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Guia completo sobre educação financeira para jovens

Guia completo sobre educação financeira para jovens
  • Publicado em 9 de janeiro de 2024

A transição para a vida adulta vem acompanhada de inúmeros desafios orçamentários. E é nesse momento da trajetória de um jovem que a educação financeira mostra a que veio. Por meio de suas ferramentas, ela permite uma relação mais saudável com o dinheiro e contribui para a construção de um futuro muito mais confortável e seguro. 

Mas apesar de tão fundamental, o controle das finanças ainda é um tema pouco explorado no Brasil até mesmo para quem já é adulto há bastante tempo. 

E as consequências da falta de um debate educativo são sentidas na prática: quase 78% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. 

Ainda, o endividamento vai além do desconforto enfrentado pelas pessoas com excesso de débitos. Tais números influenciam a economia do país e prejudicam o desenvolvimento social coletivo.

Todo esse cenário mostra o quanto a educação financeira para jovens precisa ser promovida desde cedo. Essa conversa didática permite que eles conheçam e adquiram bons hábitos, preparando-se para decisões conscientes em relação ao dinheiro.

Pensando nisso, elaboramos este guia completo sobre educação financeira para jovens. Aqui, abordaremos tópicos como controle financeiro, poupança, investimentos e até mesmo como colaborar com o orçamento da família. 

Acompanhe!

O que é educação financeira, exatamente?

Resumidamente, a educação financeira é um processo de aprendizado contínuo que ajuda a gerenciar as finanças pessoais

Na prática, trata-se de adquirir conhecimento, desenvolver habilidades e adotar os costumes necessários para tomar decisões financeiras responsáveis

Além disso, a educação financeira permite traçar e alcançar metas, como poupar dinheiro para se aposentar, pagar dívidas ou investir para aumentar a renda.

E quem busca por uma compreensão mais aprofundada, pode explorar com detalhes os temas que fazem parte da educação financeira: orçamento pessoal, economia, investimento, empréstimos, crédito, impostos, seguros, planejamento para a aposentadoria e planejamento patrimonial. 

Por fim, uma estratégia de educação financeira também pode incluir aspectos subjetivos e individuais, cruzando os temas monetários com as discussões sobre valores pessoais e estilo de vida.

Qual a importância da educação financeira para a sociedade

A educação financeira é importante para a sociedade porque colabora com o orçamento das famílias, fortalecendo a economia. E como num ciclo, a economia fortalecida proporciona mais oportunidades, recursos e conforto para as pessoas. 

Segundo relatório do Banco Central do Brasil, isso acontece porque indivíduos que possuem educação financeira não se preocupam com a inadimplência e são capazes de distribuir melhor sua renda, pois conseguem realizar compras necessárias sem negligenciar seus compromissos financeiros.

Em outras palavras, o dinheiro gira e as pessoas continuam seguras financeiramente. 

O ponto de partida dessa cadeia de benefícios desencadeada pela educação financeira é que ela ajuda as pessoas a entenderem melhor o funcionamento do sistema financeiro e a tomarem decisões mais conscientes sobre seus próprios recursos. 

Isso inclui o direcionamento sobre como economizar, investir, lidar com dívidas e planejar o futuro. 

Esse cenário leva a uma maior estabilidade e bem-estar econômico individual, bem como a uma maior resiliência para a sociedade como um todo.

Por exemplo: uma pesquisa da S&P Ratings Services Global Financial Literacy Survey revelou que o Brasil ocupa a 74ª posição no ranking global de alfabetização financeira, num estudo que considerou 144 países. 

Ainda, o estudo concluiu que a falta de conhecimento financeiro pode excluir pessoas do sistema bancário e prejudicar a economia do país. 

Ou seja, a educação financeira é capaz de ajudar na inclusão bancária e a proporcionar melhores oportunidades para as pessoas gerirem seu dinheiro. 

Não é à toa que países com economia forte e alto índice de desenvolvimento humano ocupam as primeiras posições desse ranking.

Além disso, a educação financeira pode ajudar a combater a pobreza e a desigualdade, fornecendo às pessoas as habilidades e conhecimentos necessários para lidarem com os desafios e as oportunidades.

Por fim, ela ajuda a reduzir o endividamento excessivo, as falências e outras formas de estresse financeiro que podem ter efeitos prejudiciais na saúde física e mental das pessoas.

Educação financeira para jovens: por que começar cedo

Começar a educar financeiramente os jovens desde cedo é importante para que eles aprendam, internalizem e naturalizem uma relação sadia com o dinheiro. E mais do que nunca, a discussão precisa estar em pauta.

O CEO da Leve, fintech de crédito, afirmou em entrevista que os jovens têm uma tendência maior de gastar tudo ou mais do que ganham, em comparação com os brasileiros mais velhos. 

Ele explicou que isso tende a acontecer devido às diferentes realidades vividas pelas gerações, já que os jovens estão crescendo em um período de pleno emprego, baixa inflação e distantes da cultura da escassez. Segundo ele, essa falta de preocupação com o futuro pode levar a problemas financeiros no longo prazo.

Ao aprender habilidades financeiras básicas, como orçamento, economia e investimento, os mais novos podem começar a construir uma base sólida para o sucesso financeiro do futuro. Além disso, o aprendizado precoce de hábitos saudáveis ​​pode ajudar a evitar dívidas e outros problemas dessa natureza.

Outra razão para começar a educação financeira cedo é que as crianças e jovens são altamente influenciados pelos seus ambientes familiares e sociais. Se eles crescem em um cenário onde a gestão financeira é valorizada e discutida abertamente, eles têm mais probabilidade de se tornarem adultos responsáveis.

Além disso, a educação financeira também pode ajudar os jovens a entenderem a importância do planejamento – desde um plano de carreira e aposentadoria, até planos menos substanciais mais de igual importância, como investir para comprar um apartamento.

Por fim, quando as pessoas começam a pensar sobre esses assuntos mais cedo, elas têm mais tempo para tomar decisões informadas e construir um futuro financeiramente seguro.

Riscos da falta de educação financeira

Aproximadamente 77,9% das famílias brasileiras estavam endividadas no final de 2022 – o índice mais alto dos últimos 12 anos. O dado da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), é alarmante.

Um dos motivos para o aumento da inadimplência foi a alta dos juros no Brasil.  Outra razão apontada pelos especialistas é a grande oferta de cartões de crédito. 

Mas acima de tudo, o acesso facilitado a serviços de crédito não acompanha o acesso às informações de qualidade sobre educação financeira.

E sem educação financeira, o controle do orçamento pessoal fica altamente prejudicado porque há mau uso de cartões, limites de conta e parcelamentos.

Percebe como a falta de educação financeira acarreta uma série de riscos?  Aqui estão alguns exemplos dos principais, acompanhe.

Investimentos inadequados

Sem conhecimento financeiro, as pessoas podem fazer escolhas de investimento inadequadas, como aplicar em produtos com altas taxas e baixo potencial de retorno — e isso pode resultar em perdas significativas.

Gastos excessivos e endividamento

A falta de um orçamento adequado ou das habilidades para gerenciar o dinheiro, leva as pessoas a gastarem mais do que podem pagar, enfrentando dívidas e dificuldades financeiras.  

Falta de planejamento para o futuro

Sem uma compreensão adequada de como planejar as finanças a longo prazo, as pessoas deixam de estar preparadas para enfrentar despesas imprevistas ou emergências financeiras, como a perda de emprego ou problemas de saúde.

Estresse

Dificuldades financeiras também podem causar estresse significativo, o que leva a uma série de problemas de saúde mental e física – como depressão, ansiedade e problemas de sono.

Estilo e qualidade de vida prejudicados

A falta de educação financeira também impacta diretamente o estilo de vida das pessoas, incluindo escolhas alimentares, de habitação e de atividades de lazer – aspectos fundamentais para a manutenção positiva do bem-estar.

Além de evitar todos esses riscos, falar de educação financeira para jovens é fundamental para instruir os futuros adultos sobre economia pessoal e coletiva. 

Como começar a falar de educação financeira para jovens?

Para começar a falar de educação financeira com os jovens, é importante contextualizar o tema e usar algumas ferramentas que materializam conceitos abstratos

Veja algumas medidas que podem ser adotadas para iniciar esse diálogo:

  • usar exemplos práticos; 
  • ensinar habilidades básicas; 
  • estimular a curiosidade; 
  • usar recursos digitais;
  • incentivar a prática;
  • compartilhar histórias de sucesso. 

Vale lembrar que o assunto precisa ser abordado de forma simples, prática e interativa, para que os jovens possam entender a importância da educação financeira para suas vidas e não acabem achando a questão entediante ou complicada demais.

Educação financeira para jovens: 5 tópicos para abordar

Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a educação financeira para jovens é uma noção básica para o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária, justa e que garantirá um melhor desenvolvimento do país. 

Por conta disso, a OCDE defende que a alfabetização financeira deve ser obrigatória no currículo escolar. Porém, enquanto este patamar ainda não é alcançado, instituições financeiras e de ensino podem oferecer programas extracurriculares que abordem o tema. 

Entenda alguns dos tópicos que podem ser explorados, a seguir.

1. Importância do controle financeiro

Para explicar a importância do controle financeiro para os jovens, é interessante começar com algo  palpável, como o conceito de que o controle financeiro permite economizar para alcançar uma meta – como juntar dinheiro para comprar um iPhone, por exemplo. 

Então, a partir de um exemplo que prenda o interesse, é possível navegar para outros aspectos ainda mais essenciais da gestão do dinheiro – evitar acúmulo de dívidas.

2. Como fazer um controle financeiro

Para ensinar os jovens a fazer o controle financeiro, o ponto de partida é explicar como criar um orçamento. Na prática, o controle consiste em anotar entradas e saídas para monitorar gastos e economias.

Neste caso, o uso de ferramentas digitais pode ajudar bastante. Lembre-se de que o jovem não está tão acostumado com nomenclaturas e conceitos abstratos do universo das finanças, então vale a pena mostrar para ele como tudo funciona de maneira prática.

E ainda, um ponto importante para salientar é que há como aplicar técnicas e estratégias de controle financeiro mesmo com uma renda limitada – como mesada, remuneração de estágio ou de menor aprendiz. 

Mais uma vez, aproximar a explicação da realidade dos adolescentes e jovens desperta um real interesse e facilita o aprendizado.

3. Como começar a guardar dinheiro

Para começar a guardar dinheiro, a dica é ensinar a importância da poupança e como ela pode ajudar a alcançar objetivos financeiros. Afinal, a poupança funciona como o clássico cofrinho, proporcionando um espaço exclusivo para que o dinheiro fique guardado e aumente aos poucos. 

Isso tudo pode ser muito estimulante para o jovem que está aprendendo a não gastar todos os seus recursos de uma só vez.

E apesar da poupança não ser uma alternativa de investimento ideal, já que os rendimentos são bastante enxutos se comparados com outros produtos, é uma ferramenta simples de compreender para quem está entrando no universo da gestão financeira.  

4. Como começar a investir sendo jovem

Depois de familiarizado com os conceitos de controle financeiro e de poupar, o jovem já está mais preparado para aprender um pouco sobre investimento.

Aqui, é interessante explicar sobre os tipos de investimento disponíveis, começando pela diferença entre renda fixa e renda variável

A partir desse ponto e conforme o jovem for absorvendo os conceitos, é possível avançar para os produtos mais comuns – como CDB, tesouro, ações e fundos.

Outro ponto interessante é abordar o funcionamento do mercado financeiro e os riscos e benefícios de cada tipo de investimento. 

É fundamental enfatizar a importância de fazer uma análise cuidadosa antes de investir e a necessidade de buscar ajuda de profissionais qualificados. 

E, claro, sempre aproximar os conceitos da realidade dos futuros adultos. 

5. Como colaborar com o controle financeiro da família

Para instruir os jovens a colaborar com o controle financeiro da família, demonstre como suas decisões podem afetar a situação familiar como um todo. 

É possível ensinar estratégias de colaboração, como: ajudar a economizar em compras de supermercado, poupar energia elétrica dentro de casa e contribuir com as despesas do lar destinando parte da remuneração para as contas, caso o jovem trabalhe fora.

Também é crucial enfatizar a importância da comunicação aberta e transparente entre os membros da família sobre questões financeiras.

Educação financeira para jovens nas escolas

A educação financeira para jovens nas escolas é uma forma importante de ensinar habilidades financeiras básicas para as próximas gerações. Vários países ao redor do mundo já incorporaram a educação financeira em seus currículos escolares

De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, somente 42% da população brasileira investe em alguma aplicação financeira, evidenciando a falta de conhecimento sobre finanças na população.

Por outro lado, alguns países como Finlândia, Noruega, Dinamarca, Suécia, Israel e Canadá, consideram a educação financeira como uma prioridade, investindo na sua inclusão no currículo escolar desde a educação infantil. Esses países apresentam altos índices de desenvolvimento humano (IDH), que avalia o desenvolvimento da sociedade em áreas como educação, saúde e renda.

Projetos de educação financeira para jovens no Brasil

A boa notícia é que já existem diversos projetos e iniciativas no Brasil que visam implementar a educação financeira nas escolas

Um exemplo é o programa Educação Financeira nas Escolas, do Banco Central do Brasil, que busca promover a inclusão e a cidadania através da educação financeira escolar.

Outro projeto é o Pense no Futuro, criado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em parceria com o Instituto Brasil Solidário (IBS), que tem como objetivo levar a educação financeira para escolas públicas de todo o país.

Além desses, vale citar a parceria da Blue3 Investimentos com a edtech Mooney Edu. Através dela, surgiu uma iniciativa que promoveu a educação financeira gratuitamente para jovens de todo o Brasil

  • O projeto ofereceu cursos sobre finanças pessoais para estudantes do ensino médio, abordando temas como planejamento financeiro, orçamento pessoal, consumo consciente e investimentos. 
  • O projeto também ofereceu workshops e palestras para professores e educadores, a fim de capacitá-los a levar a educação financeira para suas salas de aula. O objetivo é contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis financeiramente.
  • Na primeira fase do projeto em 2022 foram atendidos 392 adolescentes de duas ONGs de Ribeirão Preto e Goiânia. 

Iniciativas como essas são fundamentais para ajudar os jovens a se tornarem adultos mais capazes de administrar suas finanças, preparados para tomar decisões informadas e responsáveis em relação ao seu dinheiro.

A educação financeira pode ter um impacto positivo na vida das famílias desses jovens e, consequentemente, em toda a sociedade.

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Redação It's Money

A redação do portal It’s Money é formada por um time de jornalistas com ampla experiência editorial, com acompanhamento e revisão da jornalista Ana Claudia Piva.