Marcação a mercado na renda fixa: o que muda para o investidor?
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Marcação a mercado na renda fixa: o que muda para o investidor?
28 dez 2022•Última atualização: 21 junho 2024

A partir de 2 de janeiro de 2023, passa a valer um novo modelo de visualização para alguns ativos de renda fixa na carteira dos investidores, com base na marcação a mercado.
Determinada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a mudança tem como objetivo dar mais transparência aos valores de mercado desses títulos.
A regra será aplicada agora para CRIs, CRAs, debêntures e títulos públicos negociados fora do Tesouro Direto, que anteriormente seguiam a marcação na curva.
De forma geral, a marcação a mercado funciona como uma atualização diária dos preços dos ativos. Assim, fica mais fácil para o investidor decidir o melhor momento de compra e venda dos seus papéis.
É importante ressaltar que a nova regra não altera a rentabilidade dos investimentos, caso mantidos até o vencimento, nem o direito do investidor sobre o título.
A mudança está na maneira como os ativos são apresentados nas plataformas de investimentos.
Entenda nos próximos tópicos como a novidade vai funcionar.
Boa leitura!
Marcação a Mercado x Marcação na Curva
Até 1º de janeiro, os títulos de renda fixa serão exibidos pela “marcação na curva” ao investidor, que equivale ao valor que o papel foi adquirido.
Esse valor é atualizado todos os dias por um indexador, como a inflação ou o CDI, e dos juros correspondentes à rentabilidade do papel (“taxa de compra”).
Esse cálculo dá um valor aproximando do retorno ao investidor, quando mantido até o vencimento.
Entretanto, este preço de curva não representa obrigatoriamente o valor do papel no mercado, caso o investidor queira vendê-lo no mercado secundário antes da data de vencimento.
Já na “marcação a mercado” (nova regra), a taxa utilizada para a precificação do título é a que estiver sendo praticada no mercado, que costuma sofrer oscilações diariamente, de acordo com as condições do momento (taxas de juros, oferta e demanda, risco do emissor, etc).
Entenda em detalhes no vídeo abaixo:
[embed]https://www.youtube.com/watch?v=gFKCB-nrSKI[/embed]
Marcação na curva
Na marcação na curva o valor do título corresponde ao valor de aquisição. Ou seja, é precificado em relação ao custo do título na compra somado aos juros e o indexador designado.
Essa maneira de ver os ativos não corresponde ao valor de mercado caso o investidor queira vendê-los antes da data de vencimento do papel.
Isso porque as condições de mercado para aquele papel variam diariamente.
Marcação a mercado
A marcação a mercado representa o valor de venda do título, antes do vencimento, considerando as condições atuais de mercado, permitindo maior visibilidade, transparência e padronização em relação à aplicação.
Importante destacar que, no vencimento, o rendimento do título sempre converge para a taxa contratada.
A grande diferença é que a marcação a mercado mostra essas variações de preço de forma clara ao investidor, caso o mesmo precise se desfazer do papel antes do vencimento.
Assim, é possível aproveitar melhor os cenários de mercado para a negociação dos papéis no mercado secundário.
Confira na tabela abaixo as principais diferenças entre marcação na curva e marcação na curva.
| Marcação na curva | Marcação a mercado | |
| Precificação | Valor de aquisição + indexador + juros | Valor aprox. atual de negociação do papel, conforme condições de mercado |
| Demonstrativo | Refletem valores da “curva” | Refletem valores de “mercado” |
| Transparência | Menor | Maior |
| Volatilidade | Menor | Maior |
| Valor do título na data do vencimento | Igual | Igual |
Como fica a tributação com a marcação a mercado?
Nada muda na tributação dos papéis com a nova regra. Tanto o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) quanto o Imposto de Renda (IR) continuam os mesmos.
A nova regra vai valer para quais ativos?
Como falamos anteriormente, a regra que até o fim de 2022 vale apenas para o Tesouro Direto, passar a valer também para CRIs, CRAs, debêntures e títulos públicos adquiridos via tesouraria.
A novidade não atinge os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCIs e LCAs).
Veja os detalhes na tabela abaixo:
| Ativo | Regra de Marcação |
| Debêntures | Mercado |
| CRA | Mercado
|
| CRI | Mercado
|
| Títulos Públicos | Mercado
|
| Bancários | Curva |
| Letras Financeiras | Curva
|
| Fundo de Investimento em Direitos Creditórios | Curva
|
Mais uma vez, a marcação a mercado vai apenas deixar seus investimentos mais transparentes, além de fomentar ainda mais o mercado de renda fixa, já que ficará mais fácil para o investidor decidir o melhor momento de compra e venda dos seus papéis.
Caso precise de ajuda para entender esse movimento, não deixe de procurar uma assessoria de investimos de confiança, como a Blue3 Investimentos.

Redação It's Money
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