Dólar reage a acordo EUA-Irã, petróleo e cenário eleitoral no Brasil
mercado
Dólar reage a acordo EUA-Irã, petróleo e cenário eleitoral no Brasil
16 jun 2026

O dólar fechou em leve alta frente ao real, mesmo diante de um cenário externo marcado por queda do petróleo e avanço do acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz. Essa combinação trouxe otimismo para os mercados globais, mas, no Brasil, a moeda americana teve seu fôlego limitado pela pressão fiscal e preocupações eleitorais.
O acordo entre EUA e Irã ajudou a reduzir os preços do barril de petróleo Brent para US$ 83,17, o menor desde março, e diminuiu prêmios de risco geopolítico, favorecendo ativos de risco globalmente. No entanto, a cotação do dólar subiu 0,10% no dia, fechando em R$ 5,0668. A alta se deve, em parte, a ajustes intradia e saídas eventuais da bolsa brasileira, além do impacto do ambiente fiscal desafiador e das incertezas políticas no Brasil.
Receba Informações do Mercado Financeiro em Tempo Real. Entre para nossa Comunidade no Whatsapp!!!
Impacto do acordo no mercado brasileiro
Com a trégua de 60 dias no conflito do Oriente Médio e a perspectiva da reabertura do Estreito de Ormuz, o preço do petróleo caiu significativamente. Isso deve reduzir a entrada de dólares no Brasil, uma vez que a Petrobras é uma grande exportadora de óleo e vinha se beneficiando da alta dos preços. As ações da estatal caíram 5,15%, refletindo os efeitos desse cenário.
Além disso, o aumento recente dos gastos públicos brasileiros, estimado em R$ 215 bilhões, tem gerado preocupações sobre o ambiente fiscal e as pressões inflacionárias. Isso dificulta a redução da taxa Selic pelo Banco Central, que deve manter a taxa em reunião próxima, apesar do cenário externo mais ameno.
Previsões para a Selic e inflação
O Boletim Focus indicou que a mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 5,11% para 5,30%, afastando-se do teto da meta de 4,5%. Para 2027, a expectativa é de inflação de 5,09%. A taxa Selic, por sua vez, deve encerrar 2026 em 13,75%, com leve aumento para 12% em 2027.
Operadores financeiros ainda preveem um corte de 0,25 ponto percentual na Selic neste ano, para 14,25%, mas o ambiente exige cautela devido a choques simultâneos como a guerra, desorganização das cadeias produtivas, política fiscal e fenômenos climáticos como o El Niño.
Cenário eleitoral e câmbio
A pesquisa eleitoral recente reforçou a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que tem gerado cautela no mercado. A dúvida sobre a continuidade das políticas fiscais expansionistas alimenta a volatilidade do real, que, apesar de apresentar alta no ano, enfrenta desafios de curto prazo.
O dólar à vista atingiu máxima de R$ 5,1030 e fechou em R$ 5,0867, alta de 0,39% na terça-feira, associada a preocupações fiscais e à queda do petróleo para abaixo dos US$ 80 o barril. Especialistas destacam que a conjuntura interna deve ganhar protagonismo na formação da taxa de câmbio diante do cenário menos tenso no Oriente Médio.
Perspectivas para o mercado global
Nos Estados Unidos, as expectativas para a decisão do Federal Reserve são de manutenção das taxas de juros entre 3,5% e 3,75%. O tom da reunião será decisivo para a configuração cambial e para o apetite a risco global. O dólar, medido pelo índice DXY, permanece próximo a 99,5 pontos, indicando força estrutural mesmo diante da queda dos preços da energia.
Apesar do alívio no risco geopolítico, as incertezas fiscais e políticas no Brasil e a volatilidade no mercado de commodities continuarão influenciando o comportamento do dólar frente ao real nos próximos meses.
Fontes
- O GLOBO
- Brasil 247
- Diario Do Comercio
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.
Saber mais



