-ibovespa-S&P-500-19-de-setembro_its-money.png

O S&P500, pelo gráfico semanal, se encontra dentro de um movimento de baixa, onde ao perder os 3.880 pontos na semana passada, reforça uma expectativa mais negativa. Isto é, o índice pode buscar patamares mais abaixo como os 3.680 pontos no médio prazo.

Esse movimento de baixa já representou uma queda de 11,33%, considerando seus extremos. Isso mostra que apesar da forte movimentação de alta no mês de agosto, o índice pode retomar a tendência de baixa no médio prazo ao perder os 3.680 pontos.

Olhando para o curto prazo, visão para os próximos dias, o índice perdeu os 3.900 pontos que é uma região importante. Isso faz com que a expectativa continue mais negativa. Porém, após esse movimento forte de baixa, aumenta a expectativa de uma possível correção no preço ou tempo.

Isto é, a perda dos 3.835 pontos confirma um cenário mais negativo no curto prazo. Enquanto a superação dos 3.890 pontos indica que o índice pode passar por uma possível correção.

Commodities

O minério de ferro encerrou a madrugada negociado em queda em Singapura. Mesmo com perspectivas de melhora nas restrições à covid-19 na China, os riscos de recessão e a semana tomada por controle de risco, tem mantido os mercados mornos, à espera das decisões de quarta-feira.

Com isso, seguem os temores de desaceleração econômica global, e o cenário apertado para a commodity continua.

O petróleo opera no negativo nessa manhã de segunda-feira. Assim como o minério a commodity deve ser pressionada pela semana marcada por decisões de política monetária. Fortemente ligado ao desempenho das economias globais, os maiores apertos ameaçam a demanda por petróleo.

Vale ficar de olho as decisões dessa semana e monitorar o tom dos discursos dos principais bancos centrais, para entendimento do cenário futuro da commodity.

Análise técnica petróleo

analise-tecnica-petroleo-19-de-setembro_its-money.png

O petróleo, pelo gráfico semanal, se encontra na terceira semana de queda consecutiva. Em que essa queda acumulada chegou a representar, em seu ponto máximo, -12,19%.

Ao perder a região dos USD 91,70/barril manteve a expectativa mais negativa, de continuar a tendência de baixa que se encontra no médio prazo. Onde, o próximo patamar importante mais abaixo seria os USD 86,81/barril.

No curto prazo (gráfico diário), a probabilidade maior é de que o petróleo continue o movimento de baixa, mesmo com o fechamento em alta na última sexta feira. Isto é, maior chance de que busque a região dos USD 86,81/barril.

Written By
DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.