Comissionamento x Fee Based: como funciona a remuneração dos assessores de investimentos
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Comissionamento x Fee Based: como funciona a remuneração dos assessores de investimentos
12 ago 2025•Última atualização: 12 agosto 2025

Assessores de investimentos atuam em modelos de remuneração distintos, que impactam diretamente os custos do investidor e a transparência dos serviços.
Tradicionalmente, o modelo comissionado paga o assessor por meio das comissões embutidas nos produtos financeiros adquiridos pelo cliente.
Assista o bate-papo Completo! No quadro Sem Financês, Leonardo Fernandes conversa com Rafael Carvalho, Assessor de Investimentos da Blue3 em Brasília.
Modelo tradicional de comissionamento
Neste formato, o investidor não paga diretamente pelo serviço do assessor.
As comissões estão incorporadas nos produtos, como taxas de administração e spreads, o que significa que os custos para o cliente estão diluídos na rentabilidade dos investimentos.
Apesar de parecer que não há custo, o investidor nem sempre consegue identificar o quanto paga efetivamente pela assessoria.
A principal vantagem desse modelo é a ausência de custo aparente para quem investe, o que pode ser mais adequado para investidores iniciantes ou com patrimônio menor.
Contudo, a desvantagem mais significativa é a falta de transparência, além do risco de conflitos de interesse, já que o assessor pode tender a indicar produtos que gerem maiores comissões, ainda que atendam ao perfil do cliente.
Modelo fee based (fee fixo)
O fee based, ou modelo fee fixo, consiste no pagamento de uma taxa fixa percentual sobre o patrimônio investido.
Essa taxa é cobrada mensalmente, garantindo total transparência ao cliente, que sabe exatamente quanto paga pelo serviço de assessoria ou consultoria.
Além da clareza quanto aos custos, esse modelo busca o alinhamento de interesses entre assessor e investidor, já que a remuneração do profissional cresce conforme o patrimônio do cliente aumenta e diminui se houver retração no valor investido.
Outro benefício é o cashback das comissões geradas em determinados produtos, que retornam ao cliente, reduzindo assim os custos totais.
Considerações sobre custos e perfis de investidores
O modelo fee based pode apresentar taxas maiores em determinados produtos financeiros para compensar a ausência de comissões tradicionais, mas pode resultar em rentabilidade superior no médio e longo prazo.
Por outro lado, o custo fixo é um ponto que o investidor deve observar, especialmente se a carteira for pouco movimentada, pois pode acabar pagando por um serviço que não utiliza plenamente.
Investidores iniciantes ou com patrimônios menores tendem a se beneficiar do modelo comissionado para conhecer o mercado e a assessoria.
Já investidores com patrimônio mais robusto e foco no longo prazo geralmente preferem o fee based por sua transparência e alinhamento de interesses.
Ética e escolha do assessor
Independentemente do modelo adotado, é fundamental escolher assessores éticos e transparentes.
Bons profissionais orientam seus clientes sem buscar ganhos pessoais em produtos inadequados.
A qualidade da assessoria deve ser fator decisivo, pois tanto o modelo comissionado quanto o fee based podem apresentar vantagens e riscos conforme o perfil e atuação do assessor.
Adicionalmente, a escolha do modelo é flexível, permitindo que o investidor migre entre os formatos conforme sua necessidade e satisfação com o serviço prestado.
Regulação e transparência
Recentemente, a resolução 179 da CVM exigiu que corretoras forneçam relatórios trimestrais detalhando as comissões recebidas, aumentando a transparência para o investidor.
Esse movimento regula o mercado e favorece modelos como o fee based, que já oferecem maior clareza em relação aos custos cobrados.
Portanto, ao contratar uma assessoria financeira, o investidor deve ponderar entre custo oculto, transparência e qualidade do serviço oferecido, buscando sempre alinhar suas necessidades e perfil ao modelo de remuneração aplicado.

Rafael Carvalho
Assessor de Investimentos com 10 anos de experiência no mercado financeiro. Planejador financeiro com certificação CFP®.
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