Fed corta juros pela 2ª vez consecutiva, mas sinaliza cautela nos próximos passos
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Fed corta juros pela 2ª vez consecutiva, mas sinaliza cautela nos próximos passos
30 out 2025•Última atualização: 31 outubro 2025

A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) foi concluída com a decisão de implementar mais uma redução de juros, a 2ª consecutiva e ambas na mesma magnitude de 0,25% (um quarto de ponto percentual), elevando a taxa dos fed funds para o intervalo de 3,75% a 4,00%.
Mais do que a análise numérica da decisão, o que movimentou o mercado foram as declarações do Chairman J. Powell. Ele sinalizou que um novo corte em dezembro não está garantido, indicando que o Federal Reserve (Fed) pode estar se preparando para interromper o atual ciclo de flexibilização monetária.
Postura “Data Dependent” e dependência de dados
Powell enfatizou que os próximos passos da política monetária dependerão intrinsecamente da evolução dos dados econômicos (como mercado de trabalho e inflação) e dos riscos em curso.
Esta é uma clara referência à postura "Data Dependent" de sua gestão, defendendo que a política monetária não segue um curso predefinido e que o Comitê agirá com cautela diante de um alto nível de incerteza.
Apesar do discurso de dependência de dados, a decisão de reduzir os juros neste momento se mostra controversa, pois, mediante a falta de precisão dos dados, especialmente em decorrência do Shutdown, o Fed poderia ter adotado maior parcimônia e optado por não promover alterações na taxa de juros.
A ação de cortar os juros foi justificada pela crescente preocupação do Fed com a atividade econômica e a sugestão de piora no mercado de trabalho.
Efeitos da imprecisão dos dados
O problema da imprecisão dos dados deve persistir, a apuração de dados futuros de atividade e inflação incorporarão, nos próximos meses, o ajuste a posteriori dos dados não elaborados durante o Shutdown.
Essa defasagem e ruído podem gerar incerteza nos mercados, dificultando a precificação de ativos e influenciando posicionamentos adotados no futuro.
Inflação e taxa neutra
Reiterando o forte compromisso em garantir o retorno da inflação à meta de 2%, o presidente do Fed destacou que a inflação, excluindo o impacto de tarifas comerciais, não está distante dessa meta, e que a inflação de moradias e serviços já apresenta sinais de queda.
Essa leitura sinaliza que a economia americana se aproxima de uma taxa neutra, na qual o custo do dinheiro não estimula nem desacelera significativamente a atividade.
Mandato duplo e riscos futuros
Em linha com seu mandato duplo (máximo emprego e estabilidade de preços), Powell defendeu ações mais pró-ativas do que pró-combate à inflação.
No entanto, há fatores estruturais como a incorporação de tarifas e a redução da oferta de mão de obra, cujos elementos pressionarão a inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI), respectivamente, nos próximos meses, podendo exigir uma ação mais tempestiva da autoridade monetária para controlar uma potencial retomada do PCE (o índice de inflação preferido do Fed).

Roberto Simioni Neto
Mestre em economia pela pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Mais de 25 anos de experiência na área de investimentos on e offshore. Certificações CNPI, CEA, CPF. Economista-chefe na Blue3 Investimentos.
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