Leto Capital lança primeiro ETF de crédito privado e discute desafios do setor
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Leto Capital lança primeiro ETF de crédito privado e discute desafios do setor
1 jul 2026

A Leto Capital, antiga JGP Crédito, lançou o primeiro ETF (Exchange Traded Fund) de crédito privado sob sua gestão. A gestora, liderada por Alexandre Muller, realizou seu evento inaugural para investidores em São Paulo no dia 1º de maio, no qual detalhou os planos e a estrutura da nova empresa.
A companhia, recém-desmembrada da gestora multimercados JGP, opera com R$ 22 bilhões em ativos sob gestão e integra ainda uma boutique de estruturação de dívida e assessoria para fusões e aquisições, além da Idex Analytics, que desenvolve índices e infraestrutura de dados para o setor financeiro.
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Características e desafios do ETF de crédito privado
O produto deverá replicar uma carteira composta por debêntures com rating elevado, avaliadas pela B3 como margem para operações financeiras. Atualmente, há três ETFs de crédito privado disponíveis no mercado, incluindo um lançado pelo BTG Pactual no final do ano passado.
Esse tipo de produto enfrenta obstáculos tributários e tecnológicos. Entre os principais desafios apontados por Luís Masagão, vice-presidente executivo da B3, estão a baixa liquidez do mercado e a questão da tributação que não reproduz a isenção fiscal, fato que limita a maior adesão dos investidores.
Liquidez e precificação
Alexandre Muller destaca que apenas cerca de 30% dos ativos de crédito privado possuem preços públicos centralizados pela Anbima. Essa limitação impacta a capacidade dos fundos de índice realizarem operações rápidas, já que esses fundos não podem apresentar desvios significativos em relação ao índice de referência.
Além disso, a baixa liquidez dificulta a velocidade nas transações, o que representa um desafio para a gestão eficiente dos ETFs de crédito.
Perspectivas para o mercado de crédito privado
Apesar das barreiras, o setor apresenta potencial robusto de crescimento. Segundo Cauê Mançanares, diretor-executivo da Investo, a expectativa é que o patrimônio total sob gestão alcance R$ 1 trilhão até 2030.
O volume total dos ETFs atingiu R$ 100 bilhões em março deste ano, impulsionado pela captação recorde de fundos de renda fixa no final do ano anterior e início do atual. Alexandre Muller projeta que entre 10% e 15% desse montante será destinado exclusivamente a fundos de crédito.
Relação com fundos multimercados
Os gestores concordam que os ETFs de crédito são complementares aos fundos multimercados. Observa-se no mercado americano uma transferência líquida de recursos dos fundos mútuos para ETFs, com aumento significativo na captação líquida destes últimos.
No entanto, estratégias específicas como crédito originado por empréstimos diretos a empresas privadas, conhecido como private debt nos EUA, e FIDCs não tendem a ser capturadas por ETFs.
O lançamento do ETF pela Leto Capital sinaliza avanço na diversificação e sofisticação do mercado de crédito privado brasileiro, mesmo com os desafios estruturais que ainda precisam ser superados.
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Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
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