Educação Financeira

Indicadores econômicos: o que são e para que servem 

Indicadores econômicos: o que são e para que servem 
  • Publicado em 13 de fevereiro de 2023

Você provavelmente já deve ter ouvido falar muito sobre indicadores econômicos, seja no meio do mercado financeiro ou em notícias sobre economia.

Mas você sabe exatamente o que é IPCA, Taxa Selic, Taxa de Câmbio e para que servem? 

É o que iremos esclarecer neste artigo, já que entendê-los é um passo primordial para a gestão eficiente de seus investimentos

Acompanhe para saber tudo sobre os principais indicadores econômicos do Brasil.

O que são indicadores econômicos

Resumidamente, indicadores econômicos são números que representam resultados da economia.

Eles podem se apresentar em forma de índices e porcentagens, por exemplo. 

Em outras palavras, são dados que acompanham aspectos financeiros do país e funcionam como um termômetro que demonstra se a economia vai bem ou mal

São alguns exemplos de indicadores econômicos os índices IPCA e IPG-M, as taxas Selic, de Câmbio, DI e Referencial.  

Provavelmente, siglas e nomes que você já está familiarizado, não é mesmo? Adiante, entenderemos com mais profundidade cada um deles. 

Para que servem os indicadores econômicos

Os indicadores econômicos servem para dar um panorama da situação financeira do país. Essa informação é especialmente útil para empresários, governo e investidores.

E por falar em investidores, os indicadores econômicos são usados como parâmetro para diversas transações. Sobretudo porque a variação de um indicador representa também a variação da rentabilidade do investimento no qual ele se baseia. 

Portanto, na prática, esses dados contribuem para decisões mais acertadas nas estratégias de curto, médio e longo prazo.

E por conta disso, é super importante que todo investidor – mesmo iniciante – tenha um pouco de familiaridade com tais índices. 

Principais indicadores econômicos

Atualmente, existe uma série de índices e taxas que influenciam a economia brasileira e os investimentos.

Vamos entender como funcionam alguns dos principais indicadores econômicos nos tópicos a seguir. Confira!

Indicadores de inflação: IPCA e IGP-M

O IPCA é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, calculado mensalmente pelo IBGE no levantamento chamado Pesquisa de Orçamentos Familiares. Considerado oficial pelo governo federal, ele é o principal índice que mede a inflação do Brasil.

Seu cálculo é feito com base na variação do custo de vida médio de famílias que ganham entre 1 a 40 salários mínimos por mês.

Usando a calculadora de IPCA do IBGE, por exemplo, podemos observar a variação do índice de maneira clara. 

  • O valor de R$ 1.000, por exemplo, teve uma variação de 1,63% em apenas 3 meses. Portanto, se o mês de referência for outubro de 2022, o valor atualizado é de R$1.016,29 em dezembro do mesmo ano. 

Entender o IPCA, suas variações e como ele funciona é imprescindível porque ele serve como referência para metas das taxas de juros e da inflação.

Além disso, afeta a rentabilidade de títulos.

IGP-M

Já o IGP-M é o Índice Geral de Preços do Mercado. Criado na década de 40, é calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ele é geralmente usado em contratos de aluguéis, reajustes de tarifas públicas e em seguros de saúde.

O IGP-M é constituído por 3 índices:

  • Os que medem os preços ao consumidor: 30% de IPC-M.
  • Os preços por atacado ou ao produtor amplo: 60% de IPA-M.
  • E os de construção: 10% de INCC.

O objetivo do IGP-M é abranger as variações de preços em diferentes etapas do processo produtivo.

Indicador Taxa de câmbio

A Taxa de Câmbio é o valor entre duas moedas distintas.

Por exemplo, na data de produção deste artigo, 1 dólar está custando 5,20 reais. Sendo assim, também podemos dizer que a cotação do dólar está R$5,20. 

A taxa de câmbio pode ser de qualquer moeda em relação a outra.

No Brasil, o dólar é a moeda mais relevante para o mercado financeiro. Isso porque existem diversos investimentos impactados diretamente por ele. 

Além disso, a Bolsa de Valores de Nova York é a maior do mundo e a que contém ações das empresas com os maiores faturamentos e expressividade no âmbito mundial.

Então, muitos investidores acabam comprando papéis internacionais, negociados em dólar.

Inclusive, mesmo quem não investe em ações acaba sendo impactado pelo preço da moeda norte-americana e pela taxa de câmbio.

Isso porque a gama de produtos e insumos importados é imensa, sendo que a grande maioria é negociada em dólar.

Os aspectos que fazem com que o preço de uma moeda aumente ou diminua podem ser desde acontecimentos políticos e econômicos ou sua oferta e procura, até os regimes cambiais – como câmbio fixo, câmbio flutuante e câmbio deslizante.

Indicador Taxa Selic: over e meta

A Taxa Selic é a taxa básica de juros no Brasil e o principal instrumento da política monetária do Banco Central. 

Isso significa que o Banco Central, especificamente seu Comitê de Política Monetária (Copom), decide qual será a taxa básica de juros visando controlar a inflação.

A reunião para essa deliberação acontece a cada 45 dias.

E na prática, quanto maior estiver a Selic, mais caro o crédito fica. O que consequentemente diminui o consumo. Entretanto, diversos investimentos passam a render mais.

Muitos títulos públicos baseiam-se na Selic para definir sua remuneração. Ela também influencia outras taxas importantes – como a CDI, que afeta milhares de investimentos no país. 

Mas, você já ouviu falar no termo Selic Meta? Basicamente, sempre que ouvimos falar de Taxa Selic nos noticiários, é sobre a Selic Meta que as reportagens estão se referindo.

Ela é a principal taxa de juros do país. 

Já a Selic Over representa o que acontece no mercado financeiro na prática.

Inclusive, over vem da palavra overnight, que no mercado financeiro está relacionado com operações feitas em 1 dia, para resgate no dia seguinte.

A taxa Selic Over é a média ponderada das operações realizadas no sistema Selic, sendo que é garantida pelos títulos públicos pelo prazo de 1 dia.

Por isso, ela influencia significativamente o valor do CDI.

Indicador Taxa DI 

Outra taxa relevante para o mercado financeiro e seus investidores é a Taxa DI.

Ela é a taxa gerada a partir dos juros cobrados entre as instituições financeiras, quando ocorre o empréstimo de valores entre elas — uma prática comum e que acontece diariamente. Explicamos.

Os bancos precisam fechar o caixa diário com o saldo positivo, segundo as regras do Banco Central.

Portanto, realizam operações entre si em todos os fechamentos: literalmente emprestam dinheiro uns aos outros para acabar o dia no azul.  

Essas operações são garantidas pelo Certificado de Depósito Interbancário – o famoso CDI

Ou seja: a sigla DI significa Depósito Interbancário e a taxa é utilizada em vários títulos e ativos, especialmente nos investimentos de renda fixa. 

Exemplo

Então quando você aplica seu dinheiro em CDB com rendimento de 100% de CDI, significa que o rendimento é baseado nessa taxa de juros dos empréstimos interbancários

Atualmente, a Taxa DI é de 13,65% ao ano. Veja um exemplo de como ficaria um investimento atrelado à essa taxa: 

  • Imagine que você aplique R$10 mil em um produto financeiro com rendimento a 100% do CDI, por 36 meses. Supondo que a taxa permaneça a mesma até lá, você resgataria R$14.679,40. 
  • Sem contar possíveis descontos com impostos, você estaria recebendo um total de R$4.679,40 em juros acumulados no período.

A Taxa DI é calculada por uma instituição chamada Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados (CETIP). 

Ela é responsável por realizar as operações entre os bancos e por várias outras atividades financeiras, como as transferências feitas por meio de DOC e TED e liquidações de investimentos. 

O cálculo para determinar o valor da Taxa DI é um pouco complexo e leva em consideração uma série de critérios. Porém, se algum desses critérios no dia não for atendido, a Taxa DI será igual à Taxa Selic Over daquele período. 

Indicador INPC

O INPC é outro indicador econômico importante no Brasil. Trata-se do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, medido pelo IBGE mensalmente. 

Ele demonstra a variação de preços no mercado varejista

Precisamente, o INPC considera a oscilação dos valores de itens básicos – como alimentos de consumo diário, passagens de ônibus, gás e aluguel para famílias que recebem entre 1 a 5 salários mínimos.

Esses dados são importantes porque a população com essa renda é bastante afetada pela alta de preços, uma vez que gastam quase toda sua remuneração com despesas de natureza essencial.

Sendo assim, o INPC é bastante considerado para os ajustes salariais e para traduzir o poder de compra das pessoas. Ele também reflete as tendências da inflação. 

Além disso, existem alguns investimentos de renda fixa que possuem o INPC como indexador. Isso significa que a variação do índice representa oscilação de determinadas aplicações. 

Indicador Taxa TR

A TR, também chamada de Taxa Referencial, foi criada durante o governo de Fernando Collor como uma medida para tentar controlar a hiperinflação da época, que chegou a alcançar mais de 1.476%. Como o nome sugere, a ideia era justamente ser uma taxa de juros de referência

Durante alguns anos, a Taxa Referencial era o principal indicador do mercado, inclusive no que dizia respeito à inflação e aos contratos de financiamento.

Atualmente, outros indicadores assumiram esse posto, como você está acompanhando aqui.

De qualquer forma, a taxa TR atualmente é parâmetro para o cálculo de rendimento de vários investimentos e aplicações financeiras ao longo do tempo, inclusive para a caderneta de poupança. Portanto, ela continua sendo importante. 

Tanto é que a poupança é o meio mais utilizado pelos brasileiros para guardar dinheiro e acumular rendimentos – mesmo não sendo a opção mais recomendada, por conta do baixo rendimento. 

Cerca de 23% da população deixa o dinheiro na poupança, segundo pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais – a Anbima. 

Outros 15% investem em algum tipo de ativo, como fundo de investimento ou títulos públicos e privados.

O restante, infelizmente, não faz nenhuma das duas opções. Independente disso, é possível perceber o quanto a Taxa TR está presente na vida das pessoas.

Isso porque a remuneração da poupança é atrelada à Taxa Referencial. Então, quando ela aumenta ou diminui, a rentabilidade da caderneta também é alterada. 

Vale lembrar que, atualmente, a regra da poupança é assim: 

  • Enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano (e neste momento está), a poupança rende 0,5% ao mês + a variação da TR. 
  • E quando a Selic fica abaixo disso, a caderneta paga 70% do seu valor + a variação da TR.

Portanto, a Taxa Referencial sempre entra no cálculo do rendimento da poupança, o que impacta o dinheiro de um grande número de pessoas todos os dias.

Outros exemplos de indicadores econômicos são o PIB, o risco fiscal e a taxa de desemprego.

Porém, esses indicadores estão mais relacionados à macroeconomia, isto é, dizem respeito ao país como um todo.

Qual a importância dos indicadores econômicos para investir?

Como você pode perceber, os indicadores econômicos traduzem o cenário financeiro e também influenciam a economia do país.

Independente de ser investidor ou não, esses índices impactam a usabilidade do dinheiro das pessoas – e só por causa disso já vale a pena conhecê-los. 

No entanto, é ainda mais importante entender os indicadores econômicos para investir.

Isso porque eles afetam os rendimentos de títulos públicos e privados, dos fundos de investimento e de vários outros tipos de ativos

E mesmo que o investidor esteja focado apenas em produtos de renda variável, como ações na Bolsa de Valores, os indicadores econômicos devem ser utilizados como comparação em um estudo de oportunidades.

Comparar a rentabilidade de ativos atrelada aos indicadores que mencionamos até aqui, ajuda a entender se o nível de risco da alocação em renda variável está valendo a pena ou não

Portanto, acompanhar tais indicadores é essencial para uma boa gestão da carteira de investimentos, assim como para escolher as melhores oportunidades e obter resultados acima da média. 

Quando o investidor sabe como funcionam os indicadores econômicos e quais fatores fazem com que aumentem ou diminuam, consegue adotar estratégias de mitigação de perdas devido à variação do mercado. 

Como investir sem saber muito sobre indicadores econômicos?

Contudo, pode ser difícil acompanhar e até interpretar o cenário político-econômico, seus resultados enquanto indicadores e como os investimentos serão impactados por eles. 

Portanto, se você quer investir mas não tem tempo de se aprofundar nos indicadores econômicos, a dica é contar com assessores de investimento.

A assessoria como a Blue3, por exemplo, ajuda o investidor a aproveitar oportunidades porque os profissionais fazem uma análise consistente dos indicadores.

Eles conseguem entender as variações desses índices e contemplar seu potencial, realizando a gestão dos investimentos dos seus clientes de maneira otimizada.

E tudo isso integrando metas, objetivos e perfil do investidor. 

 

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Redação It's Money

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