Análises Morning Call

“Super quarta” com tempero russo!

“Super quarta” com tempero russo!
  • Publicado em 21 de setembro de 2022

A “super quarta” chegou! O dia que marca as decisões de política monetária do Banco Central do Brasil, e do Federal Reserve (banco central norte-americano), deve impactar os mercados e trazer maior clareza sobre as perspectivas econômicas de cada país.

A data que naturalmente gera fortes movimentações nos mercados recebeu um tempero russo que traz uma dose adicional de volatilidade, após falas de Putin mobilizando tropas para nova ofensiva sobre a Ucrânia.

Abertura do mercado no Brasil

No Brasil, o dia deve ser marcado por investidores em compasso de espera. No campo de indicadores o dia, assim como tem sido ao longo da semana, segue No Brasil, o dia deve ser marcado por investidores em compasso de espera.

No campo de indicadores o dia, assim como tem sido ao longo da semana, segue esvaziado, mas com divulgação às 10h, pelo BC, de dados de fluxo cambial. Mas, sem rodeios, o que deve movimentar o dia são expectativas de juros por aqui, além da decisão de juros nos EUA.

Hoje se encerra o Copom, o Comitê de Política Monetária, que reúne economistas do BC para tomada de decisão sobre juros por aqui. A divulgação do veredicto do encontro é divulgada após as 18h, quando fecham os mercados, o que alivia as negociações de hoje do impacto da decisão do fim do dia.

Amanhã, no entanto, investidores devem ajustar portfólios ao novo cenário desenhado pelo Banco Central. A expectativa segue sendo de encerramento do atual ciclo de alta nos juros. O movimento que teve início em março de 2021, trouxe a taxa básica de juros de 2% a.a. para os atuais 13,75% a.a..

O consenso de mercado indica que a taxa deve permanecer nesse patamar e aguarda indicação do Banco Central de que deve permanecer nesse nível por mais tempo.
Esse é o cenário que tem sido precificado por investidores.

Uma surpresa, mesmo que através de um aumento tido como residual, no caso de 25 pontos base, deve frear os mercados por aqui, e movimentar recursos de ativos mais expostos ao risco.

O dia de hoje, no entanto, deve ser movimentado pela decisão de juros no EUA. O anúncio do FED acontece hoje às 15h, e deve trazer forte volatilidade aos mercados, em especial com o discurso de Jerome Powell, marcado para 15h30.

Resultado do leilão do Tesouro:

  • LFT com vencimento em setembro de 2028: R$ 4,9 bilhões (80,4% da oferta – Taxa 0,1750%);
  • NTN-B com vencimento em maio de 2025: R$ 2,0 bilhões (100% da oferta – Taxa 6,0999%);
  • NTN-B com vencimento em agosto de 2035: R$ 606 milhões (100% da oferta – Taxa 5,8040%);
  • NTN-B com vencimento em maio de 2045: R$ 614 milhões (100% da oferta – Taxa 5,8980%).

Abertura do mercado nos EUA

Nos EUA, o dia, assim como aqui, segue em compasso de espera, até às 15h. Com a decisão do FED marcada para esse horário, os mercados operam com cautela à medida que não só as decisões de juros impactam o dia, mas os ruídos propalados do leste europeu adicionam risco às negociações.

No calendário de indicadores, o dia nos EUA é marcado por informações do setor imobiliário, com dados de vendas de casas existentes às 11h, e estimativas que apontam para retração de 2,3%. Além de dados de juros Além de dados de juros e pedidos de hipotecas.

O setor imobiliário que desencadeou a última grande crise nos EUA, tem mostrado desaceleração que preocupa economistas em meio ao rali de juros. As informações divulgadas hoje ajudam a trazer clareza ao desempenho do setor e às perspectivas futuras.

Voltando ao campo dos juros. O dia é tomado pelas expectativas em torno de um novo aumento de 75 pontos-base pelo FED. O banco central norte-americano, tem caminhado nesse passo nos últimos dois encontros do Fomc, e deve manter o ritmo.

Ainda sem sinais de desaceleração ou controle dos índices de inflação, membros do FED têm repetido que não veremos abrandamento dos apertos até que esses sinais sejam claros. O índice de inflação ao consumidor (CPI) divulgado na última semana, mostrou nova alta, enquanto estimativas apontavam para deflação. A surpresa negativa, surpreendeu os mercados e chegou a ventilar um aperto de 1 ponto percentual pelo FED, já nesse encontro.

Esse último cenário perdeu força gradativamente ao longo dos últimos dias, com dados que indicaram enfraquecimento da economia norte-americana, em especial no setor de varejo. Assim, um FED mais agressivo colocaria em risco a saúde econômica do país, e indicaria uma freada brusca e um pouso nada suave conduzido pelo banco central no combate à inflação.

Os olhos e ouvidos do mundo permanecem atentos, então, à divulgação das 15h, em que um aumento de 75 bps é praticamente tido como dado. Mas mais do que isso, as expectativas giram em torno do discurso de 15h30 do Presidente do FED, Jerome Powel.

No comunicado que promete ser breve, o chairman deve trazer esclarecimentos das escolhas do comitê, além de lançar as bases de discussão para o próximo encontro, e as perspectiva do banco central para a extensão do ciclo de alta.

Rússia

A semana, apesar de agenda de indicadores esvaziada, já prometia forte volatilidade aos mercados com decisões sobre juros no Brasil, nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, e diversas outras economias.

O Presidente russo, Vladimir Putin, no entanto, tinha outros interesses para a semana. O chefe do Estado russo, anunciou em TV em rede nacional uma nova ofensiva à Ucrânia, convocando 300 mil soldados com o objetivo de anexar territórios e proteger a soberania do país.

O Presidente reforçou ainda que o país está em uma guerra contra o ocidente e que deve usar todos os meios necessários para assegurar sua integridade territorial.

O movimento da Rússia trouxe temor aos mercados com o agravamento do conflito e reflete diretamente nos mercados, em especial nos ativos exportados pelos países, com destaque para commodities agrícolas e energéticas, que sobem forte nessa manhã.

Outra série de ativos que acabou beneficiada pelas falas de Putin, são os famosos refúgios de risco, como o ouro, por exemplo, que também negocia no positivo no dia de hoje.

Mercado Interno

O Ibovespa fechou o dia de ontem em alta de 0,62%, na contramão das principais bolsas mundiais. Por aqui, a expectativa com as decisões sobre juros permanece em torno do encerramento do ciclo de alta nas taxas, o que deve ser um estímulo ao risco para investidores.

O dia de hoje promete forte volatilidade, principalmente com a decisão de juros nos EUA, que acontece às 15h. Um aperto de mais 75 bps está precificado, enquanto maior agressividade do FED deve se refletir em maior aversão ao risco.

A decisão do Banco Central do Brasil por sua vez, acontece após o fechamento dos mercados, o que inspira cautela.
Também para hoje, a expectativa é de forte volatilidade trazida do leste europeu.

O Presidente russo, Vladimir Putin anunciou convocação de reservistas para nova ofensiva à Ucrânia e subiu o tom sobre o ritmo do conflito. As falas do chefe de Estado colocaram pressão, em especial sobre commodities agrícolas e energéticas, o que pode beneficiar nossa bolsa fortemente commoditizada.

Análise técnica Ibovespa

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O IBOV, analisando o gráfico diário, está dentro de um movimento forte de alta, em que a expectativa é positiva no curto prazo. Pensando em um nível importante acima, seria a região dos 113.800 pontos.

Isto é, há uma maior probabilidade de o índice busque níveis mais acima. Porém, deve-se tomar cuidado para abrir posições na ponta compradora, pois a relação Risco x Retorno fica desfavorável.

Ou seja, o índice pode apresentar uma correção no tempo (movimento mais lateral) ou no preço (buscando uma média móvel), chegando nos 113.800 pontos.

Mercado Externo

Nos EUA, o índice S&P encerrou o dia de ontem em nova queda, fechando em 1,13% no negativo.

Por lá, o compasso de espera deve se estender até às 15h quando o Federal Reserve anuncia nova decisão sobre juros. A expectativa é que o banco central norte-americano promova novo aumento de 75 bps, levando as taxas para entre 3,00% e 3,25%.

Os olhos e ouvidos do mercado se voltam também para as falas de Jerome Powell às 15h30. O Presidente do FED deve esclarecer as decisões do banco central, bem como trazer sinalizações para os próximos encontros.

Mantemos uma perspectiva negativa sobre os mercados de ações norte-americanos enquanto não houver sinalizações do encerramento do ciclo de alta dos juros por lá.

Análise técnica S&P500

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O S&P500, com a queda apresentada ontem, testou um nível importante nos 3.825 pontos no curto prazo. Entretanto, não conseguiu perder essa região.

Graficamente, o índice está dentro de um movimento longo de baixa, porém já demonstrando um pouco de fraqueza para cair. Isto é, aumenta a expectativa de que o S&P passe por uma correção no tempo (movimento mais lateral) ou no preço (buscando a média móvel).

Vale salientar que no médio prazo a expectativa ainda é mais negativa, onde o índice pode buscar a região dos 3.770 pontos.

Commodities

O minério de ferro completou hoje o sexto dia consecutivo de fechamento negativo em Singapura. A commodity que buscava se recuperar com a retomada do ciclo de construção civil na China, tem tropeçado nas políticas de confinamento do gigante asiático, além de perder força com os recentes problemas com boicotes de hipotecas na China.

O petróleo opera em forte alta na manhã dessa quarta-feira. Apesar da cautela com a espera sobre as decisões de juros nos EUA. As falas do Presidente russo, Vladimir Putin, colocaram forte pressão sobre a commodity.

O discurso de agravamento do conflito indica maior aperto na oferta e risco à capacidade de suprimento do leste europeu, com dois grandes exportadores envolvidos no conflito.

Análise técnica petróleo

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O petróleo, analisando o gráfico diário, se encontra em um movimento mais lateralizado. Isso seria um primeiro sinal do preço de rejeição a queda, onde a expectativa anterior era continuar o movimento de baixa.

A superação dos USD 92,40/barril aumenta a expectativa positiva, e buscando os USD 93,85/barril anula a tendência de baixa que se encontra no curto prazo. No longo prazo, o ativo está passando pelo quarto mês de baixa, sendo uma correção no preço, onde o ativo busca a média.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia;
  • Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

De acordo com o art. 21 da ICVM 598/18, caso o Analista esteja em situação que possa afetar a imparcialidade do relatório ou que configure ou possa configurar conflito de interesse, este fato deverá estar explicitado no campo “Conflitos de Interesse” deste relatório.

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As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

 

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.