Análises Morning Call

Semana de feriados e atenção na liquidez

Semana de feriados e atenção na liquidez
  • Publicado em 5 de setembro de 2022

Começando mais uma semana, dessa vez com dados de inflação no Brasil, índices de gerentes de compras (PMIs), e nos EUA a divulgação do Livro Bege e o discurso de Jerome Powell devem movimentar uma semana marcada por feriados.

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Abertura do mercado no Brasil

No Brasil, em uma semana que deve ser dividida ao meio pelo feriado de 7 de setembro, o calendário de divulgações é dominado pelo reporte de índices de gerentes de compras (PMI). Nesta segunda-feira, deve ser divulgado às 10h o PMI do setor de serviços.

Vale lembrar que o índice oferece sinalização sobre o desempenho da atividade econômica, com marcações acima de 50 indicando expansão, enquanto valores abaixo dessa marca indicam retração.

Vale ficar de olho nesse dado, uma vez que são os núcleos ligados a serviços que têm mostrado maior dificuldade de arrefecimento de preços nas últimas divulgações do IPCA.

Além disso, a semana deve ser movimentada novamente por dados de inflação. Na quinta-feira, deve ser divulgado o IGP-DI, calculado pela FGV, e com estimativa de deflação e 0,44% no mês de agosto. Já na sexta-feira, deve sair o dado mais aguardado da semana, o IPCA de agosto.

O índice utilizado como referência oficial de inflação deve ser divulgado na manhã de sexta pelo IBGE. Pelo segundo mês consecutivo, a expectativa é de redução nos preços, com deflação de 0,39%.

No último mês o índice de preços já havia mostrado deflação de 0,68%, a maior desde o início da série.

Agora, as projeções continuam indicando queda nos preços, impulsionada, principalmente, pelos núcleos de transportes e habitação, diretamente impactados pelos cortes de impostos promovidos no último mês.

As marcações de inflação que seguem mostrando desaceleração nos preços devem ser o catalisador do Banco Central nas decisões de juros para as próximas reuniões.

O próximo encontro do Copom, marcado para 20 e 21 de setembro deve sinalizar o fim do ciclo de alta no juro básico, com manutenção da taxa em 13,75% a.a.

Para encerrar, a semana deve ser movimentada pela agenda política que continua ganhando força à medida que nos aproximamos de 2 de outubro.

feriado de 7 de setembro deve ser marcado por atos políticos que podem reverberar na esfera econômica e afetar o desempenho da bolsa, juros futuros e de nossa moeda.

Curva DI

Em uma semana um pouco mais tranquila, os DIs apresentaram fechamento em toda sua extensão com noticiário repercutindo crescimento acima do esperado no PIB e novas reduções no valor de combustíveis, importante para controle da inflação.

Em branco, a curva de juros observada uma semana atrás. Em verde, o fechamento do dia 02/09.

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Nos títulos públicos, o leilão de LTN do dia 01/09, houve melhor volume do que observado no leilão de NTN-F. No geral observou-se queda nas taxas em relação a uma semana atrás.

O Tesouro pré 2025 encerrou a semana pagando 11,79% vs 12,13% da semana anterior, enquanto o vencimento de 2029 pagava 11,80 vs 12,16% uma semana atrás.

A NTB-B com vencimento 2026 fechou a semana pagando IPCA + 5,63%. O Tesouro IPCA 2035 e 45 pagavam IPCA + 5,76%, todas as taxas com queda versus uma semana atrás.

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, a semana começa devagar com feriado nessa segunda-feira para comemorações do dia do trabalho.

Sem negociações ou divulgações marcadas para o dia de hoje, a liquidez global deve ser afetada com a pausa de seu maior mercado.

Ainda na esteira da sexta-feira, essa semana deve começar com investidores processando os dados de payroll.

Os números divulgados mostraram geração de empregos levemente acima das projeções, com 311 mil novos cargos.

Dados de salários que não registraram alta na comparação mensal e o aumento tímido no desemprego, para 3,7% tiraram pressão da geração de empregos maior que o esperado.

Dessa forma, com divulgação em linha com as expectativas, os dados da última semana não foram suficientes para precificar um novo cenário de juros nos EUA, que seguem com um terceiro aumento consecutivo de 75 pontos base no horizonte.

Essa semana deve trazer ainda dados de índices de gerentes de compras (PMI) por lá, com dados de serviços e o índice composto, sendo divulgados na manhã de terça-feira.

Por fim a semana deve ser movimentada com a divulgação do Livro Bege, documento que compila a condição econômica da região dos 12 distritos do Federal Reserve (Fed).

O relatório deve ser um acompanhado do discurso de Lael Brainard, vice-presidente do Fed, que deve trazer perspectivas sobre a situação econômica do país.

Já na quinta-feira, os olhos e ouvidos do mundo se voltam para o primeiro discurso de Jerome Powell desde o Simpósio de Jackson Hole.

O presidente do banco central norte-americano participa de evento sobre política monetária, e a expectativa é de que as falas do chairman voltem a reforçar as perspectivas de maior aperto monetário.

Abertura do mercado na Europa

A semana no continente europeu promete ser movimentada com divulgações relevantes sobre a situação econômica da região.

Nesta segunda dados de PMI de serviços foram divulgados agora pela manhã na zona do euro, e mostraram retração maior que o esperado na atividade da região.

Na quarta-feira deve ser divulgado o PIB do segundo trimestre da zona do euro que trará maior clareza ao desempenho econômico da região que tem sido duramente afetado pela alta nos preços e degradação da qualidade de vida, tudo isso em meio a uma crise energética.

Ainda na zona do euro, na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) se reúne para nova decisão sobre juros por lá. A expectativa é de alta de 75 pontos base, na tentativa de contar as pressões inflacionárias na região.

E para completar os desafios do continente, a estatal energética russa, Gazprom anunciou a interrupção do fornecimento de gás para a Europa por tempo indeterminado.

O movimento vem depois que líderes do Grupo dos Sete anunciaram um preço teto para os preços do petróleo russo.

Mercado Interno

Na última semana o Ibovespa completou em queda fechando em 1,28% no negativo.

As fortes pressões negativas que emanam do exterior prejudicaram o índice na última semana, assim como o fraco desempenho das commodities, afetado por desaceleração da China e maiores riscos de recessão.

Apesar disso, a bolsa brasileira segue entregando desempenho sólido com expectativa de encerramento do ciclo de alta de juros por aqui, o que tem contribuído para fluxos de capital na direção do Brasil.

Análise técnica Ibovespa

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O IBOV, pelo gráfico semanal, segue fazendo um movimento de correção após uma forte alta.

Por enquanto, as expectativas seguem mais positivas em que é possível mais uma semana de correção para posteriormente voltar a tendência de alta.

O índice não perdeu a média móvel, o que favorece o cenário positivo. Essa correção pode buscar dos 109.390 pontos.

Além disso, hoje é feriado nos Estados Unidos, portanto as expectativas para hoje são de um mercado mais morno. Ou seja, um mercado com pouco volume.

Mercado Externo

Nos EUA o índice S&P 500 completou a terceira semana no negativo com queda de 3,29% As ações norte-americanas ainda amargam as dores do rali de juros nos EUA, que ainda não apresenta sinais de encerramento no horizonte.

Com isso a expectativa segue negativa para os índices americanos. Vale ficar atento com o feriado no dia de hoje que interrompe as negociações por lá e deve tirar liquidez dos mercados.

Análise técnica S&P500

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O S&P500, analisando o gráfico semanal, segue dentro de um movimento de correção no médio prazo.

Essa correção já está testando o último nível de retração de Fibonacci, nos 3.900 pontos. Isso implica que para a retomada de tendência de alta, esse seria um nível interessante.

Pois, caso continue em queda, aumenta-se a expectativa negativa. Porém, falando em termos de operações, ainda não há sinal de reversão do movimento de correção. Portanto o ideal seria aguardar.

Commodities

O minério de ferro completou a madrugada de hoje em forte alta. A commodity tenta se recuperar do forte movimento de queda das últimas semanas, com desaceleração da atividade chinesa, e em meio ao fechamento de centros urbanos para o combate à covid-19.

Ainda assim, dados de PMI de serviços voltaram a trazer algum ânimo para a economia do país e perspectivas de retomada da demanda por aço com período de aquecimento da atividade imobiliária no país ajudam a commodity a se recuperar.

O petróleo opera em alta nessa manhã de segunda-feira com cenário ainda muito incerto, mas pressões vindas do leste-europeu continuam adicionando tensão ao cenário de preços da commodity.

Vale lembrar que outro agente que deve movimentar os preços hoje e ao longo da semana é a reunião da Opep+, que está acontecendo nessa manhã.

O tema das discussões deve girar em torno do controle de produção com possível redução para promover maior estabilidade nos preços.

Com isso, decisões da reunião de hoje podem impactar diretamente os preços do petróleo.

Análise técnica petróleo

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O petróleo, analisando o gráfico semanal, está passando por uma lateralização no médio prazo. Em que, o ativo se encontra entre as médias móveis de curto e médio prazo.

Isto é, costuma ser uma região onde o preço fica mais travado e o ideal é aguardar o ativo sair dessa região.

A perda dos USD 91,57/barril aumenta a expectativa mais negativa, retomando a tendência de baixa.

Enquanto a superação dos USD 103,07/barril gera um viés mais positivo, pois anularia a tendência de baixa em que se encontra.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia;
  • Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.