Juros seguem em modo cautela no Brasil e nos EUA, aponta Roberto Simioni
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Juros seguem em modo cautela no Brasil e nos EUA, aponta Roberto Simioni
29 jan 2026

A manutenção das taxas de juros nas reuniões de janeiro do COPOM (Brasil) e do FOMC (EUA) confirmou as projeções delineadas em nossos modelos de análise, baseados na necessidade de uma "prudência restritiva" diante da persistência inflacionária e das incertezas fiscais.
No cenário brasileiro, conforme prevíamos, o COPOM optou pela manutenção da Selic, uma postura alinhada ao tom ortodoxo do Banco Central frente a uma inflação de serviços que permanece como o principal obstáculo à desinflação sustentada.
Nossos modelos indicam que o hiato do produto estreito e a sensibilidade do mercado de trabalho exigem que os juros permaneçam em patamar restritivo por mais tempo para garantir a convergência do IPCA à meta.
Nosso cenário base, fundamentado no modelo BVAR (Bayesian Vector Auto Regressive), projeta o início de um ciclo de cortes em março, com uma redução inicial de 0,25%, levando a Selic para 13,25% ao final de 2026.
Este movimento é condicionado a um IPCA em torno de 4,15% e à estabilidade da relação Dívida/PIB. Alertamos que qualquer sinalização de priorização do crescimento em detrimento da meta de inflação pode gerar um prêmio de risco elevado e encarecer a curva de juros longa.
FED
Nos Estados Unidos, a manutenção do intervalo da Fed Funds Rate (3,50% - 3,75%) em janeiro foi amplamente antecipada, com 95% de probabilidade atribuída pelo mercado. A decisão reflete o desconforto com o PCE Core em 2,8% e a necessidade de evitar flexibilizações prematuras que possam resultar em efeitos de segunda ordem (second-round effects).
Projetamos que o FOMC iniciará o ciclo de queda na reunião de 17-18 de março, com uma redução de 25 bps (0,25%). Este corte está condicionado ao arrefecimento do PCE para a casa de 2,9% e a dados de emprego que mostrem o hiato necessário para a convergência inflacionária.
Diferente do "consenso dovish" do mercado, prevemos um ciclo mais cauteloso, com apenas três reduções ao longo do ano, visando mitigar riscos de dominância fiscal e inércia salarial.
O ano de 2026 se configura como um dos mais desafiadores para a política econômica global. Tanto no Brasil quanto nos EUA, a interação entre políticas fiscais expansivas e a resiliência da inflação de serviços demanda uma condução monetária técnica e independente.
Manter uma postura cautelosa e menos otimista que o consenso permite proteger os portfólios contra a volatilidade e a reprecificação súbita de prêmios de risco que as incertezas políticas e fiscais de 2026 certamente trarão.

Roberto Simioni Neto
Mestre em economia pela pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Mais de 25 anos de experiência na área de investimentos on e offshore. Certificações CNPI, CEA, CPF. Economista-chefe na Blue3 Investimentos.
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