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Investimento em crédito privado: o que é e como investir?

Investimento em crédito privado: o que é e como investir?
  • Publicado em 16 de janeiro de 2023

Ao buscar investimentos de renda fixa você conta com previsibilidade de rendimentos, mas a rentabilidade pode ser limitada. Por isso, quem busca maior potencial de ganhos pode se interessar em descobrir o que é crédito privado. 

Conhecer o crédito privado traz mais oportunidades de investimento, já que os títulos podem ser adequados para a sua estratégia de aportes. Contudo, também é preciso considerar os riscos atrelados para tomar uma boa decisão para sua carteira. 

Quer saber o que é crédito privado, conhecer seus títulos e suas principais características? Então confira esse conteúdo! 

O que é crédito privado? 

O crédito privado é uma divisão dos títulos disponíveis na renda fixa. Por isso, é importante entender a hierarquia dessa divisão realizada pelo mercado financeiro. Nesse sentido, a renda fixa contempla todos os títulos e investimentos em que há uma rentabilidade previsível. 

Nesse tipo de investimento existe uma relação de crédito, onde há credores e devedores. Portanto, quem compra um título de renda fixa está, na prática, emprestando dinheiro para o emissor da aplicação. 

Como contrapartida, no resgate do título, o emissor precisa devolver o valor investido somado a uma rentabilidade previamente combinada. Dessa forma, no momento do aporte o investidor já saberá qual é a lógica do cálculo de ganhos. 

Dentro da renda fixa existem os títulos públicos e os títulos privados. Os primeiros são emitidos pelo Tesouro Nacional e pertencem ao Governo Federal. Logo, eles servem como um crédito cedido ao ente público. 

Já os títulos privados são emitidos por instituições não públicas. Desse modo, eles podem advir de bancos, instituições financeiras, securitizadoras e empresas privadas de capital aberto ou fechado que buscam captar recursos. 

É nessa categoria em que se encontram os títulos de crédito privado. Eles são os investimentos de renda fixa emitidos por empresas não financeiras ou por securitizadoras. Assim, as aplicações não têm ligação com bancos e outras instituições. 

Como funciona o investimento em crédito privado? 

Como você viu, os títulos de crédito privado são emitidos por empresas ou securitizadoras. Essa emissão ocorre de acordo com as regras determinadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Dessa maneira, há um procedimento próprio e diversos requisitos para que os títulos possam ser emitidos e negociados. Depois que esse processo é finalizado e os títulos estão no mercado, os investidores podem comprá-los. 

Isso acontece por meio de plataformas das corretoras de valores — instituições do mercado financeiro voltadas para investimentos. Na plataforma, o investidor pode encontrar um portfólio com diversos títulos — entre eles, os investimentos de crédito privado. 

Como você viu, na renda fixa é possível conhecer a lógica de ganhos antes do aporte. A rentabilidade pode se dar de três formas: 

  • prefixada: essa rentabilidade é a mais previsível, pois é indicada como um percentual anual — como 10% ao ano; 
  • pós-fixada: ela está atrelada a um índice financeiro, como a taxa Selic ou o Certificado de Depósitos Interbancários (CDI); 
  • híbrida: esse tipo une características das duas rentabilidades anteriores. Então ele replica um índice financeiro somado a uma taxa prefixada. 

Além da rentabilidade, há outras características importantes dos títulos de crédito privado. A primeira é o prazo de vencimento: é nessa data que o título é liquidado e o investidor poderá fazer o resgate sem riscos de perdas financeiras. 

Determinados títulos podem contar com liquidez diária. Nesse caso, o investimento pode ser resgatado a qualquer momento antes do vencimento. Aqui é preciso ficar atento à carência — um prazo no qual o título não pode ser resgatado.  

No entanto, vale a pena considerar que, no crédito privado, o prazo do investimento costuma ser maior. Também é importante ficar atento em relação ao aporte mínimo. Cada título define suas próprias regras. Portanto, é possível encontrar créditos privados mais acessíveis ou aqueles que exigem um capital inicial mais elevado. 

Quais são as alternativas de investimento em crédito privado? 

Agora que você sabe como funciona o crédito privado, precisa conhecer quais são os principais títulos e investimentos disponíveis no mercado. 

Confira: 

Debêntures 

As debêntures são títulos de crédito emitidos por empresas. Elas servem como uma forma de as companhias captarem recursos sem recorrer a empréstimos bancários ou outros tipos de endividamento. 

Dessa forma, cada emissor define as regras do seu título. No documento de apresentação, a empresa precisa informar os dados exigidos pela CVM. É nesse prospecto que o investidor poderá conferir todos os detalhes da alternativa — como rentabilidade, prazo de carência, vencimento, aporte mínimo entre outros. 

CRIs e CRAs 

Os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e do agronegócio (CRAs) são títulos de crédito privados emitidos por securitizadoras. Essas companhias são especializadas em securitização de créditos — uma forma de adiantamento de recebíveis. 

Elas adquirem os direitos creditórios de empresas, fazendo um pagamento à vista. Depois, as securitizadoras emitem os títulos de crédito privados com lastro nesses recebíveis, fornecendo uma alternativa de investimento aos interessados. 

Logo, os CRIs e CRAs representam os direitos creditórios de empresas ligadas ao ramo imobiliário e do agronegócio. Da mesma maneira que as debêntures, eles possuem rentabilidade, prazos e aportes mínimos específicos. 

FIDCs 

Outro tipo de crédito privado são os fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs). Esses fundos são veículos que permitem o investimento em uma carteira compartilhada, administrada por um gestor profissional. 

Essa carteira é formada, principalmente, por direitos creditórios, como recebíveis de empresas. Desse modo, os investidores interessados podem comprar cotas dos FIDCs, que representam uma fração ideal do patrimônio do fundo. 

Com isso, as cotas variam de preço conforme os resultados das negociações realizadas pelo gestor. Vale ressaltar que os FIDCs têm uma rentabilidade previsível. Por isso, também são considerados de renda fixa. 

Quais são as vantagens e riscos desses investimentos? 

Depois de saber quais são as alternativas de investimento do crédito privado, é importante conhecer suas vantagens e riscos. Um dos benefícios é a possibilidade de ter rendimentos maiores, porém relativamente previsíveis. 

Assim, não há riscos relacionados à volatilidade, já que a rentabilidade será combinada antes do aporte. Contudo, é preciso considerar o risco de crédito. Ele está ligado à possibilidade de os emissores não honrarem seus pagamentos. 

No caso das debêntures, por exemplo, as empresas podem não ter saúde financeira para pagar todos os investidores no resgate — o que pode gerar perdas.  

O risco de crédito mais elevado costuma ser compensado pela rentabilidade mais atrativa em relação a outros títulos, e pode ser mitigado pelo investidor. Para isso, é importante considerar o rating — ou classificação de risco — dos emissores, a fim de identificar as melhores alternativas para o seu portfólio. 

Como investir em crédito privado? 

Agora que você já entendeu o que é crédito privado e suas principais características, pode ter se interessado pela alternativa. Se você acredita que esses investimentos podem compor sua carteira, basta acessar a plataforma da sua corretora de valores e identificar os títulos ou fundos de crédito privado disponíveis. 

Avalie com cautela todas as informações do investimento e escolha aquele mais alinhado às suas necessidades e à sua estratégia enquanto investidor. 

Entendeu o que é crédito privado e como ele funciona? Como você viu, ele pode trazer vantagens e riscos para o investidor. Então é importante entender suas características e verificar se as aplicações desse tipo fazem sentido para o seu caso. 

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Redação It's Money

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