A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15,00% a.a

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A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15,00% a.a

6 nov 2025

Roberto Simioni NetoRoberto Simioni Neto

Era o esperado pelo mercado e reflete a avaliação de um cenário macroeconômico caracterizado por elevada incerteza, tanto no ambiente externo quanto doméstico.

No plano internacional, o entendimento do BCXB é de que a condução da política monetária nos Estados Unidos, somada à persistente tensão geopolítica, tem gerado volatilidade nas condições financeiras globais, impondo desafios adicionais à formulação da política monetária em economias emergentes como o Brasil.

Internamente, os indicadores de atividade econômica apontam para uma trajetória de moderação no crescimento, em linha com o esperado, embora o mercado de trabalho siga apresentando resiliência, o que pode sustentar pressões inflacionárias, especialmente no segmento de serviços.

Apesar de sinais recentes de arrefecimento da inflação cheia e das medidas subjacentes, os índices permanecem acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), e as expectativas de inflação para 2025 e 2026, conforme a pesquisa Focus, seguem desancoradas, situando-se em 4,5% e 4,2%, respectivamente.

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A projeção de inflação do Copom para o 2Q2027, horizonte relevante para a política monetária, encontra-se em 3,3% no cenário de referência, o que ainda exige uma postura monetária significativamente contracionista.

O Comitê destaca que os riscos para a inflação permanecem elevados e simétricos. No campo altista, sobressaem a possibilidade de uma desancoragem mais persistente das expectativas, a rigidez da inflação de serviços diante de um hiato do produto menos negativo e a interação entre políticas econômicas internas e externas que possam pressionar o câmbio.

Por outro lado, os riscos baixistas incluem uma desaceleração doméstica mais intensa, o agravamento do cenário global em função de choques comerciais e incertezas, e uma eventual queda nos preços das commodities.

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Diante desse quadro, o Copom, como esperado, optou por manter a taxa básica de juros em patamar elevado, entendendo que a manutenção prolongada desse nível é compatível com a estratégia de convergência da inflação à meta.

A decisão também leva em conta os efeitos defasados da política monetária sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho, buscando suavizar as flutuações cíclicas sem comprometer o objetivo primário de estabilidade de preços.

O Comitê reforçou a postura de cautela e vigilância, especialmente frente aos desdobramentos da política fiscal doméstica e às medidas comerciais adotadas por parceiros estratégicos, como os Estados Unidos.

Ressaltou que, embora julgue o atual nível da Selic como adequado, os próximos passos da política monetária continuarão condicionados à evolução do cenário macroeconômico e à dinâmica das expectativas de inflação.

O Copom não hesitará em retomar o ciclo de aperto monetário caso julgue necessário para assegurar a convergência da inflação à meta em um horizonte relevante.

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Houve uma mudança relevante na sinalização de longo prazo da taxa de juros. Nas comunicações anteriores, o Copom vinha indicando que a política monetária permaneceria contracionista “por tempo necessário” ou “até que se consolidasse a convergência da inflação à meta”.

Na decisão de 5 de novembro de 2025, essa sinalização foi reforçada e tornada mais explícita, com a expressão: exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.

Essa formulação indica uma intenção mais firme de manter a Selic elevada por um horizonte mais longo, mesmo diante de sinais de moderação da inflação.

O uso de “patamar significativamente contracionista” e “período bastante prolongado” sugere que o BCB está menos disposto a iniciar cortes no curto prazo, reforçando o compromisso com a reancoragem das expectativas e a preservação da credibilidade da política monetária.

Essa mudança de linguagem é relevante para agentes econômicos, pois afeta decisões de investimento, crédito e projeções de curva de juros.

Roberto Simioni Neto

Roberto Simioni Neto

Mestre em economia pela pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Mais de 25 anos de experiência na área de investimentos on e offshore. Certificações CNPI, CEA, CPF. Economista-chefe na Blue3 Investimentos.

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