Dólar recua com ajustes após decisão do Copom e cenário geopolítico
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Dólar recua com ajustes após decisão do Copom e cenário geopolítico
22 jun 2026

O dólar fechou a última sexta-feira cotado a R$ 5,164, registrando queda de 0,19% após duas sessões seguidas de valorização. A retração ocorreu mesmo com o adiamento indefinido das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, sobre o conflito no Oriente Médio. Esse cenário trouxe cautela aos investidores devido ao risco de interrupção do acordo provisório acordado globalmente no início da semana.
Além disso, novos ataques entre Israel e o grupo Hezbollah no Líbano aumentaram as tensões na região. Durante a madrugada, quatro soldados israelenses foram mortos em ofensivas, e ataques israelenses resultaram na morte de ao menos 18 pessoas em território libanês, segundo informações oficiais de Tel Aviv. O Irã ameaçou controlar a navegação pelo Estreito de Hormuz em parceria com Omã ao fim do memorando de entendimento, desafiando uma das principais condições dos EUA para o fim do conflito.
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impacto da política monetária nos mercados
A moeda americana teve valorização nas duas últimas sessões graças às decisões de juros do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom). Entretanto, o movimento recente reflete uma correção e ajuste dos investidores, influenciados tanto pela política monetária norte-americana quanto pela brasileira.
O Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, em decisão que surpreendeu pelo tom mais brando no comunicado. Apesar do corte, dados recentes mostram índices inflacionários em elevação acima do teto da meta. Para analistas, essa sinalização do Copom indica possibilidade de cortes futuros, contudo gera dúvidas sobre a coerência entre diagnóstico econômico e as medidas adotadas.
política dos bancos centrais e câmbio
Enquanto o Copom sinaliza continuidade nos cortes da Selic, o Fed mantém a taxa básica entre 3,5% e 3,75%, surpreendendo o mercado ao projetar pelo menos uma alta adicional neste ano. O discurso mais rígido do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, reforça expectativas de juros elevados nos EUA.
Esse contexto favorece a valorização do dólar globalmente, atraindo capitais para os títulos do Tesouro americano e exercendo pressão sobre o câmbio brasileiro. Para amenizar essa pressão, o Banco Central brasileiro realizou uma operação casada (conhecida como "casadão"), vendendo US$ 1 bilhão à vista e comprando montante equivalente em dólar futuro via swaps cambiais reversos.
movimentação do dólar frente ao real
No início desta semana, o dólar abriu em baixa moderada no mercado local, fechando abaixo de R$ 5,15, em queda de 0,45%. Esse movimento devolveu parte dos ganhos da semana anterior, influenciado pela redução do risco geopolítico e pela atuação do Banco Central.
Apesar do recuo recente, o dólar ainda acumula valorização de quase 2% em junho e perda anual de 6,33%. Analistas destacam que o real perdeu valor frente a outras moedas emergentes, mas permanece atrativo no carry trade devido à taxa Selic ainda elevada.
Entretanto, a expectativa é de volatilidade, com o dólar oscilando entre R$ 5,15 e R$ 5,20, sem espaço para recuperações expressivas a curto prazo. O mercado aguarda a ata do Copom para entender os próximos passos da política monetária brasileira, o que deve influenciar o comportamento do câmbio nas próximas sessões.
Fontes
- Jornal Do Estado
- AE News - Broadcast+

Redação It's Money
A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.
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