Raízen registra prejuízo recorde de R$ 27,1 bilhões e enfrenta severa deterioração financeira
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Raízen registra prejuízo recorde de R$ 27,1 bilhões e enfrenta severa deterioração financeira
30 jun 2026

A Raízen, joint venture da Cosan e Shell, registrou prejuízo líquido histórico de R$ 27,1 bilhões no exercício fiscal encerrado em março de 2026. A perda é a maior da história da empresa e ocorreu em meio ao protocolo da maior recuperação extrajudicial já visto no país.
O prejuízo expressivo resultou principalmente de provisões para perdas (impairment) no valor de R$ 22,5 bilhões, sem impacto imediato em caixa, decorrentes da reavaliação de ativos após o pedido de recuperação extrajudicial registrado em 12 de março. Entre esses valores, R$ 12,5 bilhões referem-se a incertezas sobre a continuidade operacional de partes da empresa.
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Desafios operacionais e financeiros
Além do reconhecimento contábil das perdas, a Raízen enfrenta deterioração severa do balanço. A dívida líquida atingiu R$ 58,2 bilhões em março, crescimento de 69,9% em doze meses, equivalente a alavancagem de 5,2 vezes. A dívida bruta alcançou R$ 71,8 bilhões, dos quais R$ 65,7 bilhões estão incluídos no escopo da recuperação extrajudicial.
A companhia suportou despesas financeiras elevadas de R$ 11,7 bilhões no ano fiscal, sendo R$ 4 bilhões apenas no quarto trimestre. O custo da dívida e o pagamento de juros continuam consumindo grande parte dos ganhos operacionais obtidos, principalmente em distribuição de combustíveis.
Recuperação extrajudicial e perspectivas
O plano de recuperação extrajudicial da Raízen conta com adesão de 80% dos credores e espera homologação até setembro de 2026. Segundo o presidente Nelson Gomes, a companhia está confiante em superar o ciclo atual por meio da combinação de transformação operacional e reestruturação da estrutura de capital.
Operacionalmente, a empresa reportou avanço de 35,5% no Ebitda ajustado da distribuição de combustíveis, que chegou a R$ 5,7 bilhões. Contudo, negócios de açúcar, etanol e bioenergia sofreram queda de 23,9% no mesmo indicador devido a fatores conjunturais, como a quebra da safra de cana e volatilidade dos preços das commodities.
A Raízen também anunciou plano para simplificar sua estrutura e focar nas áreas principais, com desinvestimento de ativos de energia e separação dos negócios de distribuição e de usinas, visando maior sustentabilidade financeira.
Com a reorganização da estrutura de capital acordada com os credores, a administração projeta redução relevante da alavancagem e retomada de trajetória sustentável para geração de valor mais consistente.
Para os analistas do Citi, o prejuízo líquido do quarto trimestre de R$ 7,3 bilhões reforça a gravidade da deterioração do balanço e coloca a cobertura da empresa em revisão, dada a secundarização da avaliação operacional em meio ao processo de recuperação.
As informações foram consolidada com base em comunicado oficial da Raízen e análise do banco Citi, divulgadas pelo Valor Econômico.
Fonte:
- Valor Invest

Redação It's Money
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