Dólar deve superar R$ 5,35 com cenários econômico e eleitoral em 2026
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Dólar deve superar R$ 5,35 com cenários econômico e eleitoral em 2026
4 ago 2026

O dólar tende a fechar o ano de 2026 acima de R$ 5,35, mesmo diante de fluxos favoráveis na renda fixa brasileira e estratégias de carry-trade. Segundo análise do PicPay, a remessa de lucros e dividendos de multinacionais, menor ingresso de capital pelas exportações, a demanda por hedge no contexto eleitoral e o fortalecimento global do dólar colaboram para essa pressão cambial.
Na última segunda-feira (3), a moeda americana subiu 0,34% em relação ao real, cotada a R$ 5,08, refletindo a instabilidade global, especialmente ligada à retomada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã. Entretanto, perspectivas de corte na Selic para 14% ao ano e recuo da inflação, indicados no Boletim Focus do Banco Central, dão sinais mistos para o mercado doméstico.
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Dólar e cenário internacional
O otimismo de avanços nas negociações entre EUA e Irã, ainda que sem acordos firmes, fez os preços do petróleo recuarem acentuadamente. O barril Brent caiu 4,73%, fechando em US$ 83,77, enquanto o WTI caiu 5,11% a US$ 80,34. Essa queda impacta diretamente o real, moeda de país exportador líquido de commodities, fazendo o dólar valorizar-se frente à moeda brasileira.
Além disso, a intervenção conjunta dos EUA e Japão para sustentar o iene, que recuou ao valor mais baixo em 40 anos, gerou pressão global. Qualquer movimentação atípica na compra ou venda de títulos do Tesouro americano pode afetar a renda fixa e o câmbio em mercados emergentes, com destaque para o Brasil.
Impactos internos e análises do mercado
No ambiente doméstico, o Ibovespa fechou praticamente estável, com leve pressão dos setores ligados a commodities como Petrobras e Vale, refletindo a desvalorização do petróleo. O dólar fechou o dia em alta de 0,38% a R$ 5,087, acumulando, no ano, uma desvalorização de 7,31% frente ao real.
Analistas do Itaú mantêm projeções para o dólar em R$ 5,30 em 2026 e R$ 5,50 em 2027, ressaltando riscos ligados ao aperto monetário nos Estados Unidos e à incerteza eleitoral brasileira. O Morgan Stanley observa que o real perdeu força no curto prazo e que surgem ruídos políticos que limitam o apetite por ativos locais.
Contexto eleitoral e política fiscal
O avanço do calendário eleitoral, com convenções partidárias e definitivos registros de candidaturas até meio de agosto, reforça incertezas. O Goldman Sachs alerta para a sensibilidade dos mercados ao perfil fiscal dos futuros governantes e para possíveis movimentos abruptos na volatilidade cambial.
O mercado também acompanha o anúncio recente de tarifas americanas sobre importações brasileiras e notícias internas que podem afetar relações diplomáticas e investimentos. Apesar disso, o cenário de juros elevados e fundamentos sólidos ainda sustenta a resiliência do real.
Perspectivas para a política monetária
Para esta semana, o foco está na decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central na quarta-feira (5/8). A maioria do mercado aguarda corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que deve passar de 14,25% para 14%, sinalizando possível desaceleração no ciclo de aperto.
O desempenho do dólar deve seguir influenciado por fatores globais e domésticos, especialmente relacionados ao comportamento das commodities, às negociações políticas e ao fluxo de capitais. Por ora, a valorização da moeda americana frente ao real permanece em patamar significativo, com perspectivas de manutenção ou aumento em 2026.
Fontes
- Valor Econômico
- Metrópoles
- InfoMoney
- CNN Brasil
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.
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