Desemprego em Queda: Análise dos Novos Dados e Impactos nos Cortes da Selic
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Desemprego em Queda: Análise dos Novos Dados e Impactos nos Cortes da Selic
29 set 2026

O Mercado de Trabalho Brasileiro: Sinais Positivos e Desaceleração
O cenário do mercado de trabalho no Brasil se mostra aquecido, mas começa a apresentar indícios de desaceleração. Dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério do Trabalho indicam que, apesar da força do emprego, há sinais que podem levar o Banco Central (BC) a manter cautela em suas decisões de política monetária.
Taxa de Desemprego e Emprego Formal
A taxa de desemprego, conforme medida pelo IBGE, ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, a menor marca para o período desde o início da série histórica em 2012. Além disso, a população ocupada alcançou um recorde de 103,5 milhões de pessoas, aumentando em 774 mil em relação ao trimestre anterior.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também apresentou resultados surpreendentes, com a criação de 165.827 novas vagas formais em agosto. Mesmo com 2,295 milhões de admissões e 2,129 milhões de desligamentos, o saldo se mostrou acima da expectativa, que era de 97,1 mil vagas.
Sinais de Desaceleração
Apesar das boas notícias, economistas como Rodolfo Margato, da XP, apontam que os dados sintetizam uma desaceleração. Margato avalia que, ajustadas sazonalmente, foram criadas 83 mil vagas em agosto, um aumento em relação às 49 mil do mês anterior. Contudo, as admissões caíram 0,3% em agosto e 1,3% no trimestre.
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, destaca que a melhora foi impulsionada pela redução de desligamentos, e não necessariamente por um aumento nas contratações, o que pode ter implicações sobre os salários. A remuneração média dos novos admitidos foi de R$ 2.410, inferior aos R$ 2.511 pagos aos trabalhadores que foram desligados.
Expectativas para a Selic
Os dados, segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, apontam que o mercado de trabalho permanece forte, o que pode prolongar a pressão sobre a inflação de serviços. Ao mesmo tempo, a desaceleração nas admissões e a estagnação dos salários sugerem que os efeitos das taxas de juros elevadas começam a refletir no mercado.
No último encontro, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 13,75% ao ano. O BC mencionou que a atividade econômica está passando por uma moderação gradual, mas ressaltou a robustez do mercado de trabalho e os riscos associados à inflação de serviços.
Diante desse cenário, economistas acreditam que os números recentes não justificam cortes mais abruptos, mas também não contradizem a continuidade gradual na redução da Selic. A força do mercado de trabalho deve, neste contexto, incentivar o BC a agir com prudência.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
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