Fed mantém juros e mercado aguarda discurso de Kevin Warsh para sinalizações
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Fed mantém juros e mercado aguarda discurso de Kevin Warsh para sinalizações
16 jun 2026

A decisão do Federal Reserve (Fed) de manter a taxa de juros nesta quarta-feira (17) está praticamente confirmada. Gestores apontam que o foco do mercado estará na primeira fala pública do novo presidente do Fed, Kevin Warsh.
Alexandre Silvério, gestor da Tenax, destacou que todos no mercado de renda fixa estarão atentos às palavras de Warsh. Ele observou que, diferente dos últimos cinco anos em que o Fed ficou distante da meta de inflação, a instituição agora pode sugerir um possível aumento nas taxas de juros. "O Fed deve indicar que o próximo movimento não será de queda e, sem ser explícito, deixar implícito que a mudança poderá ser para cima", afirmou Silvério em evento em São Paulo.
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Expectativas sobre o comando de Kevin Warsh e o impacto no mercado
Gustavo Pessoa, da Legacy Capital, ressaltou que Warsh é crítico ao tamanho do balanço do Fed e defende um modelo com menos sinalizações antecipadas sobre juros (guidance). Segundo Pessoa, isso deve resultar em maior volatilidade nas taxas de longo prazo e trazer desafios para investidores, especialmente no mercado de renda fixa internacional.
O gestor também destacou que investimentos em inteligência artificial têm impacto inflacionário recente estimado em cerca de 1 ponto percentual. Esse avanço, que pode chegar a US$ 1,3 trilhão em 2027, fortalece o dólar ao atrair capital para o setor de tecnologia americano cobrado na moeda local.
Contexto da economia brasileira e decisões do Copom
No Brasil, o ciclo de queda da Selic deve chegar ao fim com corte previsto de 15% para 14,25%, conforme consenso entre gestores. Alexandre Silvério atribui a persistência dos juros elevados ao desequilíbrio fiscal, que limita a ação da política monetária. "Enquanto houver esse conflito entre política fiscal e monetária, não teremos juros em níveis adequados", afirmou.
O Boletim Focus indicou alta nas expectativas de inflação mesmo após a retirada de um combustível importante: o fim da guerra. Essa perspectiva é vista como negativa para o Banco Central.
Riscos e desafios para o mercado de investimentos
Ian Lima, gestor da Inter Asset, alertou que a atual taxa real de juros descontada a inflação futura está em patamar que limita o crescimento competitivo do país. Ele descartou, por enquanto, risco de dominância fiscal, mas enfatizou a necessidade de controle da dívida pública como fator crucial para manter a eficácia da política monetária.
Além disso, os gestores citam o recuo do preço do petróleo, que pode aliviar pressões inflacionárias no curto prazo, e a proximidade das eleições de outubro, que deve aumentar a volatilidade e exigir maiores prêmios nos ativos de renda fixa nacionais. A recomendação é a seletividade, priorizando crédito de empresas sólidas, investimentos seletivos na bolsa e posições táticas em multimercado.
Daniel Castro, diretor-executivo da Inter Asset, também comentou sobre a tentação de concentração em investimentos conservadores como CDI. Ele alertou que abrir mão da diversificação pode comprometer oportunidades no longo prazo. Apesar do cenário desafiador, ele destaca que o Brasil ainda oferece juros reais positivos, uma bolsa com margem para valorização e oportunidades no exterior com estratégias adequadas.
Por fim, Castro defendeu o avanço da gestão personalizada e do modelo de remuneração baseado em serviço, ampliando o acesso a estratégias mais sofisticadas para investidores de diferentes perfis.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
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