A indústria cripto precisa se unir para padronizar o sistema, diz presidente da COAF

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A indústria cripto precisa se unir para padronizar o sistema, diz presidente da COAF

13 ago 2026Última atualização: 13 agosto 2026

Leonardo CavalcantiLeonardo Cavalcanti

Representantes do Coaf, Polícia Federal, Ministério Público e setor privado discutiram no Blockchain.RIO como a regulamentação dos prestadores de serviços de ativos virtuais deve transformar o monitoramento e a investigação de crimes financeiros no Brasil.

Entre os painelistas estavam Ricardo Saadi, Presidente do COAF; Isalino Giacomet, Coordenador de Repressão a Fraudes Bancárias Eletrônicas na Polícia Federal; Lister Caldas Braga, Promotor de Justiça; e Ugo Portela, Global Services Manager LATAM.

Durante a conversa, Ricardo Saadi argumentou que o combate ao crime dentro da indústria pede pela união do setor como um todo.

Segundo ele, o COAF recebe cerca de 30 mil comunicações todos os dias dos diversos setores. "Nesse sentido, existem setores que estão melhor preparados e comunicam bem, e outros que ainda pecam", disse.

No mercado de criptoativos, as comunicações ainda precisam amadurecer na visão de Saadi. "Percebemos a boa vontade do setor, mas primeiro precisamos que eles comuniquem da melhor maneira, e depois precisamos melhorar a qualidade delas", afirmou.

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Ele reforça que o setor precisa se unir para que as comunicações sejam padronizadas, dessa forma evitando problemas concorrenciais. "Hoje algumas deixam de comunicar ao COAF com medo de perder o cliente para a concorrente", argumenta.

A melhor forma de fazer isso é contextualizando o motivo da comunicação, e não apenas indicar a transferência suspeita. "Ou a gente constrói esse sistema todos juntos, ou não vai ficar bom", conclui.

Isalino Giacomet, Coordenador de Repressão a Fraudes Bancárias Eletrônicas na Polícia Federal, indicou que um dos gargalos da atuação da Polícia Federal é a eficiência e velocidade da blockchain.

"O ambiente cripto gera uma certa dificuldade devido à alta velocidade e capacidade da blockchain. Para conseguirmos atuar e saber como fazer isso direito é necessário conhecimento", disse.

Giacomet compara o setor com o mercado de câmbio nos anos 2000. "Todas as autoridades tiveram que primeiro compreender o ambiente para combater os doleiros. Toda evolução tecnológica que traz a possibilidade de alto fluxo financeiro gera interesse de pessoas mal intencionadas, em especial grandes organizações criminosas", comenta.

No mercado de criptoativos, Giacomet ressalta que primeiro tiveram que lidar com pirâmides financeiras e promessas falsas, elementos trazidos pelos criminosos para atrair vítimas. Hoje isso continua, mas a principal ameaça é o uso da estrutura pelo crime organizado.

Lister Caldas Braga, Promotor de Justiça, corrobora com a tese. Segundo o promotor, o tópico dos próximos meses vai ser a reestruturação do tema financeiro cripto direcionado ao combate de crimes. "Tudo isso é muito novo, diferente do mercado de câmbio nos anos 2000, esse mercado evoluiu muito mais rápido."

Ugo Portela, Global Services Manager LATAM, defende que a participação do crime no mercado de criptoativos diminui a cada ano. Apesar disso, o mercado como um todo também cresce, o que faz com que o valor líquido de ilícitos também aumente.

"A indústria amadureceu com regulação, mas a atividade ilícita ainda é uma preocupação. Antes éramos reativos, investigar depois que aconteceu. Agora somos proativos. A Chainalysis é uma plataforma de rastreio que oferece análise aprofundada de tendências, e compreende cada caso por uma visão diferente", comenta.

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Para Portela, a IA aplicada no mercado de rastreio onchain vai exponencializar a atuação das autoridades. A integração de ambas tecnologias permite uma comunicação e contextualização de forma mais clara e mais global, o que ajuda a integrar as informações do COAF com os dados onchain para entender o cenário macro.

Lister reforça a ideia. Para ele, nos próximos dois anos essas ideias serão implementadas de maneira conjunta com setor privado, levando em conta a peculiaridade de cada empresa.

"A ABCripto se mostrou fundamental nessa trajetória. Estamos tendo o privilégio de fazer parte da história de um mercado que ainda vai se consolidar", afirmou.

Leonardo Cavalcanti

Leonardo Cavalcanti

Jornalista especializado em criptoativos, macroeconomia e finanças digitais. Com passagem por veículos como Money Times e BlockTrends, atua na produção de conteúdo analítico e notícias para portais nacionais e internacionais. É MBA em Mercado Financeiro e de Capitais pela FAAP/Empiricus, com formação em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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