O que esperar dos investimentos de renda fixa em 2024?

destaques

O que esperar dos investimentos de renda fixa em 2024?

20 mar 2024Última atualização: 12 junho 2024

Redação It's MoneyRedação It's Money

Estamos prestes a encerrar o primeiro trimestre do ano, mas a dúvida que ainda paira no ar para diversos investidores é: o que vai acontecer com a Renda Fixa em 2024?

A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que aconteceu em janeiro, já havia dado o tom de que a taxa básica de juros deve continuar em ritmo constante de corte.

Agora, nesta terça (19) e quarta-feira (20) o Copom se reunirá pela segunda vez no ano para definir os rumos da Selic. A expectativa do mercado é que a taxa caia de 11,25% para 10,75%. 

Dito isso, podemos considerar que dificilmente aquela Selic de 13,35% será vista novamente em um futuro tão próximo. Inclusive, segundo o Boletim Focus do Banco Central do Brasil, a expectativa é de que a taxa Selic encerre o ano em 9%. 

Por isso, para os investidores de renda fixa, essa notícia pode não ser tão animadora, visto que quanto maior for a taxa Selic, mais atrativo os juros dos ativos são.

Mas será que, neste ano, você vai precisar rever ou abandonar a sua estratégia? Ou ainda será possível encontrar bons retornos e diversificar nessa classe de investimentos?

Nosso portal entrevistou com exclusividade a economista Bruna Centeno, Advisor e sócia na Blue3 Investimentos, uma das principais assessorias de investimentos do país.  

A profissional falou sobre direcionamentos importantes para os próximos meses.  

Confira na íntegra abaixo e aproveite a leitura!

Redação It’s Money: Como você avalia o cenário econômico atual e quais são as principais tendências que podem impactar as taxas de juros neste ano? 

Bruna-Centeno_Its-Money
Bruna Centeno, economista, advisor e sócia na Blue3 Investimentos

Bruna Centeno: Não só o Brasil, mas o mundo como um todo tem passado pelo ajuste monetário, saindo da política contracionista que até então foi adotada para conter a inflação para uma política mais branda em relação a juros.  

Os indicadores econômicos mostram que já é possível fazer esse ajuste, uma vez que as principais variáveis econômicas como inflação, crescimento do PIB, queda consumo, geração de emprego tem respondido às políticas adotadas pelos bancos centrais.

Olhando especificamente para o Brasil, saímos de uma Selic a 14% para 11,25% e os ajustes em relação aos próximos cortes já foram sinalizados pelo atual presidente do Copom Roberto Campos Neto.

Importante ressaltar que essa dinâmica pode ser revista se EUA continuarem pessimistas em relação aos dados econômicos da economia norte-americana que, segundo Powell, não tem respondido como eles esperavam, principalmente olhando a inflação do país.

Redação It’s Money: Considerando o contexto econômico global e nacional, quais são as projeções para a taxa Selic ao longo de 2024 e quais os principais fatores que podem influenciar essas projeções? 

Bruna Centeno: A Selic terminal esperada para 2024 é de 9%, de acordo com o Boletim Focus. Porém, já existe uma grande parcela do mercado que acredita que ela pode fechar em um patamar menor do que 8,25%.  

Ainda, olhando para o cenário no Brasil, as perspectivas se descolam do contexto global. Em 2023, fechamos com um PIB bem acima do esperado de 2,9%.  

Já nossa inflação segue refletindo o ajuste de juros realizado ao longo do ano passado e, mesmo pegando dados sazonais altistas, como foi o mês de fevereiro, para este ano ainda é esperado um IPCA historicamente baixo de 3,77%.  

Isso decorre principalmente da política adotada pelo Banco Central, que restringiu por um bom período a taxa de juros em patamar elevado. Isso trouxe um freio para o consumo e uma ponderação para a atividade econômica, o que permite que agora essa taxa de juros caia de forma saudável.

Ainda temos grandes desafios, principalmente olhando a meta fiscal do país e a arrecadação, mas mesmo com esses assuntos em pauta internamente, o otimismo é maior em relação aos dados brasileiros.

Porém, o que ainda é um ponto de observação é a taxa de juros nos EUA que, seguindo elevada, pressiona nossa taxa de juros brasileira devido ao Carry trade – análise que os investidores fazem de custo-benefício em relação a taxa de juros para se investir em diversas economias.

O Brasil sempre foi visto pelos investidores com um nível elevado de risco e por isso nossa taxa de juros sempre foi elevada, tanto para não deixar que a inflação se descontrole, mas também para ser atrativo para investidores globais.

Já os EUA, sendo a economia referência e com um patamar de juros historicamente elevado, o investidor fica avaliando o custo de oportunidade entre as duas economias.

Por esse motivo, nossa trajetória de juros ainda se encontra nesse patamar de expectativa, mas se EUA apresentarem um plano de corte de juros antes do esperado, é possível sim que ela feche o ano no patamar de 8,25%. 

Redação It’s Money: Nesse cenário de queda, os investimentos de renda fixa no Brasil ainda serão atrativos ou você já observa um forte movimento para a renda variável?

Bruna Centeno: Os ativos de renda fixa já mostraram um patamar menor de rentabilidade e o tão sonhado 1% ao mês já deixa de ser realidade. Em fevereiro, o CDI fechou em 0,80% no mês e vimos uma migração de capital indo para ativos mais voláteis, como fundos multimercado e renda variável.

O grande ponto é que o investidor se acostumou com o ganho de 1% ao mês, mesmo sabendo que esse patamar de rentabilidade no Brasil não é o comum, e agora ele começa a buscar ativos que permitam continuar nesse ganho.

Porém, mesmo com a queda de juros, ainda é possível encontrar oportunidades na renda fixa tradicional, principalmente se a disposição para prazos mais longos for possível dentro do portfólio.

O mais importante nesse momento é ajustar o ganho à aceitação de risco de cada investidor. Mas, é notável que a renda fixa passa a ser avaliada pela ótica do ganho para uma fatia menor da carteira no atual cenário de corte de juros. 

Redação It’s Money: Há alguma classe de ativos de renda fixa que você considera mais atrativa neste momento, dadas as condições atuais do mercado? 

Bruna Centeno: Ativos atrelados a inflação e a classe de pré-fixados se beneficiam melhor de uma taxa de juros em queda. Hoje, você ainda consegue investir em ativos de IPCA + 6,00% ou pré-fixados de 12% isentos, nível que vimos pela última vez em 2017 quando o cenário de risco era bem similar ao atual.  

No entanto, cada classe de ativos possui seus benefícios de ganhos, mas também podemos observar um possível custo de oportunidade mudar essa relação com um cenário de juros se invertendo das expectativas atuais. Principalmente a classe de pré-fixados.  

Por esse motivo, é importante entender o uso do recurso, prazo de alocação e horizonte de tempo, pois o dinamismo da economia hoje se mostra muito maior que há 5 anos atrás. Os conflitos geopolíticos e a dinâmica de ajuste monetário ao redor do mundo podem, a qualquer momento, interferir nas expectativas econômicas. Por isso, o portfólio precisa permitir uma flexibilidade de ajuste.

Redação It’s Money: Para os investidores que já estão posicionados em renda fixa, este é um bom momento para revisar as alocações?

Bruna Centeno: Sim, os ajustes precisam ser feitos antes da queda mais acentuada do atual patamar de juros. A revisão de portfólio é algo que deve ser constante nos investimentos e, por isso, é extremamente importante que o cliente tenha um alinhamento com seu assessor de investimentos.  

A definição de prazo e objetivos é o tópico mais importante para entender em qual classe se posicionar com as mudanças de cenário. Mas de forma geral, revisar as classes e percentuais alocados, assim como as taxas, é primordial para que o portfólio não mostre queda na rentabilidade nos próximos meses. 

Redação It’s Money: Para finalizar, como os investidores podem ajustar suas estratégias de alocação de ativos? 

Bruna Centeno: As estratégias são para atingimento de objetivos do planejamento financeiro adotado.

Investir em renda fixa, em renda variável, no exterior, em criptomoedas, por exemplo, é a parte final dentro da estratégia de cada portfólio. Não definir bem esse ponto pode levar o investidor a correr riscos que podem, inclusive, levar a perda de patrimônio, principalmente se não for feito da maneira correta. 

Então, antes de definir cada “caixinha” de alocação é importante alinhar com o seu assessor o objetivo a ser adotado, o horizonte de prazo e as expectativas de ganho ajustados a cada perfil de investidor. Somente assim é possível entender qual melhor estratégia a ser adotada, de forma equilibrada e personalizada. 

Precisa de ajuda com o direcionamento dos seus investimentos?

Se você precisa revisar sua carteira de investimentos ou traçar uma estratégia personalizada, conte com o serviço de uma assessoria de investimentos.  

 

Redação It's Money

Redação It's Money

A redação do portal It’s Money é formada por um time de profissionais com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão de jornalistas especializados.

Saber mais

Gostou do conteúdo?

Queremos sempre melhorar a experiência a sua experiência. Se puder, dê uma forcinha para o time de redação e conte o que você achou da edição de hoje.

O que achou deste conteúdo?

  • Ruim
  • Ótimo
As melhores análises do mercado

Receba em primeira mão as melhores análises do mercado financeiro diretamente em sua caixa de entrada. Nossa newsletter oferece insights exclusivos, tendências e perspectivas sobre o mercado.

Deixe-me ler primeiro uma amostra