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Surprise, surprise!

Surprise, surprise!
  • Publicado em 3 de outubro de 2022

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Macro

Semana começa movimentada com investidores processando o resultado do pleito de ontem, com surpresa em uma disputa mais acirrada do que se imaginava e uma nova eleição que se inicia a partir de hoje, e culmina em 30 de outubro.

Além do aspecto político que deve agitar a semana, no campo de divulgações teremos dados de atividade nas principais economias do mundo, além de empregos nos EUA.

Brasil

Por aqui, o cenário político deve dar o tom da semana.

O mercado busca agora precificar maior competição entre os candidatos, e consequentemente, a certeza de um resultado fica cada vez mais distante.

De forma geral, o mercado deve interpretar como positiva a disputa mais acirrada, por eliminar extremos e forçar que ambos os candidatos adotem tom mais moderado em seus discursos, o que é visto com bons olhos e deve animar os mercados.

Na agenda de divulgações são esperados para hoje informações sobre o índice de gerentes de compras, o PMI, da atividade industrial.

O indicador deve ajudar a trazer clareza ao desempenho do setor no Brasil, após sinalizações positivas do IBC-Br (prévia do PIB), indicar crescimento acima do esperado no último mês.

A semana deve ser marcada ainda por dados de produção industrial, divulgados na quarta-feira, enquanto na sexta-feira informações sobre vendas no varejo trazem cor ao desempenho do setor.

Ficaremos de olho nessas divulgações por se tratarem, com destaque para o varejo, de setores sensíveis aos juros.

Esperamos com isso, que os dados mostrem leve desaceleração como efeito do maior aperto monetário.

EUA

Nos EUA, o último trimestre do ano começa, com a expectativa de que os meses que encerram o ano possam trazer algum alívio para a economia do país.

No mercado de ações o último trimestre foi marcado por fortes quedas impulsionadas pelo rali de juros.

As bolsas americanas atingiram a menor marcação desde março de 2020.

As perspectivas de novos apertos continuam, o mercado tem precificado mais 1,25 p.p. na taxa ainda esse ano.

Nesse cenário, a economia norte-americana que já dá sinais de desaceleração deve sair ainda mais prejudicada.

O impacto dos juros na economia deve ser cada vez mais sentido, e consequentemente, deve impactar a vida das pessoas, e já nos próximos resultados, mostrar sinais de degradação dos resultados das companhias.

No campo de divulgações, a semana começa com dados de índices de gerentes de compras (PMI) do setor industrial.

Às 10h45, a expectativa é que a medição mostre 51,8, no mesmo patamar do dado anterior.

Já às 11h, o PMI ISM (Institute of supply management) de manufaturas, deve ser divulgado, com estimativa de 52,1, contra 52,8 mostrado no mês anterior.

Por fim, a semana será movimentado por dados de emprego na maior economia do mundo.

Na terça-feira sai o Relatório JOLTS de oferta de empregos, com previsão de quase 11 milhões de ofertas.

Na sexta-feira, encerrando a semana, o dia promete volatilidade com dados de payroll, com estimativa de saldo líquido de 250 mil novos cargos.

Também na sexta, informações sobre salários e taxa de desemprego trarão luz ao mercado de trabalho americano que segue aquecido.

Europa

Na Europa a manhã foi marcada por divulgações do PMI industrial nas principais economias do continente, e o que se viu foi o retrato de uma forte desaceleração.

Apenas a Itália surpreendeu positivamente, enquanto os demais países, bem como a zona do euro, mostraram resultado abaixo das estimativas.

Todos os resultados vieram abaixo de 50, o indica retração da atividade nos PMIs.

Mercado Interno

O Ibovespa encerrou a última semana com queda de 1,50%, tomado por pessimismo do exterior.

Por aqui, as perspectivas de encerramento do ciclo de juros estimularam os ativos de risco.

Entretanto, apertos monetários nas principais economias do mundo sinalizaram maior aversão ao risco, o que prejudicou os mercados na última semana.

Com fortes movimentações no campo político, a expectativa é que o cenário que se encaminha para o segundo turno, traga alívio para os mercados, com candidatos sinalizando mais moderação e maior alinhamento com pautas econômicas.

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Análise Técnica

O Ibovespa, analisando o gráfico semanal, fechou a semana com uma queda de -1,50%.

Entretanto, a semana foi movimentada pois o índice chegou a apresentar uma queda de -4,90%, o que aumentou a expectativa negativa.

No ponto onde se encontra, o Ibovespa estaria passando pela sétima semana de correção.

Pelo fato de não ter perdido a região de média móvel nos 109.540 pontos, devido a recuperação de sexta-feira, ainda há probabilidade de o índice retomar o viés de alta.

O que validaria essa expectativa de alta seria o índice superar os 111.715 pontos.

Porém, caso o índice perca a região dos 108.500 pontos aumenta-se a expectativa negativa.

Mercado Externo

Nos EUA, o índice S&P 500 fechou a semana em queda de 2,91% e completou o terceiro trimestre no negativo.

As bolsas americanas, como mencionado negociam hoje, no menor patamar desde março de 2020.

O cenário por lá permanece atribulado, com escalada de juros ainda em curso.

Novos apertos monetários dão conta de que o “pouso suave” é um sonho distante, e que a economia norte-americana deve sofrer mais do que se imaginava no início do ciclo de aperto.

As perspectivas para ações nos EUA, seguem negativas enquanto continuamos enxergando desaceleração da economia e alta de juros no horizonte.

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Análise Técnica

O S&P500, analisando o gráfico semanal, apresentou uma queda de -2,84%, apresentando a terceira semana consecutiva de queda.

Se contarmos esse movimento de baixa, desde 15 de agosto, temos um acumulado de -17,17%.

Isso mostra que a expectativa segue bem negativa para o S&P500 no médio prazo.

O ativo perdeu um nível importante na semana passada, nos 3.684 pontos.

Isso contribuiu para o aumento da expectativa negativa, onde o próximo nível mais importante abaixo seria os 3.500 pontos.

Entretanto, deve-se ter cautela em operações na ponta vendedora.

Após esse longo movimento de queda, aumenta-se a probabilidade de o índice passar por uma correção no médio prazo.

Essa correção pode ser no tempo (movimento mais lateral) ou no preço (buscando a média nos 3.882 pontos).

Para que o índice retome uma expectativa positiva, é importante que busque a região dos 4.279 pontos, onde anularia a tendência de baixa que se encontra no médio prazo.

Commodities

O minério de ferro encerrou a madrugada em queda no mercado de Singapura.

A China principal importador da commodity entra agora na Semana Dourada, feriado que deve interromper as negociações no país.

Sem atividade na China, a demanda por minério deve ficar restrita ao longo da semana, por isso esperamos menores volumes e possivelmente maior volatilidade.

O petróleo opera em forte alta nessa manhã de segunda-feira.

Investidores especulam que a Opep+ discute na reunião dessa semana um corte substancial na produção de mais de 1 milhão de barris por dia.

Caso se confirme, a diminuição na produção traria nova restrição de oferta e deve fortalecer o preço.

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Análise Técnica

O petróleo, analisando o gráfico semanal, fechou a semana passada com uma leve baixa de -0,68%.

Em que fechou a quinta semana em queda, acumulando -20,23% (de sua máxima até sua mínima).

Posto isso, a expectativa segue mais negativa.

Porém, após esse longo movimento de queda, aumenta-se a probabilidade de o petróleo passar por uma correção no médio prazo.

Ou seja, pode apresentar um repique de alta até a média nos USD 93,64/barril ou um movimento mais lateral.

No curto prazo, a superação dos USD 88,51/barril aumenta a expectativa positiva para os próximos dias, onde anularia a tendência de baixa que se encontra no curto prazo.

Analistas responsáveis

Dalton Vieira – Analista CNPI-T

  • + 15 anos de experiência no mercado financeiro;
  • Analista de valores mobiliários (CNPI-TEM 910);
  • Credenciado pela Apimec desde 2010;
    Desenvolvedor do método DV de investimentos.

Henrique Tavares – Analista CNPI

  • Analista CNPI (CNPI EM-3176);
  • Credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade Federal Uberlândia (UFU).

Leonardo Gibelli

  • Analista CNPI-T;
  • Analista CNPI-T EM-3376 credenciado pela Apimec;
  • Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Disclaimer

De acordo com a Resolução CVM nº 20, de 25 de fevereiro de 2021, Art. 21º, declaro que as análises realizadas neste relatório refletem única e exclusivamente a opinião dos autores, e foram elaboradas de forma independente e autônoma.

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As plataformas usadas para realização deste relatório são Bloomberg e Profit (Nelogica), além de portais de notícias nacionais e internacionais devidamente identificados quando utilizados.

 

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DVinvest

A DVinvest é a casa de análise fundada pelo renomado analista Dalton Vieira, que possui em sua equipe profissionais altamente especializados em análise fundamentalista e técnica de ações.