Governo adia medidas de ajuste fiscal após reunião com equipe econômica, indica Durigan
mercado
Governo adia medidas de ajuste fiscal após reunião com equipe econômica, indica Durigan
5 nov 2026

Governo mantém postergada definição de medidas de ajuste fiscal durante viagem de Lula à Ásia
O governo federal decidiu deixar para depois da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Ásia a deliberação sobre possíveis medidas de ajuste fiscal que poderiam ser implementadas ainda neste ano. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião realizada nesta quinta-feira (5) no Palácio do Planalto.
Reunião sem propostas concretas
Durigan explicou que a reunião teve como objetivo alinhar diagnósticos sobre a situação econômica do país e os desafios das contas públicas, mas não contou com discussões sobre propostas específicas. Segundo ele, o encontro contou com a participação de integrantes da equipe econômica, ex-ministros da Fazenda e economistas convidados.
Agenda de Lula e próximos passos
O presidente Lula tem uma agenda agendada para a próxima semana, incluindo a participação na conferência do clima da ONU (COP31), na Turquia, e na cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), nas Filipinas. A previsão é que Lula permaneça fora do Brasil até 15 de novembro.
Após a viagem, Durigan e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, planejam aprofundar as discussões e encaminhar possíveis propostas ao presidente. Apesar do adiamento, a possibilidade de anunciar medidas ainda neste ano ainda não foi descartada.
Consenso e compromisso com a sustentabilidade fiscal
Durigan destacou que houve grande convergência entre os participantes da reunião quanto aos diagnósticos e caminhos a serem seguidos, sem divergências. Ele ressaltou a importância de uma agenda clara para os próximos anos, com o objetivo de garantir a sustentabilidade das contas públicas. "Não parece ter fórmula mágica, e sim manutenção dos compromissos fiscais", afirmou.
Foco na política social e austeridade
O ministro reforçou que o ajuste fiscal deve ser compatível com a manutenção das políticas sociais, incluindo o fortalecimento das regras vigentes para assegurar a inclusão social contínua.
Contexto econômico e preocupações do mercado
As discussões ocorrem em um cenário de apreensão do mercado financeiro com a trajetória da dívida pública e a postura fiscal do próximo mandato de Lula, especialmente após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros, Selic, em 13,75% ao ano na quarta-feira (4).
Dados do Banco Central indicam que, em setembro, a dívida bruta do governo atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), aproximadamente R$ 11,1 trilhões. Apesar de estável em relação a agosto, esse percentual representa o maior patamar desde o segundo semestre de 2021.
Participantes e detalhes adicionais
- Além de Durigan e Moretti, participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ex-ministros Fernando Haddad e Guido Mantega, e economistas convidados.
- A reunião foi agendada na noite anterior, fora da agenda oficial do presidente.
O aprofundamento das discussões e as possíveis propostas dependem do retorno de Lula ao Brasil, momento em que o presidente deve ouvir representantes da sociedade civil e empresários para definir os próximos passos.
Por enquanto, o governo reforça que busca manter o equilíbrio fiscal sem comprometer as políticas sociais, destacando o esforço de consolidar uma agenda sustentável para os anos vindouros.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.
Saber mais



