Economia

Inflação em queda: como o IPCA influencia os investimentos?

Inflação em queda: como o IPCA influencia os investimentos?
  • Publicado em 9 de junho de 2023

Nesta semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgou que a inflação oficial do Brasil desacelerou em maio. A notícia foi recebida pelo mercado de forma positiva. Mas, você sabe como o IPCA influencia os investimentos? Confira no artigo a seguir a explicação de especialistas.

Inflação desacelera

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA), após avançar 0,61% em abril, registrou alta de 0,23% em maio. Ou seja, perdeu força no mês passado. Assim, no acumulando de 2023 soma 2,95%. Já nos últimos 12 meses, 3,94%.

A inflação de serviços passou de uma elevação de 0,52% em abril, para um recuo de 0,06% em maio. Enquanto os preços dos itens monitorados pelo governo subiram de 0,72% (maio) para 0,86% (abril).

No acumulado em 12 meses, a inflação de serviços passou de 7,49% em abril para 6,51% em maio, a menor desde março de 2022, quando estava em 6,29%. Já a inflação de monitorados em 12 meses saiu de -2,10% em abril para -0,90% em maio.

Segundo o economista-chefe da Blue3 Investimentos, Roberto Simioni, a surpresa desta vez veio principalmente do preço da gasolina e dos alimentos. “Cabendo destaque nos componentes de alimentação no domicílio, que apresentaram uma queda de 0,73% para 0,0%”, diz.

Por outro lado, o economista explica que a inflação de serviços ainda se mostra resistente. “E isso se nota ao olhar a média dos núcleos em 0,37% e a média móvel anualizada de três meses, com ajuste sazonal, passou de 6,1% para 5,1%.”

Como o IPCA influencia os investimentos

E afinal, como essa série de dados influencia os investimentos? O economista explica que a inflação desacelerada reforça a expectativa de que o Banco Central inicie um ciclo gradual de corte da Selic nos próximos meses. “Reduzindo a taxa dos atuais 13,75% em pelo menos mais 0,50% até o final de 2023, e para 2024, em pelo menos 1,0%.”

Como resultado, no mercado de ações, a expectativa de redução nos juros impulsionou o aumento do Ibovespa nos últimos dias.

O ciclo de alta da Selic penalizou ativos da B3 à medida que investidores migravam as carteiras para a renda fixa.

Bruna Centeno, Advisor e sócia da Blue Investimentos, também explica que a redução é uma notícia que agrada ao mercado, justamente pelo quadro de redução geral de preços e, consequentemente, possibilidade de queda na taxa de juros.

Com juros mais baixos, ativos de renda variável voltam a ser mais interessantes, o que elevam as boas expectativas para a bolsa no segundo semestre do ano.

Tendência e cautela

Ainda segundo o economista Roberto Simioni, no curto prazo, há uma tendência de desaceleração nos preços para os serviços e bens industriais, que deve se beneficiar da queda da atividade econômica em 2023.

“A queda dos preços agropecuários no atacado também deve ajudar a reduzir a inflação de alimentos nos próximos meses, decorrente da safra de grãos.”

Entretanto, ele destaca que, mesmo diante de dados mais otimistas de curto prazo apontando para uma queda da inflação, o BC pode decidir aguardar até o quarto trimestre para iniciar o seu ciclo de corte de juros.

“Há ainda a possibilidade do CMN (Conselho Monetário Nacional) mudar a meta de inflação na reunião de junho, o que desancorar as expectativas do mercado e isso certamente vai obrigar todos o mercado a refazer suas projeções”, finaliza.

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Raissa Scheffer

Raissa Scheffer (MTB: 0051926/SP) é jornalista com 16 anos de experiência em economia. Foi repórter e editora na Gazeta de Ribeirão e Jornal ACidade. Com passagens pela EPTV Ribeirão, Portal Terra, TV Record e Portal Revide.