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Entenda o motivo da quebra do Silicon Valley Bank

Entenda o motivo da quebra do Silicon Valley Bank
  • Publicado em 15 de março de 2023

O 16º maior banco do mundo, o Silicon Valley Bank, veio à falência. E se você ainda não entendeu o porquê, Erik Sala, Especialista em Fundo de Investimento Imobiliário e Renda Fixa, explica como o banco quebrou e quais as consequências disso no mercado.

Confira:

Nos últimos meses, o mercado observou a subida da taxa de juros nos Estados Unidos, o que causou um efeito duplamente danoso para o Silicon Valley Bank.

Primeiramente, porque o efeito dessa aceleração na taxa de juros, que foi uma das maiores já vistas na história dos Estados Unidos, desacelera bastante o setor de tecnologia, que costuma ser mais alavancado e sensível à taxa de juros.

Por outro lado, a abertura nos juros também prejudica a rentabilidade nos títulos de renda fixa americanos que esses bancos investiam.

Com a necessidade de capital cada vez maior pelas startups, que não tinham como puxar dinheiro no mercado, só restava o dinheiro depositado no banco.

E como o dinheiro depositado no banco teve um prejuízo que antes não estava realizado, até então, isso não era problema.

No entanto, como as startups começavam a precisar de mais capital. Assim, o banco precisou realizar esses prejuízo e a conta entre os depósitos e as necessidades dos clientes começou a não bater.

 

O gatilho para essa crise veio mais ou menos no dia 10 de março de 2023, quando o banco anunciou que estava vendendo uma carteira de títulos com prejuízo, e que, precisaria levantar capital no mercado para conseguir ter um balanço um pouco mais folgado.

E para quem é cliente de banco, isso é a última coisa que você quer ouvir. Quando você escuta que o seu banco pode não ter dinheiro para te pagar, a primeira coisa que você vai fazer é sacar o seu dinheiro.

Isso é um pesadelo chamado corrida bancária, que só piorou a situação do banco. Aí sim, depois da retirada de mais ou menos 42 bilhões de dólares, veio a falência e a intervenção dos órgãos nos Estados Unidos.

Em entrevista com a CBS, a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, disse que a situação não se iguala com crise financeira de 2008, onde diversos bancos quebraram em um colapso do Lehman Brothers. 

Em nota, Michael Barr, vice-presidente de Supervisão do Fed, o banco central norte americano, afirmou que haverá uma revisão, em suas palavras, “cuidadosa e completa”, para evitar possíveis futuras crises.

No cenário brasileiro, Diego Perez, presidente da Associação Brasileira de Fintechs, diz que se houver impactos no Brasil, seriam de forma pouco significativa, pois poucas fintechs e startups brasileiras estão expostas ao banco norte-americano.  

Sobre a economia brasileira, especialistas acreditam que existe a possibilidade do Fed ter uma postura mais tranquila em relação à taxa de juros, e com isso, o Copom também cortaria juros a partir de maio deste ano. 

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Redação It's Money

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